Crime ambiental

Polícia investiga indícios de tráfico após resgatar 24 cobras e 3 tubarões no DF

As autoridades investigam possíveis maus-tratos impostos às cobras, encontradas "magras e com lesões nas escamas"

(Foto: Afonso Ferreira/G1)
(Foto: Afonso Ferreira/G1)

A Polícia Civil resgatou 24 cobras e 3 tubarões aprisionados em cativeiro no Distrito Federal e, desde então, passou a investigar indícios de tráfico de animais exóticos. Uma das cobras foi resgatada após picar o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Lehmkuhl.

Os tubarões foram encontrados dentro de aquários em uma chácara na Colônia Agrícola Samambaia, em Taguatinga. A ação de resgate contou com o apoio da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema). Sete serpentes, sendo cinco jiboias de Madagascar e duas Python da Birmânia, uma moreia e um lagarto teiú também foram encontrados no local. O tutor tinha autorização para criar apenas uma das jiboias e o teiú e, por isso, foi autuado por crime ambiental e será multado pelo Ibama. A suspeita da polícia é de que a casa pertença a um amigo de Pedro, o que representa indício de tráfico de animais.

A cobra que picou Pedro, e que deveria viver livre na natureza, onde é seu lugar, agora está vivendo no Zoológico de Brasília. A polícia investiga a possibilidade do estudante de medicina veterinária estar envolvido, assim como outras pessoas, em um esquema de tráfico internacional de animais e pesquisas clandestinas nas quais os animais eram explorados.

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O delegado Willian Ricardo, da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), que investiga o caso, falou sobre a possibilidade de existirem mais cobras exóticas – isso é, que não são nativas do Brasil. Ao jornal Correio Braziliense, ele explicou que “se a naja for proveniente de um cruzamento que aconteceu em território brasileiro, é muito provável que existam outras pelo país”.

“E isso é perigoso, já que as cobras não são da fauna local e podem causar um desequilíbrio ambiental se forem soltas na natureza”, completou.

Na sexta-feira (10), três colegas de Pedro prestaram depoimento à polícia. Dentre eles, o que ficou com a naja que picou o estudante e a abandonou perto do shopping Pier 21. O delegado informou que o rapaz ficou calado durante o interrogatório. “Há um grupo organizado de tráfico por trás disso, e que será esclarecido”, afirmou o delegado.

(Foto: PCDF/Divulgação)

Os jovens só poderão ser indiciados por algum crime ao final da investigação, que ainda irá buscar mais informações com outros alunos do grupo de estudos.

Outras 16 serpentes resgatadas na última quinta-feira no núcleo rural Taquara, em Planaltina, estavam em uma chácara de propriedade de um amigo de Pedro, segundo a polícia. O jovem disse aos policiais que os animais foram deixados perto de uma baia de cavalos por um colega.

“Acreditamos que a naja estava junto às outras e foi retirada de lá. Por se tratar de um aras, os répteis seriam mantidos no local para a produção de soro antiofídico. Os cavalos, quando são picados, produzem os anticorpos necessários para a produção do antídoto”, explicou o delegado. Essas serpentes também foram levadas ao zoo.

Ao resgatarem as serpentes, os militares encontraram duas caixas vazias, o que pode indicar que outra serpente da espécie naja poderia ter sido retirada de alguma delas antes da chegada das autoridades.

Cobras magras e com lesões

Após receber os animais, o Zoológico de Brasília informou que as cobras “estão magras e com lesões nas escamas”. A Polícia Civil acredita que elas também eram tuteladas por Pedro Henrique Santos Krambeck Lehm.

A gerente da clínica cirúrgica do Zoológico de Brasília, Fernanda Mergulhão, a equipe de medicina veterinária e de biologia se uniram para tratar os animais. Para isso, fizeram a coleta de sangue e a análise clínica e comportamental deles.

Pedro Henrique Lehmkuhl (Foto: Reprodução/Facebook)

Por conta das condições das serpentes, a polícia investiga possíveis maus-tratos. “Os animais provavelmente não viviam nas condições ideais para um réptil, com umidade adequada, com frequência de alimentação adequada, justamente, pela escore corporal desses animais”, disse a veterinária, em entrevista ao G1.

Segundo o zoológico, a naja que picou Pedro está bastante estressada e não saiu de sua caixa desde que chegou ao local. “Como não tem soro contra o veneno da serpente no Brasil, a orientação, por enquanto, é ninguém mexer”, explicou a veterinária.

Fernanda explicou que as 16 serpentes resgatadas no haras e a naja serão mantidas em quarentena por 20 dias “para certificar que elas não apresentam nenhuma doença que possa ser transmitida aos outros animais”.

As cobras, que foram impedidas de viver em liberdade na natureza por conta da ganância humana, devem permanecer no zoológico até que os órgãos ambientais definam seu destino.


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