Covid-19

Centro de resgate no Sri Lanka está empenhado em salvar pacientes silvestres durante o isolamento

O centro de resgate de animais silvestres Hiyare localizado ao sul do Sri Lanka declarou que houve um crescimento significativo no número de animais órfãos e feridos resgatados durante o isolamento devido ao COVID-19.

Imagem de uma Corjua Peixe Marrom nos galhos de uma árvore
Pixabay
Imagem de uma Corjua Peixe Marrom nos galhos de uma árvore
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O centro de resgate de animais silvestres Hiyare, localizado ao sul do Sri Lanka, declarou que houve um crescimento significativo no número de animais órfãos e feridos resgatados durante o isolamento, devido à Covid-19.

Conservacionistas atribuem esses aumentos ao início do período de reprodução de várias espécies e ao crescimento das atividades de agricultura, devido ao isolamento que obrigou as pessoas a encontrarem outros meios de sobrevivência.

Cuidadores dos centros de resgate enfrentam vários desafios para assegurar suprimentos suficientes, tais como leite fresco e ração para os animais, muitos dos quais eles esperam soltar de volta à natureza quando já estiverem reabilitados e treinados.

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O centro Hiyare iniciou suas atividades em 2008 e já salvou e devolveu muitos animais, mas agora enfrenta incerteza de financiamento, decorrente dos impactos econômicos do isolamento. 

Hiyare, Sri Lanka — Os períodos de pânico a cada acirramento do toque de recolher, devido à Covid-19, rapidamente esvaziaram as prateleiras dos supermercados e das lojas, pois as pessoas começaram a estocar produtos de primeira necessidade.

Para alguns que estavam esperando em filas longas ao sul do distrito de Galle, a lista de compras continha apenas um item: leite fresco. Não era para consumo próprio ou para suas famílias, mas para os animais que estão sob seus cuidados no centro de resgate de vida silvestre Hiyare.

O Sri Lanka está relaxando o isolamento social imposto no dia 15 de março e não há problema de desabastecimento de comida na maioria dos lugares. Segundo Sampath Udugampola, responsável pelo Programa de Resgate de Animais Silvestres (WARP), estava difícil continuar firmemente com as atividades do centro de resgate Hiyare, considerando o período de mais de 2 meses de isolamento. “Durante esse período, tivemos dois nascimentos de cervo-sambar (Rusa unicolor), um de cervo-latidor e vários de langur-de-cara-roxa; todos precisavam de leite fresco”, relatou ao “Mongabay”.

Com a alta demanda e com a pouca quantidade de suprimentos, os trabalhadores do centro de resgate frequentemente retornavam de mãos vazias ou tinham de tentar outras saídas. Cada filhote de Sambar (Rusa unicolor) precisa de pelo menos 3 litros de leite fresco diariamente. Como uma forma de compensar a escassez, e considerando que os filhotes já haviam crescido, os trabalhadores começaram a alimentá-los com ração folhosa. No entanto, mesmo esta mostrou-se difícil de ser encontrada, de acordo com Sisira Jayasinghe, gestora do WARP.

A quantidade de ração folhosa necessária diariamente é de aproximadamente de 4 a 6 sacas coletadas da área. Frequentemente, buscamos ração durante o período de toque de recolher a fim de garantir que os animais sejam alimentados a tempo”, relatou ao Mongabay.

O que agrava a questão é que o número de animais silvestres trazido ao WARP aumentou durante o período de isolamento social. “Em média, nós recebemos cerca de 30 pacientes silvestres em cada mês, com um ligeiro aumento durante o período de reprodução. Porém, em Abril e Maio deste ano nós recebemos cerca de 50 animais em cada mês”, relatou Jayasinghe.

Período de isolamento coincide com a época de reprodução

O período de isolamento social coincidiu com o período de reprodução de várias espécies, incluindo o cervo-porco-indiano (Axis porcinus), gato-pescador (Prionailurus viverrinus) e vários tipos de espécies de pássaros.

“O cervo-porco-indiano prefere plantação de arroz abandonada como um local seguro para esconder a ninhada. O isolamento social resultou em um motivador para o cultivo e várias plantações de arroz abandonadas começaram a ser cultivadas pelos aldeões, perturbando o habitat dos cervos-porco-indiano”, disse Jayasinghe.

