Simba

Explorado desde a infância, leão morre aos 18 anos em zoo no Paraná

Além de passar a vida preso para entreter visitantes do zoo, o leão foi forçado a se reproduzir, trazendo ao mundo duas leoas que nunca conheceram a liberdade

Foto: Pedro Ribas/SMCS
Foto: Pedro Ribas/SMCS

Simba, um leão explorado desde a infância para entretenimento humano, morreu na manhã da última segunda-feira (3) no Zoológico Municipal de Curitiba, no Paraná.

A prefeitura da cidade alegou que a causa da morte foi velhice. O leão era reduzido à condição de “principal atração” do local, o que o colocava no mesmo nível de um objeto em exposição usado para entreter o público.

Simba tinha 18 anos de idade, viveu todos eles trancafiado no zoológico. Visitantes que passaram pelo local se divertiam ao ver o animal inocente aprisionado.

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A administração do zoo informou ao G1 que o leão tinha dificuldades para se locomover e que todas medicação para as dores que sentia por conta de problemas nas articulações.

Ele chegou ao zoológico ainda filhote, após ser resgatado de uma casa onde era mantido em cativeiro, o que configura crime ambiental. Não bastasse todo o sofrimento que vivenciou por ter sido privado da vida em liberdade, o leão ainda foi forçado a se reproduzir em cativeiro, trazendo ao mundo Leona e Nala, leoas que nasceram condenadas à vida no cárcere. Elas vivem no zoológico há quase 14 anos.

Zoológicos x santuários

Após o resgate, o foco principal deve ser reabilitar o animal silvestre para devolvê-lo à natureza. Em casos específicos em que a soltura não é possível, santuários devem ser o destino do animal.

Zoológicos são locais que visam o lucro e o entretenimento e que aprisionam animais e os reproduzem, condenando filhotes a uma vida inteira de aprisionamento para entreter visitantes que enxergam diversão na tristeza dos animais – como apontado por especialistas, movimentos repetitivos e sinais de estresse são comuns nesses animais (um fotógrafo viajou o mundo para registrar o estado depressivo da fauna silvestre que vive em zoológicos – confira aqui).

Foto: Gaston Lacombe

Além dos recintos pequenos e inadequados, muitas vezes feitos de cimento, os zoológicos submetem os animais a condições antinaturais ao forçá-los a suportar o barulho e a presença de muitos visitantes.

Nos santuários, os animais são mantidos em ambientes que tentam ao máximo simular o habitat, e não são expostos ao público. Exceções existem apenas em casos de instituições que precisam abrir para visitação para arrecadar fundos para manter os animais – nesses casos, as visitas são realizadas em dias determinados, de maneira responsável para não estressar os animais, com monitoramento e número reduzido de pessoas.

Como o objetivo dos santuários é promover bem-estar aos animais que não podem retornar à natureza, não há foco no entretenimento humano e, portanto, não há reprodução para que filhotes não sejam condenados a uma vida no cativeiro apenas para serem vistos pelas pessoas.

Basta observar animais retirados do zoológicos e levados a santuários – os que são mantidos pelo Rancho dos Gnomos, por exemplo – para notar a diferença que faz dar ao animal um local digno para viver. As mudanças são visíveis, como mostram as fotos abaixo, da ursa Marsha, que viveu no Rancho dos Gnomos. Conhecida como a ursa mais triste do mundo por viver num zoo, ela se transformou após ser levada ao santuário, onde viveu uma vida feliz por 10 meses, até morrer em decorrência de um tumor.

Foto: Rancho dos Gnomos

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