Minas Gerais

Caçador mata amigo durante caçada e diz que o confundiu com javali

Antes de um dos caçadores ser morto, a dupla tirou a vida de um javali, espécie submetida a maus-tratos em caçadas autorizadas no Brasil

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Paulo César da Silva, 43, foi morto a tiro por um amigo durante uma caçada realizada no último domingo (3) na Fazenda Paraíso, em Itanhandu, Minas Gerais. O autor do disparo afirmou que atirou após confundir Silva com um javali. O animal é a única espécie com caça liberada no Brasil. Por não serem nativos do país, os javalis sofrem nas mãos de caçadores que tiram suas vidas.

Após atirar no amigo, o caçador ouviu um grito, percebeu o equívoco e tentou socorrê-lo, mas não conseguiu por estar sozinho em uma mata fechada. Ele, então, retornou à fazenda e pediu que a polícia fosse acionada.

A dupla participava de uma caçada que tinha como objetivo matar um javali que havia sido visto por eles na região. Silva teria disparado contra o animal antes de ser alvejado por seu amigo.

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Preso em flagrante, o caçador foi levado à delegacia. Ele será indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar). Aos policiais, o homem entregou uma espingarda calibre 28, 10 cartuchos intactos e um cartucho vazio. O corpo de Silva foi levado ao IML após a perícia técnica realizar seus trabalhos no local do crime.

A Polícia Militar informou que os caçadores têm registro para posse de arma, mas não para porte. A dupla também tem autorização do Ibama pra caçar javalis, mas não possui o Certificado de Registro (CR) de Caçador do Exército, necessário para o uso de armas de fogo.

Como o alvo dos caçadores é um animal tratado pelas autoridades brasileiras como um objeto sem valor, que pode ser torturado, maltratado e morto em caçadas, não houve responsabilização por crime ambiental. A caça ao javali é realizada como forma de controle populacional – no entanto, especialistas alertam que, além de cruel, a prática é ineficaz.

“Eles tinham autorização para ter arma em casa. Mas não tinham para transportar até o local da caçada. Nós acionamos a Polícia Militar Ambiental, mas não foi registrado crime ambiental pela morte do animal por se tratar do javali, que não é uma espécie da nossa fauna”, explicou o tenente da Polícia Militar, José Ednilson Marcelino da Silva.

O caçador foi liberado para aguardar em liberdade pelo julgamento pela morte de Silva.


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