Amazônia

Militares alegam falta de recursos para coibir desmatamento, mas usam dinheiro para pintar unidades

Recursos destinados à preservação da Amazônia estão sendo usados em ações sem qualquer relação com o desmate da floresta

Foto: Victor R. Caivano/AP
Foto: Victor R. Caivano/APsta

Após batalhões militares serem paralisados sob a alegação de falta de recursos para coibir o desmatamento durante a operação militar Verde Brasil 2, recursos destinados ao combate a crimes ambientais na Amazônia foram usados para pintar unidades da Marinha, inclusive em regiões que não têm relação com a floresta amazônica.

Uma investigação feita pelo jornal O Estado de S. Paulo descobriu que os recursos estão sendo usados em ações sem qualquer relação com o desmate da Amazônia. No dia 3 de julho, mais de R$ 244 mil destinados à operação Verde Brasil 2 foram usados na compra de 633 latas de 18 litros de tinta cada, nas cores branco neve e gelo. As compras foram feitas pelo Centro de Intendência da Marinha, em Ladário (MS). Tintas do tipo “premium”, compradas em um lote com 212 unidades, custaram R$ 566,03 cada. Além da pintura de prédios não integrar ações contra o desmatamento, o Mato Grosso do Sul não faz parte da Amazônia Legal. Em relação a essas compras, o Ministério da Defesa não se posicionou.

Dos R$ 4,927 milhões usados durante a operação, mais de R$ 2,741 milhões foram utilizados para a troca de peças e a contratação de serviços de manutenção de aeronaves da Defesa. Uma das contratações custou mais de R$ 818 mil. Segundo o Ministério, “boa parte das localidades atendidas é de difícil acesso, de forma que é imprescindível que todos os equipamentos estejam com a manutenção em dia para garantir a segurança integral de toda a equipe empregada”.

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A pedido do Estadão, a empresa Rubrica, especializada em monitoramento de gastos públicos, compilou as informações disponibilizadas pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siaf) do governo federal.

E embora o vice-presidente Hamilton Mourão alege que a operação militar não recebeu recursos e que, por isso, o governo quer aprovar um projeto de lei pedindo crédito extraordinário para a Verde Brasil 2, dados oficiais mostram orçamento aprovado, até a última semana, de R$ 8,622 milhões.

Há duas semanas, o Estado de S. Paulo revelou o desperdício de dinheiro público gerado pelo cancelamento de ações que permitiram a fuga de criminosos. Em campo no Pará, agentes do Ibama informaram ao jornal que o 51º Batalhão de Infantaria de Selva (51º BIS) do Exército “suspendeu o apoio às ações de desmontagem das serrarias do município de Uruará conforme programação das ações do GLO (Garantia da Lei e da Ordem) nesta região” por conta de falta de recursos.

Como confirma o próprio Ibama, a paralisação resultou não só em desperdício de recursos públicos – já que funcionários paralisados demandaram diárias de hotel e alimentação -, como também a possibilidade de madeireiras fugirem da fiscalização.

De acordo com o Ministério da Defesa, “até o presente momento, os recursos (R$ 60 milhões anunciados em maio por Bolsonaro para a Verde Brasil 2) ainda não foram repassados às Forças” e que, por isso, a pasta estaria “utilizando seus próprios recursos orçamentários, enquanto não há o repasse dos recursos específicos.” No entanto, segundo informações divulgadas pelo Estadão, a maior parte dos R$ 8,622 milhões destinados até agora para a Verde Brasil 2 são originários da emissão de títulos da dívida pública.

O jornal divulgou ainda que resultados da operação foram inflados com dados de outras ações não relacionadas ao Ministério da Defesa e realizadas até antes do início da Verde Brasil 2.


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