Reviravolta

Após denunciar envenenamento de cães, dona de abrigo é indiciada por maus-tratos

Ao investigar a denúncia, feita pela dona do abrigo, de que os cachorros tinham sido envenenados, a polícia descobriu o envolvimento da mulher e de seu marido em crimes de maus-tratos contra os cães

Um dos cães resgatados do lar temporário (Foto: TV Globo / Divulgação)
Um dos cães resgatados do lar temporário (Foto: TV Globo / Divulgação)

A proprietária de um abrigo que servia de lar temporário para cachorros em Minas Gerais foi indiciada por maus-tratos. Em março, quando morreram 69 dos 74 cães mantidos no local, a mulher registrou um boletim de ocorrência denunciando o envenenamento dos animais. No entanto, uma reviravolta no caso levou ao seu indiciamento.

Na época das mortes, a Policia Civil iniciou uma investigação para apurar a denúncia de envenenamento e descobriu vários crimes de maus-tratos.

“O primeiro deles foi em relação ao transporte dos animais em um caminhão baú sem sistema de refrigeração ou ventilação, e sem a caixa de proteção. E ficaram dentro do caminhão por 1h30”, explicou ao G1 a delegada Sthefhany Martins.

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Os maus-tratos durante o transporte ocorreram no momento em que os cachorros foram levados da cidade de Contagem, onde ficava o antigo endereço do lar temporário, para o novo local, em Ribeirão das Neves. A dona do abrigo, segundo a polícia, teria recebido R$ 30 de cada tutor para transportar os animais.

“Como o caminhão não apareceu, ela usou um do tipo transporte de carga, que levaria a mobília da família”, revelou a delegada.

No início da viagem, o marido da mulher ficou dentro do baú. No entanto, cerca de 15 minutos depois, ele teve dificuldade para respirar e sentiu muito calor, tendo passado a viajar dentro da cabine por conta disso. Os cães foram mantidos no local, apesar das condições inadequadas.

A Polícia Civil informou que o homem teria sido alertado por pessoas que realizavam a mudança para que conferisse o estado de saúde dos cachorros durante o trajeto, mas negou a recomendação e pediu que não fossem feitas paradas até a chegada ao destino.

Ao final da viagem, os cachorros estavam debilitados. Alguns deles não resistiram e morreram durante o percurso. Quando constatou as mortes, a dona do abrigo acionou a polícia e denunciou o envenenamento. Ela disse ainda que passaria carvão ativado na boca dos animais para interromper a intoxicação causada pelo veneno. No entanto, exames periciais não encontraram resquícios do carvão, apenas de “chumbinho”, veneno com venda proibida por lei.

A mulher e seu marido foram indiciados pela Polícia Civil por maus-tratos a animais e crime de fraude processual. A dupla nega os crimes. Em entrevista ao G1, o advogado Thiago Guimarães Pedrosa, que representa o casal, afirmou que existem provas dos bons serviços prestados durante 15 anos por eles.

A delegada Sthefhany Martins informou que o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que pode solicitar que a dona do abrigo preste novo depoimento. Os cães que sobreviveram retornaram à guarda da mulher, que, por sua vez, os devolveu aos tutores.


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