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Especialistas pedem redução do uso de pesticidas para salvar insetos

O relatório da organização Wildlife Trusts também pede a expansão de projetos como o aumento de flores nas margens das estradas e reintroduções de borboletas

Pixabay

O uso de pesticidas no Reino Unido deve ser reduzido pelo menos à metade para reverter o cenário de perda significativa da abundância de insetos e impulsionar o mundo natural que depende deles, de acordo com o relatório.

O estudo informa que os insetos são os “canários na mina de carvão” do mundo natural e que todos, incluindo o governo, as autoridades locais, comunidades e indivíduos, precisam se tornar defensores dos insetos.

O relatório da Wildlife Trusts apresenta exemplos já em andamento, de rodovias com margens ricas em flores e insetos à proibição do uso de pesticidas nos parques da cidade e a reintrodução de espécies de borboletas há muito tempo perdidas.

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O grupo está pedindo aos ministros que reduzam o uso de pesticidas pelo menos em 50% até 2030, coincidindo com a meta recentemente estabelecida pela União Europeia. A organização também quer que o setor agrícola do Reino Unido pós-Brexit apoie a conservação dos insetos e assegure que os acordos comerciais não enfraqueçam as medidas de proteção. Uma rede de áreas ricas em natureza, cobrindo 30% do Reino Unido – o dobro do nível atual -, também se faz necessária, afirma o relatório.

“Se nós acertarmos com os insetos, nós acertaremos com todo o resto”, disse o professor Dave Goulson, da Universidade de Sussex e principal autor do relatório. “Os insetos são os canários na mina de carvão: o seu colapso é um sinal de alarme que nós não devemos ignorar. Ações são necessárias de cada setor da sociedade.”

Craig Bennett, o chefe executivo da Wildlife Trusts, disse: “O papel vital que os insetos desempenham foi subestimado e tudo que depende deles está sofrendo, do porco-espinho ao rouxinol, de flores silvestres a pântanos. O projeto de lei da pasta da agricultura (atualmente em tramitação no parlamento) é uma oportunidade de ouro para estabelecer altos padrões legais.”

O Reino Unido criou um Plano Nacional de Ação para o Uso Sustentável de Pesticidas em 2013, cuja revisão já está vencida. O plano foi descrito como “lamentavelmente fraco” pela Rede de Ação de Pesticidas, por não estabelecer metas de redução.

A maior avaliação da abundância global de insetos até o momento, foi publicada em Abril e mostra uma queda de 25% nos últimos 30 anos, com quedas aceleradas na Europa que chocaram os cientistas.

A maior avaliação anterior fez os cientistas se alarmarem pelas “consequências catastróficas para a sobrevivência da humanidade” se as perdas de insetos não forem interrompidas. Análises recentes de alguns locais encontraram colapsos na quantidade de insetos, como 75% nas reservas naturais da Alemanha.

Grupos em todo o Reino Unido têm impulsionado as populações locais de insetos, incluindo o projeto On the Verge, em Stirling, que já trabalhou com mais de 100 escolas, conselhos locais, igrejas e casas de repouso para plantar novas áreas de flores silvestres nativas. Pesquisas mostram que os locais impactados pelo projeto apresentam 25 vezes mais flores e 50 vezes mais abelhas do que áreas adjacentes de grama que foram cortadas.

No bairro londrino de Lambeth, o projeto Incrível Comida Comestível (Incredible Edible food) sucedeu na campanha para o fim do uso de pesticidas. “Nossa paixão é a comida local, então insetos são muito importantes para nós”, afirmou Janie Bickersteth, presidente do grupo de Lambeth. “Lambeth concordou em acabar com o emprego de pesticidas até 2021 e já parou de usá-los em todos os parques.”

O Wildlife Trust de Kent e seus parceiros criaram 146 reservas naturais de beira de estrada e 13 “rotas das abelhas”, a qual eles chamam de rodovias de insetos e fornecem refúgio para os insetos. “A paisagem em Kent, como na maior parte do Reino Unido, tornou-se cada vez mais fragmentada. Porém, as nossas redes rodoviárias oferecem uma grande oportunidade para ajudar a resolver esse problema”, afirmou Rosie Bleet, guarda das rotas das abelhas.

Em Maio, a borboleta “argus”, de Manchester, voltou para Astley Moss na Grande Manchester pela primeira vez em mais de 100 anos. Essa borboleta já foi muito comum na região, mas devido à destruição de seus habitats, ela se tornou localmente extinta.

A agricultura amiga dos insetos também é destacada no relatório. Jack Kelly, que possui 90 acres de terras mistas em County Down, utilizou esquemas agro ambientais financiados pelo governo e trabalho voluntário para criar uma rede de habitats ricos em flores e sementes, com grandes sebes e pântanos. “Eu sempre acreditei que se você cuida da natureza, ela cuidará de você”, ele disse. “Com as populações de insetos desabando, devemos fazer tudo o que pudermos para reverter esse quadro.”


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