Compaixão

Homem salva pombo ferido e busca local que possa acolher a ave no Recife (PE)

Holmes Wanderley

Às vezes estamos no lugar certo, na hora certa, para ajudar quem mais precisa e essa história é um exemplo disso. Holmes Wanderley é um funcionário público de 59 anos que aproveitava a terça-feira chuvosa do dia 28 de julho para terminar de organizar sua mudança. Ele vive em uma casa no bairro Cordeiro, em Recife (PE), mas está de mudança para um pequeno apartamento em Caruaru.

O dia transcorria normalmente, até que ele percebeu que tinha uma visita inesperada. Um pequeno pombo tinha escolhido sua casa para se abrigar. Holmes se aproximou e notou que algo estava errado, pois mesmo assustado, o animal não conseguia voar. Uma de suas asas estava lesionada. Para que a pequena ave não corresse nenhum perigo, ele a colocou suavemente em uma caixa e partiu em busca de ajuda.

O funcionário público não fazia ideia que estava embarcando em uma odisseia por vários bairros do Recife. Inicialmente, ele buscou ajuda no Parque Estadual de Dois Irmãos, um zoo da cidade, mas o local estava fechado. Um guarda informou que não havia, infelizmente, nenhum funcionário que pudesse atender Holmes e o pombinho, mas sugeriu que ele se dirigisse à Universidade Federal Rural de Pernambuco.

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Ele tomou um novo ônibus e enquanto a chuva caia, Holmes e seu mais novo amigo partiam em busca de uma solução. Ao chegar na instituição de ensino recebeu a triste notícia de que a universidade também estava fechada e ninguém poderia ajudá-lo. O guarda do local deu uma nova saída e sugeriu que Holmes fosse até o Hospital Veterinário Público do Recife, por coincidência, no bairro Cordeiro, perto de sua casa.

Mais uma vez ele seguiu em busca do seu destino, mas o dia parecia estar longe de ter fim. Ao chegar ao hospital veterinário, Holmes se deparou com uma longa e interminável fila de cães e gatos que aguardavam atendimento. Ele falou com uma recepcionista e contou toda a história. O salvador do pombinho pensou que finalmente havia encontrado uma solução, mas novamente recebeu uma resposta negativa.

Desapontado e desesperanço, Holmes saiu com uma nova orientação, buscar uma clínica veterinária particular na Avenida Caxangá, uma das principais vias do Recife. Naquele momento, ajudar o pombinho era mais importante que tudo e ele novamente se viu a caminho de mais uma solução. Com dinheiro emprestado, ele pediu um carro particular e foi em direção à clínica.

Ele não tinha dinheiro para pagar a consulta, mas esqueceu a vergonha e decidiu que explicaria a situação e pediria atendimento gratuito e solidário para a ave. Assim que chegou à clínica, ele contou à recepcionista toda a epopeia que vivera até então e clamou por ajuda, mas novamente recebeu uma resposta negativa. No local também não havia profissionais que podiam examinar pombos.

Comovida com a situação de Holmes, a recepcionista indicou uma clínica no bairro Casa Forte. Para que ele ganhasse tempo, ela disponibilizou o aparelho telefônico da clínica para que ele ligasse e se informasse sobre a possibilidade de atendimento. Do outro lado da linha, recebeu a informação de que uma médica veterinária talvez pudesse ajudá-lo, mas que a profissional estava realizando uma cirurgia em um paciente e ele precisaria esperar pela resposta.

Holmes não conseguia mais esperar e mesmo sem a resposta afirmativa rumou para Casa Forte e chegou até a clínica indicada. Ele foi encaminhado para uma sala de espera e aguardou por cerca de 40 minutos o fim do procedimento cirúrgico. Holmes e o pombinho foram finalmente atendidos. Muito simpática e compassiva, a veterinária olhou cuidadosamente a ave e deu algumas indicações.

A profissional identificou que realmente havia um nódulo em uma das asas do pombo e disse que acreditava que se a ave exercitasse voo, ela rapidamente se recuperaria. Não foram realizados exames e Holmes retornou para casa com o pombinho na caixa. Temendo soltá-lo ao ar livre, ele destinou um dos quartos vazios para que o pombo pudesse tentar voar um pouco, mas ele sabia que isso era longe do ideal.

Estudando alternativas, Holmes decidiu levar a doce ave para o Parque Treze de Maio, também em Recife. No local há um minizoo e viveiros de aves. Ele acreditou que lá, o pombo teria um local seguro para praticar voo até poder ser libertado na natureza, mas novamente recebeu uma resposta negativa. Uma funcionária local disse que ele poderia sim soltar o pombo no parque, mas sem supervisão, o que o deixaria extremamente vulnerável e em risco.

Holmes novamente retornou para casa com o pombinho e agora espera conseguir ajuda para encontrar uma organização ou um tutor que possa acolher a pequena ave. Ele lamenta profundamente que pombos sejam vítimas de preconceito e recebam a alcunha de sujos e transmissores de doenças enquanto nós, seres humanos, somos os principais responsáveis pelos males que há no planeta.

Ele gostaria que a sociedade se conscientizasse de que esses animais nascem puros e a sujeira que contraem vem justamente das ruas e dos dejetos descartados pelas pessoas. Ele espera que as pessoas “não fiquem só nessa neura da doença. A doença existe, mas também existe a sujeira e a falta de higienização da cidade”.

Ele acrescenta ainda que fica muito feliz pela missão de ter salvo o pombo e ter feito todo o possível para que ele pudesse ser atendido e reabilitado, mas sabe que ele precisa de cuidados especiais e não deve viver em cativeiro, aprisionado. O que Holmes realmente quer é que a ave possa voar livremente e viver com outros membros de sua espécie em segurança.

Se você conhece alguma organização ou guardião de pombos que possa ajudar o animal e e o funcionário público, por favor entre em contato com o Holmes através do telefone: 81-98830-7213.


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