Angústia vegana ou depressão?

Bruna Araujo
julho 7, 2020

Pixabay

Quando uma pessoa decide se tornar vegana, muitas vezes toma essa decisão em estado de choque, após assistir a documentários que mostram a triste e violenta realidade dos animais de agricultura.

Uma violência que logo o vegano percebe estar presente em todos os lugares: nos supermercados, com inúmeros alimentos de origem animal, nas farmácias, com medicações que realizam testes cruéis em animais, nas festas que participa, com churrascos. Esses estímulos, trazem a lembrança do sofrimento animal, o que reforça a angústia relacionada a este assunto.

Com isso, surge uma forte necessidade de falar sobre o veganismo com as outras pessoas, com o intuito de interromper a dor e o sofrimento destes animais. Mas na prática, descobrem que não é tão simples, pois a maioria das pessoas se mostra resistente a ouvir e/ou a mudar. Em determinados casos, chegam até mesmo a zombar ou proibir o assunto veganismo. Essas atitudes defensivas e de ataque, podem deixar a pessoa vegana desanimada, desesperada ou ressentida.

Alguns veganos se mantém na inércia, pois acreditam que não há nada que possa ser feito para modificar este cenário. Outros, passam a trabalhar incessantemente pela causa vegana, abdicando de sua vida pessoal e de momentos de lazer, tamanha a cobrança interna, e consequentemente podem, sim, acabar estafados e até diagnosticados com algum tipo de depressão.

A depressão se caracteriza como uma doença do cérebro que causa alterações no sono, na alimentação, humor irritado ou deprimido, incapacidade de sentir prazer em atividades que sentia antes, dentre outros sintomas que persistem com frequência. Somente um(a) profissional capacitado pode fazer este diagnóstico. Mas, mesmo um profissional orientado para isso, pode diagnosticar erroneamente uma depressão em veganos.

Naturalmente, o risco de depressão não deve ser descartado sem uma averiguação maior. Qualquer pessoa está sujeita a este adoecimento, porém, algumas estão mais propensas, devido a condições genéticas, e/ou outros fatores desencadeantes que vive ou viveu.

Mas é importante ressaltar que, um vegano que está angustiado com a realidade dos animais, não está necessariamente deprimido, mas apenas necessitando receber orientações e treinamentos e fazer ajustes para lidar com esta nova forma de vida. Pois se esta angústia e outros sintomas apenas se relacionam a este assunto, é algo mais pontual e não compromete a saúde mental como um todo.

Mas ainda que uma pessoa não receba nenhum diagnóstico psiquiátrico, pode estar com uma saúde mental ruim. É fundamental identificar e cuidar dessa aflição o quanto antes, porque um adoecimento nunca acontece da noite para o dia, e quanto mais tempo você leva para buscar ajuda, mais se sobrecarrega.

O recomendado é se prevenir, e adotar (múltiplos) fatores de proteção, pois a depressão -ou qualquer outro adoecimento-, não é de causa única, mas uma somatória de fatores.

Esses fatores de proteção compreendem a prática de atividades físicas com regularidade, a busca de autoconhecimento, a expressão e elaboração de emoções, meditação, alimentação balanceada, dentre outros.

Não podemos deixar de frisar que o despertar vegano se trata de um desafio, pois o mundo ainda não é vegano, é esperado que o vegano se sinta solitário e incompreendido.

E se o processo do veganismo é um desafio, você deve se preparar ainda mais. Além do que, todos nós podemos buscar melhorias para nossas saúdes.

Se priorize, se permita ter momentos agradáveis no seu dia-a-dia, aprenda a se tratar com gentileza, busque apoio, adquira técnicas para lidar com conflitos, novas habilidades sociais, assista a filmes, leia livros que te distraiam ou te edifiquem. Estude sobre o sistema do carnismo, busque compreender mais profundamente o comportamento humano, isso irá te ajudar a abordar assuntos mais desafiadores como o veganismo.

Quanto mais investir em você, mais irá expandir a sua mentalidade e a sua compaixão, e terá um discurso mais atraente pois não se deixará levar por julgamentos automáticos da mente, podendo se tornar uma pessoa mais segura e influente.

E lembre-se que por mais que o cenário atual esteja longe do ideal, já existem muitas coisas positivas acontecendo, o veganismo é o movimento de justiça social que mais cresce rapidamente no mundo. Mas você só será capaz de enxergar isso, quando deixar de focar no negativo, e se engajar no que pode dar certo.

E não se engane, se esquivar dessa situação não é uma boa opção. Se um vegano deixa de contribuir para o veganismo, pode sentir mais insatisfação, enquanto que se escolhe falar de veganismo, -ainda que não obtenha resultados-, pode sentir alívio emocional, e ainda ajuda a reforçar a mensagem sobre a necessidade do veganismo, especialmente para o mundo de hoje. Porém, não se limite a ter um discurso eloquente, é importante se tornar o exemplo vivo de que, embora você tenha se tornado vegano, internamente você continua sendo a mesma pessoa, mas a sua vida, está melhor.


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