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Nike e Puma ignoram proibição e vendem produtos feitos com couro de canguru

Pixabay

O governo da Califórnia reconhece que tem sido incapaz de impor a proibição da venda de produtos de couro de canguru, depois que um grupo de proteção aos animais alegou que fabricantes e varejistas de esportes, incluindo Nike e Puma, estavam vendendo chuteiras de futebol feitas de pele de marsupiais Australianos.

Uma investigação feita pelo Center for a Humane Economy descobriu que 93% dos varejistas que são “dominantes” on-line estão vendendo produtos de couro de canguru na Califórnia “ilegalmente”, os quais foram banidos sua importação e venda desde 2015.

A investigação foi focada solidamente na Califórnia, sendo que o comércio do couro de canguru não é ilegal no resto dos Estados Unidos. A Austrália possui regras rígidas para a caça legal do marsupial, a qual conta com o valor do mercado de exportação de aproximadamente 175 milhões em dólares australianos.

O Department of Fish and Wildlife da California contou ao The Guardian que estavam sobrecarregados pela tarefa de policiar vendas de mais produtos animais “notórios”, incluindo marfim e chifres de rinoceronte. Isso incitou os cidadãos a denunciar qualquer venda suspeita de pele de canguru as autoridades.

A Califórnia introduziu a lei em 1971 e continua a ser o único estado dos Estados Unidos a ter proibido a venda de produtos vindos do canguru, um material comum usado em chuteiras de futebol, luvas de basebol e outros tipos de luvas vendidas pelo mundo. Uma moratória permitiu produtos de origem animal a serem comercializados de 2007 até a proibição ser reimposta em 2015.

Violações dessa lei – a qual também é válida para produtos de animais como zebras, baleias e macacos – podem ser punidas com multas de 1.000 dólares (1.400 dólares australianos) a 5.000 dólares a seis meses de prisão.

O centro de investigação baseado em Maryland também alega que fabricantes donos de lojas on-line, estavam entregando os produtos para clientes no estado. Quando investigadores fizeram um pedido online de chuteiras, para serem entregues em endereços de Los Angeles, sete de nove fabricantes, incluindo Nike e Puma, completaram o pedido.

Mas a investigação descobriu que havia uma “conformidade quase perfeita” com a política do couro de canguru de quatro fabricantes que operam lojas na Califórnia. A Adidas, que não faz entregas a clientes diretamente no estado, foi citada no relatório por conta de seus sapatos de couro de canguru que estão sendo revendidas.

A Adidas nega que violou a lei por vender em atacado a esses vendedores. Um porta-voz da Adidas contou ao The Guardian que a marca “possui protocolos rígidos em vigor para proibir vendas, incluindo em atacado, de sapatos atléticos com couro de canguru na Califórnia”.

A investigação também reconhece que a Nike “tomaram medidas temporárias para entrar em conformidade depois de serem notificados por violação pelo Centro, mas continuaram as vendas ilegais” em julho.

A Nike e Puma não responderam ao pedido do The Guardian para comentar. A Nike informa sua política em seu site oficial: “Cangurus – Se capturados na natureza, devem ser originários de populações gerenciadas ativamente com a supervisão de agências governamentais”. O site da Puma diz que possui “uso zero de peles exóticas”.

O centro clama por uma “repressão” no comércio, alegando que a “violação vasta” da lei por vendedores tem permitido a economia da Califórnia a fomentar a morte de cangurus.
O presidente, Wayne Pacelle, diz que: “ Não estamos fazendo chapéus de garças, não decoramos nossas salas de estar com marfim, e não deveríamos usar sapatos atléticos feitos de pele de canguru. Não há necessidade para isso. Cada uma dessas empresas já vendem chuteiras de futebol feitas de tecidos não originados da vida selvagem.”

À luz da investigação, cinco atletas – incluindo o ciclista, medalhista de prata das Olimpíadas de 2012, Dotsie Bausch e a jogadora de futebol americano da equipe nacional da Nova Zelândia, Katie Rood – escreveram para o chefe executivo da Nike, John Donahoe, solicitando o fim do uso da pele de canguru em sapatos atléticos.

O capitão da divisão de aplicação de leis da Department of Fish and Wildlife da Califórnia, Patrick Foy, diz que uma equipe de seis pessoas, para o trafico de animais selvagens, foi organizada em 2015, mas seu alvo eram as espécies “mais notórias”, incluindo o marfim de elefantes e chifres de rinocerontes, espécies que estão enfrentando a extinção e “mercados de animais onde podem haver o potencial de espécies levar doenças para humanos.”

“Os Estados Unidos é o segundo maior consumidor de animais selvagens que foram traficados no mundo”, diz Foy. “A Califórnia possui um dos maiores portos marítimos nos Estados Unidos, com uma população de aproximadamente 40 milhões de pessoas”.

“Enquanto nosso objetivo é sempre proteger o público e todas as espécies selvagens, devemos considerar a realidade da grande carga de trabalho contra nossos recursos atuais. Nós continuamos vigilantes a respeito de nossos esforços e pedimos ajuda ao público. Nosso departamento possui contatos para qualquer um nos informar a respeito de violações de caças e leis de poluição”.

Quatro estados australianos – Nova Gales do Sul, Queensland, Austrália do Sul e Austrália Ocidental – permite a caça comercial de cangurus. Em 2018 a cota foi estabelecida em 15% ou 6.9 milhões do total de 46.1 milhões, mas o número real foi 1.5 milhões, ou 3%.
O sinal de cangurus desnutridos indo para áreas populacionais a procura de comida durante secas tem incitado alguns cientistas a clamar pelo abate de marsupiais como uma medida humana.

Em 2014 a exportação da carne e pele de canguru teve o valor de 174 milhões de dólares, com estimados que o mercado gerou mais de 2.000 empregos. Como o moratório da proibição estava perto de seu fim em 2015, o governo australiano lançou uma campanha para estende-lo indefinidamente e assim expandir o mercado de exportação de produtos de cangurus nos Estados Unidos.

Mas a oferta falhou, e a Fair Political Practices Commission da Califórnia emitiu um aviso ao governo australiano para não declarar 143.000 dólares em fundos para políticos da Califórnia. Em 2019 o gigante italiano da moda, Versace, anunciou que parou o uso de pele de canguru em seus produtos.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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