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Um organismo antigo ascende da grama

Pixabay
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Minha rota para casa estava muito cheia e eu fiz um lento progresso, olhando para o chão pedregoso, desnivelado e concentrado em manter um bom ponto de apoio para os meus pés. Abelhas e moscas pequenas rodopiavam ao redor das flores selvagens e da longa grama na base do limite do pico, até que alguma coisa muito maior esbarrou debaixo dos meus pés.

O vôo abrupto e irregular foi uma surpresa, e estranhamente rememorativo dos pequenos beija-flores do Oeste da Califórnia – mas isso era um organismo drasticamente mais velho. À medida que subia da grama emaranhada, as batidas da asa dessa libélula com anéis de ouro (Cordulegaster boltonii) eram claramente audíveis, tão altas quanto um drone quitinoso profundo, a frequência modulando enquanto ela trocava de direção repetidamente. Eu a assisti voando para cada vez mais longe em seu destino, esperando-a se afastar e se perder de vista, contudo, em vez disso, ela se posicionou novamente em um caule alto.

Movendo-me ainda mais cautelosamente, eu andei lentamente em direção à libélula – o maior espécime que eu já vi em vários anos. À medida que eu me aproximava, ela se orientou cuidadosamente e começou a aproveitar o caloroso raio de sol de julho. Dramaticamente marcada com listras contrastantes de amarelo e preto, o seu corpo fino era tão longo quanto meu dedo do meio e, como o caule se moveu com a brisa, a estrutura complexa da asa criou fragmentos transitórios de iridescência.

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Libélulas têm um histórico familiar de que estende por centenas de milhões de anos, com origens tão distantes quando as antigas pedras silurianas sob meus pés. Os ancestrais que voaram na rica atmosfera carbônica devem ter sido uma visão especialmente impressionante, com evidência fóssil mostrando uma envergadura de asa do comprimento do meu braço – o ápice dos predadores aéreos de seus dias.

Ajoelhando-me estranhamente no chão, estudei o inseto por vários minutos, notando a forma como os olhos bulbosos tingidos de verde quase se juntaram no topo da cabeça e como as pintas pretas agarraram a planta. Então, a brisa soprou o caule em direção à minha sombra e, alarmada pela súbita mudança de luz, a libélula começou a subir de seu poleiro. Pêga pelo vento crescente, ela zuniu pelos prados em direção aos lagos escuros que marcam as vertentes dos cursos antigos do Afon Rheidol (Rio Rheidol).


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