Pesca desenfreada

Cação-bico-de-cristal, vendido em “flocos” nas peixarias australianas, é listado como ameaçado

Espécie classificada como “dependente de conservação” sob leis nacionais também pode ser comercializada apesar de sua queda de 90

Ilustração | Pixabay
Ilustração | Pixabay

Um tubarão vendido rotineiramente em lojas de peixes australianas foi listado como criticamente em perigo por uma organização de conservação internacional, instigando ambientalistas a clamar por uma proteção mais forte para a espécie.

Enquanto isso, o governo possui um prazo para liberar um relatório interino para as leis ambientais nacionais da Austrália, a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade.

O tubarão cação-bico-de-cristal, o qual sua carne é vendida frequentemente como “flocos” – nome genérico para carne de tubarão – foi designado como criticamente ameaçado semana passada pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN).

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Na Austrália, a espécie foi listada em uma categoria especial conhecida como “dependente de conservação”, na qual permite que espécies ameaçadas continuem a ser comercializadas.

“É um equívoco em nossas leis nacionais que priorizam a exploração comercial e motores econômicos do que ambientais”, diz Leonardo Guida, cientista e porta-voz da Sociedade de Conservação Marinha da Austrália.

“Nós paramos de caçar baleias pelo mesmo motivo. Por que é diferente para o tubarão? Por que é diferente para um peixe? Não há motivos para um animal que possui um declínio de 90% nos tempos modernos continuar a ser caçado.”

O The Guardian australiano já reportou oito espécies, todos animais marinhos, que estavam listadas como dependentes de conservação, apesar de serem qualificadas para uma proteção mais forte sob a lei.

Entre as espécies estão incluídos o warehou azul e o tubarão cabeça de martelo, os quais a IUCN também registrou como criticamente ameaçados.

Sob as leis australianas, se for considerada a classificação correta que o tubarão é qualificado, ele seria classificado como uma “espécie proibida”.

O governo baniu a caça do cação-bico-de-cristal, mas sob sua listagem de dependente de conservação, ele pode ser legalmente pego como uma captura acessória, o que ocorre predominantemente em operações de pesca de tubarões gomoso na maior atividade pesqueira da Austrália, o Southern and Eastern Scalefish and Shark Fishery.

O cação-bico-de-cristal são encontrados globalmente em águas temperadas, incluindo na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Desde que foi declarado como sobrepesca em 1990, a população de cação-bico-de-cristal na Austrália caiu por volta de 10% de seu número original.

Mais cedo este ano, os países votaram para registrar o cação-bico-de-cristal no anexo da Convenção de Conservação de Espécies Migratórias (CMS) – um acordo internacional que busca construir uma cooperação entre os países para a conservação de espécies migratórias.

Por meio do voto, a Austrália foi o único país a se opor a listagem do cação-bico-de-cristal na convenção.

O departamento ambiental diz que o governo se opôs a decisão porque pesquisas indicaram que a população encontrada em águas australianas “não migra regularmente para fora de águas australianas, e por isso, não é compatível com a definição migratória da CMS.

Um porta-voz acrescentou que o processo usado pela IUCN para registrar espécies como criticamente ameaçadas difere do processo usado na Lei da Austrália EPBC.

“Uma diferença fundamental entre os dois processos é que a avaliação para Lista Vermelha da IUCN é global e pode ser fortemente influenciada por declínios populacionais fora das águas australianas.”

Ele adiciona que medidas rigorosas para a população de cação-bico-de-cristal já foram tomadas sob o registro como dependente de conservação.

Mas o comitê cientifico de espécies ameaçadas disse a revisão de leis ambientais da Austrália que a categoria dependente de conservação necessita de uma reforma urgente e que isso mascara o atual status de conservação de uma espécie.

O AMCS e outros grupos de conservação argumentam que a categoria deveria ser descartada e ser dada às espécies a proteção de que elas precisam.

O integrante da revisão, o ex líder da competição de cachorros de guarda Graeme Samuel, entregou seu relatório interino à ministra ambiental, Sussan Ley, duas semanas atrás.

Lawrence Chelbeck, um biólogo marinho da Humane Society International, diz que a listagem IUCN deveria solicitar ao governo a prosseguir com a reavaliação do cação-bico-de-cristal para maior proteção.

Ele diz que espécies listadas como dependentes de conservação não mostraram um nível de recuperação que uma espécie protegida nacionalmente deveria ter.

“Suspeitamos que o valor que o cação-bico-de-cristal possui como subproduto é a real razão para a atual posição do governo e não se ele é migratório ou não”, diz ele.

“Espécies ameaçadas deveriam ser protegidas da exploração comercial independentemente de seu valor.”


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