Desmatamento está ligado ao aumento nos casos de malária, revela estudo


Foto: Bruno Kelly/Reuters

Um estudo realizado por pesquisadores da FSP-USP (Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo) e publicado recentemente na renomada Revista Nature provou, mais uma vez, a relação entre o desmatamento e o surgimento de doenças. O alerta já foi feito, inclusive, pela OMS e pela ONU.

Os pesquisadores mostraram a relação entre o desmatamento e o aumento nos casos de malária e apontaram a responsabilidade de países que adquirem commodities como madeira, café e tabaco, que causam destruição ambiental. As áreas desmatadas para esse fim são responsáveis por 20% do risco de surgimento da doença, segundo o estudo, realizado entre 2010 e 2020.

“Diversas perturbações ambientais, como o desmatamento e a instalação de pessoas nessas áreas criam o habitat ideal para o mosquito”, afirmou à Agência Einstein o doutor em Ciências pela FSP-USP Leonardo Suveges, um dos autores do estudo.

A pesquisa foi baseada em dados da Universidade de Sydney, na Austrália, obtidos sob a condução de Manfred Lenzen, professor de Análise Integrada de Sustentabilidade, que cruzou, com sua equipe, dados das rotas comerciais dos mais importantes fornecedores de commodities, taxas de desmatamento e índices da enfermidade.

O estudo é o primeiro a relacionar a compra de commodities, feita por países desenvolvidos, com o aumento dos casos de malária. Um risco de 10% no aparecimento de novos casos da doença por conta do desmatamento é, segundo os cientistas, de responsabilidade dos seguintes países: Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, China, Itália, França, Espanha, Bélgica e Países Baixos. A situação coloca 10 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente na África Subsaariana.

A Nigéria está entre os países mais afetados, com 6 milhões de casos da doença ligados ao desmatamento em 2015, além da Tanzânia, onde 5,6 milhões de pessoas foram infectadas por conta da proximidade de seus lares com as áreas devastadas.

Reprodução/ Portal Drauzio Varella/UOL

A China é a nação mais rica a contribuir com o aumento da malária em 2015, tendo sido responsabilizada por 1,7 milhão de casos. Em segundo lugar está a Alemanha, com 1,5 milhão, e depois o Japão, com 986 mil.

No Brasil, mais de mil casos foram registrados no primeiro trimestre de 2020 em seis do sete estados amazônicos. Cada quilômetro desmatado na Amazônia é responsável pelo surgimento de seis novos casos da doença, segundo pesquisa da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

Outras doenças, como a leishmaniose e a febre amarela, também estão ligadas ao desmatamento. Além disso, a monocultura, a pecuária e a mineração facilitam o surgimento de novas doenças infecciosas e epidêmicas, segundo estudo feito para a elaboração do Relatório de Biodiversidade das Organizações das Nações Unidas (ONU) de 2018. A conclusão chegada pela ONU foi estabelecida após análise de 15 mil pesquisas sobre o tema.


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