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O direito de ir e vir dos animais domésticos em voos

No México, 200 italianos que estavam no país desde o fechamento das fronteiras por causa da pandemia, tiveram que escolher entre embarcar de volta para casa, mas sem os seus animais de estimação.

Pixabay
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Uma história assustadora, mas com um final feliz. Nas últimas semanas, com o relaxamento das restrições que se iniciaram com a pandemia, 200 cidadãos italianos que antes estavam presos em Cancún, no México por conta do coronavírus, se viram ainda impossibilitados de deixar o país depois que seus animais domésticos foram proibidos de ir à bordo dos aviões de duas companhias aéreas italianas, Blue Panorama e Neos.

Ironicamente, o grupo do Facebook Italianos no México denunciou que o governo italiano não se envolveria no plano de levar os cidadãos e os animais de volta ao país, eles disseram que deixariam a decisão nas mãos da companhia Blue Panorama. O principal ponto de comunicação entre os cidadãos e os políticos era o Animalisti Italiani (Animalistas Italianos) – uma ONG italiana. Animalisti Italiani é uma organização que trabalha ativamente na proteção de todos os tipos de animais em todo o território, com eventos, campanhas de consciência e também, como nesse caso, reforçando o direito dos animais e dos seus donos em viajar de volta à Itália.

Patrizia Prestipino, do partido de esquerda – Partido Democrático (PD), reportou ao Ministério de Relacionamentos Internacionais, conhecido como Farnesina, a necessidade de ajudar esses italianos. Ela também pediu para o Ministro de Transportes, Salvatore Margiotta, intervir de alguma maneira na volta desses cidadãos. Prestipino inicialmente declarou que a proibição de levar os animais a bordo era “inaceitável” e que seria o mesmo do que deixar um membro familiar para trás. Ela ainda afirmou que em Roma muitos abrigos de animais estavam vazios durante a pandemia porque todos os animais tinham sido adotados. “Cachorros e gatos são terapêuticos”, ela declarou.

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Respeite os animais pela sua existência, não pelo seu uso

Eu acredito que não deveria ser necessário provar que animais domésticos são necessários para os humanos. Já vem sendo altamente demonstrado que os animais contribuem positivamente no crescimento e no desenvolvimento de uma pessoa, tanto no emocional quanto no psicológico. Porém, a vida e o bem-estar de um animal deveriam ser respeitados além dessas atribuições. E ponto. A existência e o respeito por eles não precisam ser “justificados.”

A gente também não deveria precisar de uma lei que nos diga que um ser vivo precisa ser protegido.

Uma pesquisa da Amazon que envolveu 1500 italianos levantou que 71% dos entrevistados consideram o seu animal de estimação como um membro da família. Dois em cada três entrevistados celebram o aniversário de seus animais e muitos estão abertos a evitar uma viagem e lidar com alergias causadas por seus animais.

De acordo com a Associação Nacional de Negócios para Alimentação e Cuidado de Animais de Estimação (ASSALCO), é estimado que os italianos tutelam cerca de 60 milhões de animais. Ou seja, um em cada três italianos tutela um animal doméstico em sua casa. Os dados incluem outros animais além de gatos e cachorros, como peixes, pequenos mamíferos, cobras e pássaros.

Companhias aéreas e tutores “difíceis”

Quando falamos em companhias aéreas o debate se divide em dois: as regras do país de origem e também do país de destino, e a liberdade da companhia em escolher quais regras seguir. A União Europeia possui regras específicas para voos não comerciais com o objetivo de evitar o contágio do vírus e proteger os animais. No caso dos italianos no México, as companhias deveriam ter permitido os animais à bordo sem nenhum tipo de questionamento.

Nós admitimos que em condições normais, as companhias aéreas ficam em uma situação difícil. Passageiros com alergias, regulamentações e leis, pessoas – como nos Estados Unidos, mentindo sobre seus animais e dizendo que um pavão era um animal doméstico para suporte emocional – causando problemas à bordo, ou até mesmo cachorros morrendo porque foram colocados em lugares errados ou em voos errados. Erros são cometidos por ambos os lados: companhias aéreas e donos.

Animais, especialmente em casos de resgate, deveriam poder viajar de forma segura. E os tutores que abusam do direito do “suporte emocional” de um animal, tiram essa vantagem daqueles que realmente precisam do animal à bordo como medida terapêutica.

A culpa é de todo mundo: quem está garantindo que estamos todos seguros, incluindo nossos animais?

Agatha Christie nos ensinou em seu livro O Assassinato no Expresso Oriente que, quando aparentemente não se tem um único culpado, a culpa acaba sendo de todo mundo. Esse assunto é uma outra demonstração de que a ignorância é ainda muito difícil de eliminar, assim como egoísmo. Nós forçamos os nossos animais a ficar em espaços pequenos em voos longos. Muitos deles assustados e em cabines onde os motores da aeronave são altíssimos. Eu considero isso um ato de egoísmo.

Pode soar arrogante, mas se alguém pode pagar por uma viagem a passeio, eu tenho certeza que eles podem pagar por um espaço confortável onde os seus animais possam viajar em segurança. Em muitos casos, principalmente com cachorros, eles interagem com o ambiente em que estão e gostam de brincar. Nós somos responsáveis por um ser que não conseguem comunicar o que eles querem, então precisamos aprender a entender suas necessidades.

Quando um cachorro é colocado no compartimento de bagagem e depois descobrem que ele morreu sufocado, eu não tenho certeza de quem é a culpa: a companhia aérea ou o tutor do animal, ou então os dois.

Responsabilidade tem um custo. Seja responsável por suas ações e também por aqueles que estão sob o seu cuidado. Permita que os italianos voem de volta para a Itália com seus animais, que têm direitos – não vamos esquecer disso. Enquanto as companhias aéreas deveriam garantir que elas tenham regulamentações suficientes para proteger os animais que voam e também se proteger contra os donos irresponsáveis.


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