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Greta Thunberg diz que o plano de recuperação da UE falha em combater a crise climática

Jovem diz que o fundo de €750 bilhões mostra que os líderes não tratam o aquecimento global como uma emergência

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Greta Thunberg acusou os políticos da União Europeia de falhar em reconhecer a escala da crise climática e disse que o plano de recuperação de €750 bilhões para a Covid-19 não é o suficiente para enfrentar a questão.

A ativista climática disse que o pacote de medidas acordado pelos líderes da União Europeia provou que os políticos ainda não estão tratando as mudanças climáticas como uma emergência.

“Eles ainda estão negando e ignorando o fato de que nós estamos enfrentando uma emergência climática, e a crise climática até agora não foi tratada nem uma vez como uma crise”, disse Thunberg ao The Guardian. “Enquanto a crise climática não for tratada como uma crise, as mudanças necessárias não irão acontecer.”

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Os líderes europeus chegaram a um acordo sobre o fundo de recuperação nas primeiras horas de terça, 21, e se comprometeram a destinar 30% do pacote às políticas climáticas, porém poucos detalhes foram dados.

Thunberg, 17, e outros líderes do movimento grevista estudantil de toda a Europa disseram que o pacote era inadequado.

Luisa Neubauer, 24, uma figura central no movimento grevista estudantil na Alemanha, disse que os jovens estão se frustrando cada vez mais com os políticos.

“Nós estamos pedindo aos nossos líderes para tomar conta da coisa mais fundamental: a nossa segurança, a segurança das pessoas no mundo, a segurança dos nossos futuros”, disse Neubauer. “É preocupante, em um nível democrático, quando você pede coisas substanciais, que parecem tão óbvias, e ainda assim vê como os líderes estão as ignorando amplamente ou não estão as considerando tão importante como outras coisas.”

Outra proeminente grevista escolar, Adélaïde Charlier, 19, da Bélgica, disse que os políticos que adotaram uma linguagem da ação climática sem dar prosseguimento com as medidas políticas urgentes são piores do que os negadores climáticos.

“Quando os líderes minimizam a crise climática, eu sinto que isso é mais perigoso do que os líderes que a negam completamente… porque então nós sentimos que podemos confiar naqueles políticos e que estamos realmente no caminho certo, e isso é perigoso e errado.”

O grupo escreveu uma carta aberta aos líderes da União Europeia demandando que eles ajam imediatamente para evitar os piores efeitos da crise climática.

A carta, assinada por 80 mil pessoas, incluindo alguns dos maiores cientistas, argumenta que a pandemia do Covid-19 mostrou que a maior parte dos líderes é capaz de agir rápida e decisivamente quando eles julgam ser necessário, mas que falta a mesma urgência na resposta à mudança climática.

“Agora está mais claro do que nunca que a crise climática não foi nem uma vez tratada como uma crise, nem pelos políticos, mídia, negócios ou finanças. E quanto mais a gente fingir que nós estamos em um caminho confiável para a redução das emissões e que as ações necessárias para evitar um desastre climático estão disponíveis no sistema atual… mais tempo precioso nós perderemos”, dizia a carta.

A carta argumenta que a emergência climática e ecológica só pode ser enfrentada com o combate às “injustiças e opressões sociais e raciais que lançaram as bases do nosso mundo moderno” de forma implícita.

No início deste ano, a União Europeia divulgou suas novas propostas de negócios verdes, que disse visar transformar o bloco de uma economia de alta emissão de carbono para uma de baixa emissão sem reduzir a prosperidade e, ao mesmo tempo, melhorando a qualidade de vida das pessoas. Os grevistas climáticos descartam o objetivo da União Europeia de zero emissão líquida até 2050 como perigosamente pouco ambicioso.

Thunberg, que no último dia 20, ganhou o Prêmio Gulbekian para a Humanidade, de Portugal, e prometeu o prêmio de €1 milhão ($1.15 milhão) para grupos que trabalham para proteger o meio ambiente e parar a mudança climática, dizendo que cabe às pessoas comuns se levantar e exigir que os políticos se elevem ao desafio.

“Vejo esperança na democracia e nas pessoas”, disse. “Se as pessoas se tornam cientes do que está acontecendo então nós podemos conquistar tudo, podemos colocar pressão nas pessoas no poder… se nós apenas decidirmos que já chega, isso mudará tudo.”


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