Sob ameaça

Botos morrem e biólogos alertam para risco de extinção da espécie na Baía de Guanabara

Por ser um animal que está no topo da cadeia alimentar na Baía de Guanabara, a extinção local do boto-cinza pode provocar desequilíbrio ambiental

Maqua/UERJ/Reprodução
Maqua/UERJ/Reprodução

Duas fêmeas da espécie boto-cinza foram encontradas mortas recentemente na Baía de Guanabara. As mortes reacenderam um debate sobre a importância de preservar esses animais, que estampam o brasão da cidade do Rio de Janeiro, mas que pode desaparecer da Baía de Guanabara.

Até 1990, quase mil botos viviam na região. Hoje, são menos de 30. Uma das fêmeas mortas foi encontrada na última semana na Praia da Guanabara, na Ilha do Governador. Ao tomar conhecimento do caso, equipe do Instituto Baía Viva acionou o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), que funciona na UERJ.

“O fato é que a população de botos da Baía de Guanabara já é uma população muito reduzida. Então, a perda de um indivíduo já é um custo enorme para população e para o ecossistema”, explicou ao jornal Bom Dia Rio o oceanógrafo Rafael, do Maqua.

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Uma necrópsia realizada na última quinta-feira (2) pode apontar a causa da morte da fêmea. “Aqui esses botos, eles enfrentam uma sinergia de fatores poluidores, perturbadores, de maneira crônica. E algumas vezes até mesmo de maneira aguda elas causam efeitos maléficos para esses animais”, disse Rafael.

A outra fêmea foi encontrada morta no início de junho, nas proximidades da Ilha de Paquetá. As duas estavam em idade reprodutiva, o que aumenta a perda por suas mortes, já que elas poderiam ajudar a recompor a população da espécie na Baía de Guanabara.

Há pouco tempo, botos eram vistos com frequência na Ilha do Governador. Atualmente, porém, as aparições são mais raras, porque esses animais têm migrado para outros locais com menor interferência humana e poluição.

Por ser um animal que está no topo da cadeia alimentar na Baía de Guanabara, a extinção local do boto-cinza pode provocar desequilíbrio ambiental. O refúgio da espécie, que pertence à família dos golfinhos, é a Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim, no fundo da Baía.

Fêmea foi encontrada morta na Ilha do Governador — Foto: Reprodução/TV Globo

“Eles estão se refugiando num território onde tem uma menor presença da indústria petroleira e tráfico de navios rebocadores”, disse Sérgio Ricardo Potiguara, ecologista do Movimento Baía Viva.

“É uma área importantíssima para a Baía de Guanabara e importantíssima para esses botos, uma área que ainda tem características de preservação. Então, uma unidade de conservação bem estruturada, em atividade, é muito importante para esse ecossistema da Guanabara, não só para os botos, mas para todo ecossistema, para toda a baía”, disse Rafael.

O Bom Dia Rio entrou em contato com o Instituto Chico Mendes e não obteve retorno. A Prefeitura de Guapimirim, ao ser questionada pelo jornal, afirmou que acompanha ações e preservação ambiental na região, mas disse que a Área de Proteção Ambiental de Guapimirim é uma unidade federal.


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