Crime ambiental

Estudos apontam aumento de desmatamento com o governo Bolsonaro

Pesquisa publicada após vídeo apresentar Ministro do Meio Ambiente pedindo flexibilização de leis ambientais enquanto público se distrai com Covid-19

Pixabay

Dois estudos alarmam sobre o aumento do desmatamento no Brasil durante o primeiro ano do governo do presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro.

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Um dos estudos mostra que o país perdeu cerca de 12.000 km² de floresta no último ano e também revelou informações importantes por trás do desmatamento. A outra pesquisa sinalizou o aumento de 27% na destruição de florestas tropicais no leste do Brasil.

Ambos os estudos foram divulgados dias após a revelação em vídeo de que o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, havia defendido que o governo utilizasse a crise do coronavírus para enfraquecer ainda mais as leis ambientais no país, que são cada vez mais frágeis.

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Os desmatamentos e queimadas na Amazônia aumentaram exponencialmente desde a posse de Bolsonaro em janeiro de 2019, o qual prometeu acabar com a “indústria de multas” das agências ambientais e desenvolver a floresta.

“Precisamos fazer um esforço enquanto estamos neste momento calmo em termos de cobertura da imprensa, porque eles estão apenas falando sobre a Covid-19, pressionando e mudando todas as regras e simplificando as normas”, disse Salles em uma reunião ministerial em abril.

O vídeo da reunião foi revelado no dia 22 de maio e mostra o ministro utilizando expressão “passar a boiada” para se referir a mudanças de regras e simplificação de normas. Ambientalistas já alarmavam sobre o que o governo Bolsonaro estava fazendo.

“A posição do governo é enfraquecer as políticas e isso aumenta o desmatamento”, disse Mariana Mota, especialista em Políticas Públicas do Greenpeace Brasil. “Os números não mentem”.

O primeiro estudo anual feito pela MapBiomas – união entre ONGs, universidades e empresas de tecnologias – confirmou alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com imagens de alta resolução.

O estudo apresentou 7.700km² de desmatamento na Amazônia. Mais de três quartos ocorreram em terras registradas por meio de um sistema de auto-registro que os agricultores brasileiros usam para reivindicar a propriedade – e 99% do desmatamento era ilegal, segundo a MapBiomas.

O governo Bolsonaro está tentando aprovar uma lei que permitiria que os agricultores que haviam ocupado as reservas protegidas reivindicassem por um título legal das terras, os ambientalistas chamam de lei dos “grileiros”.

O vice-presidente do Brasil, General Hamilton Mourão, lidera o “Conselho da Amazônia” e uma operação ambiental com milhares de soldados cuja eficácia foi questionada pela mídia brasileira. No dia 15 de maio ele disse que a lei ajudaria o governo a combater o desmatamento.

“[Se] nós não soubermos quem é o dono da terra, não poderemos levar [ninguém] para a justiça, disse Mourão. Uma votação da lei foi adiada semana passada em meio a indignação com os comentários de Salles.

O estudo do MapBiomas mostra que o Brasil sabe quem são os responsáveis pelo desmatamento. A questão não é encontrar os acusados, é que multas são frequentemente ignoradas. Um estudo realizado pelo Human Rights Watch apresenta que as multas estão suspensas desde outubro, após a introdução de novos procedimentos feitos pelo governo Bolsonaro.

A Fundação SOS Mata Atlântica também divulgou números que mostraram um aumento de 27% na destruição de florestas tropicais em 17 estados do leste do Brasil de outubro de 2018 a outubro de 2019 depois de dois anos de queda nos números de desmatamento. O estudo mostrou que cerca de 145km² foram tirados da região.


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1 COMENTÁRIO

  1. Os militares, como o vice-presidente da República, deveriam ser patriotas de verdade e proteger uma verdadeira riqueza brasileira, que é a Floresta Amazônica. A ação de grileiros é criminosa e seguir a linha bolsonarista de devastação ambiental é, na verdade, compactuar com o crime organizado.

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