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Camundongos são modificados geneticamente para serem explorados em estudos sobre o coronavírus

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Camundongos são modificados geneticamente para serem explorados em estudos sobre o coronavírus
Reprodução/Revista Galileu/Imagem Ilustrativa
Reprodução/Revista Galileu/Imagem Ilustrativa

Camundongos foram modificados geneticamente para serem explorados em experimentos sobre o coronavírus. Enviados a laboratórios do mundo inteiro, os animais são tratados como se fossem objetos.

A alteração genética foi realizada pelo Jackson Laboratory, nos Estados Unidos. E é de lá que os camundongos saem para serem enviados a laboratórios de outros países, inclusive do Brasil, que aguarda a chegada de três casais de camundongos.

Os camundongos comumente explorados pela ciência não são suscetíveis ao vírus que causa a Covid-19 e, por isso, dificilmente adoecem quando expostos ao coronavírus. A intenção dos cientistas ao criar e espalhar pelo mundo camundongos geneticamente modificados é conseguir adoecê-los.

Suscetíveis ao vírus, os animais foram reproduzidos justamente para serem explorados nos testes sobre a doença. Condenados a viver em gaiolas, aprisionados, adoecidos, sofrendo as consequências do coronavírus, os camundongos nasceram apenas para serem mortos.

Ao saber da relação entre a exploração animal e o coronavírus – que surgiu em um mercado de venda de animais vivos e mortos na China -, modificar a genética de camundongos para explorá-los em experimentos se torna ainda mais cruel. Isso porque os humanos que deram origem ao vírus ao condenar animais ao sofrimento novamente submetem outros animais a situações terríveis em nome de uma suposta cura.

Embora seja mantido em sigilo o número de camundongos vendidos a laboratórios como se fossem mercadorias, estima-se que dezenas de milhares deles tenham sido condenados a esse destino cruel.

Para que sejam suscetíveis ao vírus, os camundongos receberam o gene humano para o receptor ECA2 (enzima conversora da angiotensina 2), que é o principal acesso do coronavírus às células humanas.

Enquanto não chegam ao Brasil, a Fiocruz Minas, que irá receber os animais advindos dos Estados Unidos, está explorando em testes os camundongos que já eram tradicionalmente alvo de outras pesquisas. Quando chegarem ao laboratório brasileiro, os animais geneticamente modificados receberão uma dose de vacina e, em seguida, será feita uma tentativa de infectá-los com o vírus para testar a eficácia da vacinação.

Esses animais devem chegar à Fiocruz Minas em setembro. No Brasil, eles serão reproduzidos para que uma nova colônia seja gerada e distribuída para outros laboratórios brasileiros, onde os camundongos sofrerão as terríveis consequências de terem nascido animais em um mundo em que a espécie humana se julga superior o suficiente para condenar as demais à exploração e ao sofrimento.

“A pesquisa científica com animais é uma falácia”, diz médico

Ao abordar os testes em animais realizados pela indústria farmacêutica, o médico norte-americano Ray Greek explicou porque a diferença entre os organismos de humanos e animais torna os experimentos ineficazes. Sem qualquer compromisso com a causa animal, o especialista luta contra a experimentação animal apenas em nome da evolução da ciência. Segundo ele, “a pesquisa científica com animais é uma falácia”.

“A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, explicou o médico, em entrevista à revista Veja.

“Deveríamos estar fazendo pesquisa baseada em humanos. E com isso eu quero dizer pesquisas baseadas em tecidos e genes humanos. É daí que os grandes avanços da medicina estão vindo. Por exemplo, o Projeto Genoma, que foi concluído há 10 anos, possibilitou que muitos pesquisadores descobrissem o que genes específicos no corpo humano fazem. E agora, existem cerca de 10 drogas que não são receitadas antes que se saiba o perfil genético do paciente. É assim que a medicina deveria ser praticada. Nesse momento, tratamos todos os seres humanos como se fossem idênticos, mas eles não são. Uma droga que poderia me matar pode te ajudar. Desse modo, as diferenças não são grandes apenas entre espécies, mas também entre os humanos. Então, a única maneira de termos um suprimento seguro e eficiente de remédios é testar as drogas e desenvolvê-las baseados na composição genética de indivíduos humanos. Para se ter uma ideia, a modelagem animal corresponde a apenas 1% de todos os testes e métodos que existem. Ou seja, ela é um pedaço insignificante do todo. O estudo dos genes humanos é uma alternativa. Quando fazemos isso, estamos olhando para grandes populações de pessoas. Por exemplo, você analisa 10.000 pessoas e 100 delas sofreram de ataque cardíaco. A partir daí analisamos as diferenças entre os genes dos dois grupos e é assim que você descobre quais genes estão ligados às doenças do coração. E isso está sendo feito, porém, não o bastante. Há também a pesquisa in vitro com tecido humano. Virtualmente tudo que sabemos sobre HIV aprendemos estudando tecido de pessoas que tiveram a doença e por meio de autópsias de pacientes. A modelagem computacional de doenças e drogas é outra saída. Se quisermos saber quais efeitos uma droga terá, podemos desenvolvê-la no computador e simular a interação com a célula”, completou.


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