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O primeiro peixe marinho moderno foi oficialmente extinto

O smooth handfish (Sympterichthys unipennis), uma espécie incomum que pode “andar” com as suas barbatanas peitorais e pélvicas, e é o primeiro peixe marinho ósseo a ser extinto nos tempos modernos, provavelmente por causa da perda de habitat e das práticas destrutivas de pesca.

Houve apenas uma única espécie de smooth handfish conhecida pelos cientistas, a qual se tornou o holótipo para toda a espécie.

As outras 13 espécies de handfish estão ameaçadas de extinção por conta da perda de habitat, poluição, práticas destrutivas de pesca, e outras causas antrópicas, e os conservacionistas estão intensificando esforços para protegê-los.

Apenas quatro espécies de handfish foram vistas nos últimos 20 anos, e isso criou sérias preocupações para a futura sobrevivência delas.

Ilustração

Existe apenas uma foto do smooth handfish: uma imagem de uma espécie murcha e amarelada, com escamas peitorais que se estendem como braços e uma crista triangular ligada ao topo da cabeça. Em algum momento entre 1800 e 1804, o zoologista francês François Péron tirou esse peixe do oceano enquanto viajava pela Austrália, presumivelmente nas rasas águas costeiras do Sul da Tasmânia.

Desde então, nenhum outro smooth handfish (Sympterichthys unipennis) foi encontrado,e o peixe que Péron coletou se transformou no holótipo para a espécie inteira. Em março de 2020, a União Internacional para Conservação da Natureza declarou oficialmente a espécie extinta.

A perda dessa espécie pode parecer insignificante, especialmente desde que ela não é vista por cerca de 200 anos, mas é um evento digno de nota: o smooth handfish é o primeiro peixe marinho, peixe ósseo, a ser extinto nos tempos modernos. Enquanto pode ser argumentado que o Grayling da Nova Zelândia (Prototroctes oxyrhynchus) foi na verdade o primeiro peixe oceânico a sumir completamente, o Grayling era migratório e era gerado em água doce, então não era exclusivamente um peixe marinho.

Jessica Meeuwig, uma professora na Universidade da Austrália Ocidental e diretora do Centro pelos Futuros Marinhos da universidade, disse a Mongabay que o smooth handfish provavelmente desapareceu por causa da perda de habitat e pelas práticas destrutivas de pesca, como o arrasto de vieiras, e que a extinção da espécie é um “indicativo de problemas amplos na forma em que nós continuamos a gerenciar nossos oceanos”.

“Alguns clamam que o oceano é muito vasto para a vida marinha se tornar extinta”, Meeuwig disse em um e-mail. “Mas a industrialização do oceano na pesca, na mineração, na exploração de gás e óleo, no transporte e no desenvolvimento está acompanhando a escala de industrialização da terra e, com isso, o risco de extinção da vida selvagem marinha”.

Existem 13 outras espécies de handfish que ainda vivem em águas Australianas. Enquanto eles vêm em diferentes formas e tamanhos, os handfish são caracterizados por suas habilidades de “andar” no solo marinho com suas escamas peitorais e pélvicas. Eles não têm bexigas de natação para ajudá-los a controlar sua flutuabilidade, então andar é sua forma preferida de transporte. Handfish também têm extravagantes anis estrelados – parecidos com antenas – crescendo no topo de suas cabeças para ajudá-los a atrair presas.

Mas esses peixes ambulatórios com aparências estranhas estão ameaçados de extinção por causa da perda de habitat, práticas destrutivas de pesca, e predação por espécie invasivas, como as estrelas-do-mar do Norte do Pacífico (Asterias amurensis). Quatro espécies de handfish são consideradas em perigo, incluindo o handfish cacatua (Pezichthys amplispinus), o handfish rosa (Brachiopsilus dianthus), e o handfish de Moulton (Sympterichthys moultoni). Três outros estão criticamente ameaçados: o spotted handfish (Brachionichthys hirsutus), o handfish vermelho (Thymichthys politus), e o handfish de Ziebell (Brachiopsilus ziebelli). Existe uma insuficiência de dados no resto das espécies de handfish para acessar verdadeiramente seu status de conservação.

Apenas quatro das 13 espécies de handfish foram encontradas nos últimos 20 anos, de acordo com Jemina Stuart-Smith, uma pesquisadora do Instituto pelos Estudos da Marinha e da Antártica e uma gerente do Projeto de Conservação do Handfish. Ela disse a Mongabay que isso cria graves preocupações sobre a sobrevivência da espécie. Uma espécie perdida é a criticamente ameaçada handfish de Ziebell, que vive nos recifes rochosos da Península de Tansman. Não é vista desde 2007, e o time do Projeto de Conservação do Handfish está incentivando o público a reportar quaisquer possíveis avistamentos durante os últimos cinco anos.

“Esforços de pesquisa ao redor da Tasmânia como parte de um monitoramento marinho maior têm resultado em mais de 7653 pesquisas subaquáticas desde o início da década de 1990 no habitat do handfish vermelho e de Ziebell”, Stuart-Smith disse em um e-mail. “Nenhum [handfish de Ziebell] foi observado em locais adicionais dessas pesquisas”.

Enquanto o handfish de Ziebell está sumido, conservacionistas estão atualmente usando um número de técnicas para tentar proteger os outros handfish criticamente ameaçados, o vermelho e o spotted. Isso inclui restauração e gerenciamento de habitat, campanhas de conscientização pública, e a consideração de iniciar um programa de criação em cativeiro, conforme Stuart-Smith. Cientistas estão também tentando aprender o máximo que podem sobre a espécie para informar esses esforços de conservação.

“Eu acho que pessoas deveriam estar preocupadas com a extinção de qualquer espécie, especialmente aquelas que os humanos provavelmente causaram”, disse Stuart-Smith. “Não sabemos o suficiente sobre os handfish para saber qual o seu papel ecológico é [e se sua extinção] vai impactar os ecossistemas em que eles fazem parte, ou se isso [as causas subjacentes] vai levar a outras extinções. O smooth handfish foi extinto antes que tivéssemos uma chance de estudá-los”.

“Enquanto muitos não têm ouvido sobre o handfish, ele é o emblema da necessidade de protegermos efetivamente a biodiversidade marinha”, Meeuwig disse. “Enquanto o smooth handfish está agora permanentemente perdido para nós, a colocação de 30% dos oceanos em parques marinhos altamente protegidos, seguros da exploração, como recomendado por muitos da comunidade científica (…) vai ajudar a garantir que outras vidas selvagens marinhas não sigam o destino do smooth handfish – com o benefício adicional da construção de um oceano resiliente em face às mudanças climáticas”.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

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