Coletivo Horta das Flores tenta impedir destruição de área verde para construção de empreendimento imobiliário em SP


Horta das Flores é ameaça para construção de empreendimentos imobiliários em SP
Foto: Reprodução/facebook/ Hortas das Flores

Os milhares de paulistanos que pegam a Av. Radial Leste todos os dias talvez nunca tenham reparado, mas no meio da aglomeração de lojas, shoppings e construções de uma das principais avenidas da cidade São Paulo, existe uma belíssima área verde popularmente conhecida como Horta das Flores.

O espaço foi implementado pela prefeitura com o surgimento do Programa de Agricultura Urbana e Peri urbana da cidade de São Paulo (PROAURP) – Lei 13.727/04 e Decreto 51.801/2010), em meados de 2004. Durante anos a horta compôs o PROAURP, envolvendo famílias em vulnerabilidade social na produção de alimentos e geração de renda por meio da comercialização de hortaliças.

Depois disso, o local foi estruturado como a Praça Alfredo Di Cunto e teve uma estufa implementada em 2008, com o Programa Escola Estufa Lucy Montoro, onde foram desenvolvidos cursos gratuitos de horticultura orgânica para a população. Com o fim do programa, a praça foi mantida de forma sucateada por um zelador de praça.

Em 2015, um grupo de moradores começou a atuar na praça para iniciar uma ocupação comunitária. Foi aí que surgiu o coletivo Hortas das flores que se mantém até hoje realizando mutirões mensais, oficinas, atividades sobre o meio ambiente e educação ambiental, tornando- se uma referência de horta comunitária no município de São Paulo.

Tragédia ambiental

Infelizmente, esse espaço com mais de 200 arvores, onde se realiza um trabalho socioambiental único para toda a comunidade, encontra- se ameaçado e corre um risco muito grande de sumir.

Uma das promessas de campanha de 2016 do então prefeito João Doria (PSDB) era entregar moradias populares e após sua saída da prefeitura, o projeto teve continuidade com o seu sucessor Bruno Covas. Assim, a área onde fica localizada a Horta das Flores foi incluída em uma parceria público – privada em 2017 para construção de moradias populares pela COHAB.

A empresa responsável pela construção dos prédios é o consórcio Telar- Engeform. Segundo a empresa, serão construídas 2.760 unidades habitacionais por meio da, reafirmando que o cronograma de desocupação se encontra em elaboração, com previsão para o primeiro semestre deste ano.

O contrato foi assinado em junho de 2019 e atualmente se encontra na etapa preliminar, tendo o contrato prorrogado até junho de 2020.

Perguntados sobre a continuidade das obras e sobre o projeto urbanístico que será feito no parque, a Sociedade de Propósito Específico (SPE) formado pelas empresas Engeform e Telar afirmou que “todo planejamento das obras será feito em parceria com a subprefeitura da Mooca e a autorização do poder concedente da COHAB, e que está aberta para discutir e arquitetar junto com as ONGs que atuam na região a melhor estratégia para a construção do edifícios”, salientou o representante do consórcio em entrevista ao portal Hypeness.

Preservação da área verde

Em comunicado, o Coletivo Horta das Flores disse que em nenhum momento a organização foi informada ou participou de consulta sobre o referido processo e também não foi informada sobre a concessão da área, tomando conhecimento somente no final de 2019.

“Não que sejamos contra a construção de casas populares, mas existem outros lugares para realizar esse projeto, e não destruir um dos poucos lugares de área verde que temos no nosso bairro”, disse Regina Grilli, 63 anos, gestora ambiental e uma das organizadoras
do projeto.

Veja no vídeo abaixo, a gestora ambiental Regina Grilli destacando o quanto a Horta das Flores é importante para a população da Região:

A Horta das flores é a principal agente de conservação da praça. O coletivo, que tem mais de 50 membros, gere a área inteira, que conta com um pomar, uma estufa, um herbário, um viveiro, e mais uma série de projetos de bioconstrução, permacultura e agroflorestal, além de oficinas sobre educação ambiental e agroecologia. Desde 2015 foram mais de 90 projetos no parque, com diversas organizações sociais e do meio ambiente.

Os trabalhos de cultivo e manutenção são feitos por voluntários em mutirões sempre no primeiro domingo de cada mês e em ações de manutenção semanal, promovendo atividades comunitárias na praça aberta a população e estimulando os moradores do entorno a usufruírem do espaço.

Horta das Flores é ameaça para construção de empreendimentos imobiliários em SP
Foto: Reprodução/ Facebook/ Hortas das Flores

“As pessoas aqui no bairro estão indignadas, somente agora estão sabendo desse crime ambiental, infelizmente pode ser tarde, mas todas instituições cíveis aqui da Mooca estão em pé de guerra, está claro que os moradores não querem que seja construído prédios no lugar dessa imensa área verde”, declarou Anderson França, morador do bairro há 6 anos, em entrevista à ANDA.

Além da horta, no viveiro já são produzidas cerca de 1.500 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, nos quais cerca de 200 árvores estão plantadas e catalogadas na praça com tecnologia de QR Code.

Foto: Reprodução/ Facebook/ Hortas das Flores

“Acreditamos que a Praça Alfredo Di Cunto possui uma finalidade socioambiental importante para o bairro da Mooca, conhecido como um dos bairros de São Paulo com menor índice de cobertura verde por habitante”, ressaltou Regina em comunicado.

Mas com a possível construção do conjunto habitacional no local, todo o esforço de anos de trabalho dos integrantes da organização pode vir por água abaixo.

Para continuar com o projeto na Praça Alfredo Di Cunto, o Coletivo Horta das Flores criou uma petição na plataforma Charge.org, angariando assinaturas para impedir a construção dos prédios no local. Até o momento a entidade já conseguiu mais de 3 mil assinaturas com o intuito de conseguir no mínimo umas 5 mil assinaturas, para assim encaminhar ao Ministério Público os documentos para tentar embargar a obra solicitada pela Prefeitura de São Paulo.

Quem quiser entrar na luta pela permanência da Horta das flores na Av. Alcantara Machado, no bairro da Mooca, pode ajudar compartilhando o abaixo-assinado com a hashtag #salveahortadasflores.


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