Tunísia

Tartarugas-marinhas sobrevivem à pesca e às mudanças climáticas

Apesar do perigo imposto por acessórios de pesca, oceanos aquecidos e poluição plástica, tartarugas-comuns na Ilha Kuriat estão ressurgindo

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Anos de esforços de conservação marinha pelo Mediterrâneo estão começando a dar resultado na Tunísia, com ativistas prevendo um aumento ainda maior no número de tartarugas-marinhas visitando as praias do país para criar seus ninhos este ano.

É uma vitória improvável, porém tênue. Muitos dos fatores que colocaram as tartarugas-marinhas em vias de extinção continuam presentes e a ameaçar a sobrevivência da espécie.

Porém, ativistas em monitoramento de ninhos de tartarugas-marinhas na Ilha Kuriat, um local essencial para a reprodução, reportaram um aumento de ninhos de 11, desde o início do monitoramento em 1997, para mais de 40 anualmente.

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“Tartarugas marinhas são o que chamamos de espécie-chave”, diz Jamel Jrijer, gestor de projetos marinhos nos escritórios da WWF em Túnis, capital do país. “Isto quer dizer, elas exercem um papel crucial em fazer com que o ambiente marinho seja o que é.”

Das três espécies de tartaruga marinha – a tartaruga-verde, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-comum – que podem ser encontradas em águas tunisianas, somente a tartaruga-comum faz ninhos no local.

Elas põem ovos em apenas um pequeno número de locais, com a Ilha Kuriat, próxima a Monastir, um destino popular entre viajantes matinais, sendo o mais importante.

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A pesca excessiva – que geralmente faz com que as tartarugas sejam pegas em cordas ou redes – além da sujeira depositada pelo centro industrial de Gabe’s (estimada em aproximadamente 13,000 toneladas de fosfato diariamente) combinaram-se com plástico e outros detritos para pôr em risco a população de tartarugas-comuns em risco.

Agravando a situação estão a ameaça do aquecimento global e uma tradição cultural que valoriza a carne das tartarugas como fonte de medicamento tradicional sobre suas contribuições para com a vida do mar.

No entanto, ONGs, tanto quanto o governo tunisiano, proveram proteções para os ninhos no Kuriat desde 1997, estabelecendo o Centro de Resgate de Tartarugas Marinhas no Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Marinhas em Monastir em 2004.

O biólogo marinho Imed Jribi, falando de sua residência na cidade costeira de Chebba, esteve otimista ao discutir seu trabalho em Kuriat. “Quando comecei a trabalhar aqui em 1997 haviam apenas 11 ninhos”, diz. “Agora estamos vendo entre 40 e 45 ninhos todo ano.”

Entretanto, o turismo ainda traz grandes problemas. “Nós temos muita gente visitando Kuriat”, diz Jribi. “Precisamos de grupos menores, que nos permitirão maior coordenação e proteção sobre as áreas com ninhos de tartarugas”, diz. Outros problemas podem surgir, explica, como por exemplo os filhotes em Chebba, cujo instinto de transitar pelo mar à lua é subvertido pelas cafeterias e luzes na estrada, que atraem os filhotes para ruas letais.

Tartarugas-comuns retornam esporadicamente às praias tunisianas, às vezes deixando um intervalo de dois a três anos entre as visitas. Uma vez nas praias, a tartaruga fêmea montará três ou quatro ninhos, cada um no qual – se deixados como estiverem – ela deixará de 80 a 120 ovos.

Porém, apesar da quantidade, as chances de sobrevivência das tartaruguinhas já é baixa. Pequenas, vulneráveis e com cascos quase não formados, apenas uma pequena fração destas nascidas nas praias da Tunísia chegará à maturidade sexual.

Se a ressurgência nos ninhos da Tunísia for uma histórica de sucesso, é uma de qualificação. Tartarugas presas em redes de pesca e cordas ainda são clandestinamente vendidas por sua carne em alguns mercados de pesca na costa tunisiana.

Enquanto a maioria concorda que esta prática ilegal está diminuindo, é impossível dizer exatamente o quanto. Porém, o crescente número de tartarugas sendo levadas para o Centro de Resgate de Tartarugas Marinhas por pescadores e o público geral já é motivo de esperança.

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“A maioria das tartarugas que vemos foram feridas pelo contato com equipamento de pesca”, diz a bióloga-chefe Olfa Chaieb. Os arrastões [que varrem o fundo do mar] causam dano em particular, destruindo as ervas marinhas de posidonia, que são uma importante fonte de alimento para as tartarugas-marinhas, assim como um habitat para outras formas de vida marinha. Devido à dependência de ar das tartarugas, elas podem se afogar quando presas em redes debaixo d’água.”

Outra causa de preocupação é o plástico descartado; tartarugas-marinhas comumente pensam que sacolas de plástico flutuante são águas-vivas, uma de suas dietas mais importantes. “Aproximadamente 50% das tartarugas que vemos têm plástico em seus organismos. Isto não inclui os microplásticos que não podemos detectar”, diz Chaieb.

Dados os obstáculos, includindo o aumento da temperatura do mar afetando o sexo das tartarugas (mais fêmeas nascem quanto mais quente estiver), o aumento do número de tartarugas é extraordinário.

Conforme a Tunísia gradualmente emerge da quarentena, turistas locais estão retornando às praias vazias, assim como as tartarugas revisitam seus locais de origem. Ambos enfrentaram tempos difíceis. Ambos torcem por um futuro de esperança.


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