O centro de resgate recebeu um cervo-porco-indiano durante esse período. No final de maio, tempestades e ventos fortes arrancaram diversas árvores, muitas das quais continham uma recente ninhada de passarinhos. Esses passarinhos estão agora abrigados no centro de resgate Hiyare.

O programa de resgate foi iniciado em 2008 pela Sociedade de Conservação da Vida Silvestre de Galle – WCSG, em local próximo à uma parte de floresta fragmentada, e continua suas atividades sob o comando governamental do Departamento de Conservação da Vida Silvestre (DWC), com auxílio de um banco local. Em 2011, o programa foi expandido com o estabelecimento de um hospital para animais. Essa instalação trabalha em conjunto com o escritório do DWC situado em outro município de Galle, Hikkaduwa.

“Este não é apenas um programa de resgate. Nós queremos reabilitar os animais silvestres feridos e devolvê-los à natureza o mais rápido possível”, disse Madura de Silva, presidente da WCSG. A maior parte dos animais resgatados tem apenas semanas de idade e os cuidadores fazem o papel de pais adotivos, alimentando-os até que se tornem mais maduros.

O centro de resgate recebeu 388 animais silvestres em 2019, dos quais 188 foram devolvidos à natureza. O que inclui sete de 16 cervo-porco-indiano resgatados no último ano, 19 de 73 langur-de-cara-roxa, e 47 de 49 cobras píton-indiana (Python molurus).

“Alguns dos animais que recebemos estão gravemente feridos ou muito fracos para sobreviver”, De Silva relatou ao “Mongabay”. “É fácil reabilitar animais herbívoros, mas, no caso dos carnívoros, é mais difícil porque precisam de um treino cuidadoso para que aprendam as habilidades de caça e possam sobreviver na natureza.”

Entre os animais reabilitados e devolvidos à natureza há gato-ferrugem – uma das menores espécies de gatos do mundo –, gato-pescador, e várias outras espécies de corujas e águias. O centro de resgate ocasionalmente solta macacos previamente treinados e explorados em performances de rua. O processo de reabilitação pode levar até 6 meses e até que a equipe se sinta confiante de que os animais poderão sobreviver na natureza, disse De Silva.

 Trabalho de amor

O cervo-porco-indiano demanda atenção especial no centro de resgate. Acredita-se que essa pequena espécie de cervos foi levada ao Sri Lanka do subcontinente Indiano, durante o período colonial, com as espécies se transformando ao se sentirem aclimatadas à região próxima a Galle. A área foi considerada extinta por 20 anos. Atualmente, o WCSG conduz um centro de reabilitação especial para cervo-porco-indiano perto de uma ilha pequena.

“Cada ano, nós recebemos centenas de filhotes de cervo-porco-indiano, com ferimentos causados por cães domésticos ou lagarto-monitor”, disse Udugampola. “Eles são criaturas acanhadas e requerem cuidados especiais para que possam sobreviver.”

Em 2019, o centro de resgate também recebeu 21 águias-serpente-com-crista (Spilornis cheela), muitas das quais foram eletrocutadas e tiveram feridas de queimaduras. Essas águias alimentam-se principalmente de cobras. No entanto, elas frequentemente pousam sobre torres de eletricidade, e as cobras que estão balançando nas suas garras podem encostar no arame, eletrocutando as águias.

Várias espécies de macacos são também vulneráveis à ameaça de eletrocussão. Em vários casos, é difícil para os trabalhadores do centro de resgate para reanimar animais.

Saindo do período de isolamento e entrando na incerteza de financiamento

Com o relaxamento do isolamento social, os problemas não terminaram para o centro de resgate Hiyare. Como as inúmeras outras iniciativas ao redor do mundo, também enfrenta incerteza de financiamento – um resultado do impacto da pandemia na economia e o desvio de doações para outras iniciativas vistas como mais urgentes.

O centro Hiyare funciona com uma pequena, mas dedicada equipe – um funcionário e dois ajudantes constituem a mão-de-obra permanente – logo a dependência da boa vontade e o apoio dos voluntários é de grande importância.

“Nunca foi fácil, mas os animais precisam de apoio e queremos garantir que os resgates possam ser feitos”, disse de Silva, “especialmente quando a vida selvagem parece estar sendo ameaçada pelos humanos.”


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