Momento de agir

O custo para prevenir a próxima pandemia é igual a somente 2% do estrago econômico da Covid-19

O mundo deve agir agora para proteger a vida selvagem para impedir uma crise de vírus futura, diz cientistas.

Pixabay
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O custo para prevenir uma pandemia futura pela próxima década, ao proteger a vida selvagem e florestas, seria igual a somente 2% do estrago estimado da Covid-19, de acordo com nova análise.

Dois vírus novos por ano têm se espalhado de seus hospedeiros da vida selvagem para humanos pelo último século, diz pesquisadores. Com o crescimento da destruição da natureza, significa que o risco hoje está mais alto que nunca.

É vital a repressão do comercio internacional da vida selvagem e a devastação de florestas, disse eles. Essas duas ações colocam a vida selvagem em contato com pessoas e a pecuária. Mas tais esforços estão sendo severamente subfinanciados, de acordo com experts.

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O gasto de aproximadamente 260 bilhões de dólares por 10 anos reduziria substancialmente os riscos de outra pandemia na escala do coronavírus, estimam pesquisadores, o que são 2% dos estimados 11.5 trilhões de dólares dos custos da Covid-19 da economia mundial. Além disso, o gasto na vida selvagem e proteção florestal seria quase cancelado por outro benefício da seguinte ação: o corte da emissão de dióxido de carbono que leva a crise climática.

Os programas chave que os cientistas clamam são: melhor regulamento do comércio da vida selvagem, vigilância de doenças e controle da vida animal doméstica e selvagem, acabar com o comércio de carne selvagem na China, e o corte do desflorestamento de 40% de lugares chaves. Há uma clara conexão entre o desflorestamento e a emersão de vírus, diz eles, com os morcegos de floresta sendo os prováveis reservatórios dos vírus do Ebola, Sars e Covid-19, e os limites das florestas tropicais sendo uma “catapulta” para novos vírus infectar humanos.

“É ingênuo pensar que a pandemia de Covid-19 é um evento que ocorre uma vez no século”, diz o professor Andrew Dobson da Universidade de Princeton nos Estados Unidos, que conduz a análise. “Com tudo que fazemos ao meio ambiente, eles estão vindo cada vez mais rápido, assim como o aquecimento global”.

O professor Stuart Pimm da Universidade de Duke nos Estados Unidos, que fez parte da equipe de pesquisa, diz: “Investir na prevenção pode ser o melhor seguro para a saúde humana e a economia global no futuro. Poderia impedir futuras pandemias antes que comecem”.

O chefe ambiental das Nações Unidas recebe bem a análise. “A ciência não poderia ser mais clara”, diz Inger Andersen. “Ao emergir do lado da recuperação de Covid-19, não podemos abordar de modo fragmentado o combate a doenças (de vidas selvagens). Independentemente da conta final (do coronavírus), podemos dizer com certeza que agir agora nos salvará de bilhões de custos, e evitará o tremendo sofrimento que continuamos a ver ao redor do mundo”.

A análise é o último apelo dos experts para o governo reconhecer a destruição do mundo natural e ajudar prevenir futuras pandemias. Esse mês, o relatório das Nações Unidas diz que o mundo trata dos sintomas da saúde e da economia da pandemia do coronavírus mas não da causa ambiental. Em junho, os experts disseram que a pandemia foi um “sinal de SOS para o empreendimento humano”; enquanto em abril, os experts líderes mundiais de biodiversidade disseram que mais surtos de doenças mortais surgirão a não ser que a natureza seja protegida.

A análise, publicada na revista acadêmica Science, foi realizada por experts em meio ambiente, medicina, economia e conservação. Nota-se que as redes de fiscalização da vida selvagem estão sendo subfinanciadas. A rede no sudeste da Ásia possui um orçamento anual de 30 mil dólares, enquanto a organização do comércio da vida selvagem global, Cites, arrecada 6 milhões por ano.

“O comércio da vida selvagem é profundamente corrupto”, diz Dobson. “Alguns políticos prefeririam que isso não fosse impedido em alguns países”. Os pesquisadores dizem que o povo indígena que necessitam da vida selvagem para ter comida devem ser protegidos de qualquer restrição.

Acabar com o comércio de carne selvagem na China era a chave, dizem os pesquisadores, e requereria quase 200 bilhões por ano. “Eu fiquei surpreso com o número de pessoas empregadas: são alguns milhões”, diz Dobson. Ele diz que também haviam alguns veterinários da vida selvagem na China: “As tropas da linha de frente das trincheiras estão em falta”.

A líder do World Economic Forum da agenda de ação da natureza, Akanksha Khatri, diz que: “A Covid-19 nos mostrou que os seres humanos e nossa atividade econômica depende do equilíbrio ecológico do planeta. Se continuarmos a forçar contra esse equilíbrio delicado, será por nossa conta e risco”.

Uma veterinária especialista no World Health Organization, Stéphane De La Rocque, diz que a análise era muito necessária e que depois da Covid-19, os líderes estão começando a entender o problema: “É a primeira vez que temos uma discussão sobre vida selvagem (e doença) e perceber que não temos um sistema de vigilância para a vida selvagem”.


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