Direitos animais

Colômbia aprova projeto de lei que proíbe testes em animais para cosméticos

A proposta prevê multas que variam de 133 a 50 mil salários mínimos para punir quem submeter animais a testes para cosméticos

Foto: Reuters/Stringer
Foto: Reuters/Stringer

O Senado da Colômbia aprovou por unanimidade um projeto de lei que proíbe a exploração de animais em testes para cosméticos.

Um dos coautores da medida, o senador da Mudança Radical, Richar Aguilar, afirmou ao jornal El País que “somos o primeiro país da região que proíbe a experimentação para fins cosméticos em animais e esse projeto surge em um projeto crucial para a humanidade, no qual o planeta está nos dando a possibilidade de mudar e respeitar qualquer tipo de vida”.

Segundo ele, cerca de 12 milhões de animais são explorados em experimentos para fabricação de produtos cosméticos. “Ao entrar em vigor, a lei proíbe na Colômbia a experimentação, fabricação, importação, exportação e comercialização de qualquer produto proibido que tenha sido testado em animais”, completou.

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O parlamentar Juan Carlos Losada, que também é coautor do projeto, disse que trata-se de “um projeto que contribui para a vida e defende os direitos dos animais. Na definição do projeto estão incluídos todos os animais, os domésticos, os selvagens, os animais em perigo de extinção, todos eles”.

Com a aprovação, o projeto de lei segue para análise do presidente Iván Duque. Jornais locais afirmaram que ele deve sancionar a medida.

Caso se torne lei, a proposta irá punir com multas que variam de de 133 a 50 mil salários mínimos aqueles que submeterem animais a testes para fabricação de cosméticos.

Experimentos feitos pela indústria farmacêutica não são afetados pelo projeto. Desta forma, independentemente da medida, milhões de animais continuarão sendo submetidos a testes de medicamentos que, além de extremamente cruéis, são ineficazes, conforme explicou o médico norte-americano Ray Greek.

Em entrevista à revista Veja, Greek afirmou que “a pesquisa científica com animais é uma falácia”. O médico, que não milita em prol da causa animal, deixa claro que seu posicionamento contra os experimentos que envolvem animais se deve à ineficácia dos estudos.

“A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, disse o médico.

De acordo com o especialista, a medicina estaria “no mesmo lugar em que ela está hoje” sem os testes em animais. “Deveríamos estar fazendo pesquisa baseada em humanos. E com isso eu quero dizer pesquisas baseadas em tecidos e genes humanos. É daí que os grandes avanços da medicina estão vindo. Por exemplo, o Projeto Genoma, que foi concluído há 10 anos, possibilitou que muitos pesquisadores descobrissem o que genes específicos no corpo humano fazem. E agora, existem cerca de 10 drogas que não são receitadas antes que se saiba o perfil genético do paciente. É assim que a medicina deveria ser praticada”, disse.

“Nesse momento, tratamos todos os seres humanos como se fossem idênticos, mas eles não são. Uma droga que poderia me matar pode te ajudar. Desse modo, as diferenças não são grandes apenas entre espécies, mas também entre os humanos. Então, a única maneira de termos um suprimento seguro e eficiente de remédios é testar as drogas e desenvolvê-las baseados na composição genética de indivíduos humanos. Para se ter uma ideia, a modelagem animal corresponde a apenas 1% de todos os testes e métodos que existem. Ou seja, ela é um pedaço insignificante do todo. O estudo dos genes humanos é uma alternativa. Quando fazemos isso, estamos olhando para grandes populações de pessoas. Por exemplo, você analisa 10.000 pessoas e 100 delas sofreram de ataque cardíaco. A partir daí analisamos as diferenças entre os genes dos dois grupos e é assim que você descobre quais genes estão ligados às doenças do coração. E isso está sendo feito, porém, não o bastante. Há também a pesquisa in vitro com tecido humano. Virtualmente tudo que sabemos sobre HIV aprendemos estudando tecido de pessoas que tiveram a doença e por meio de autópsias de pacientes. A modelagem computacional de doenças e drogas é outra saída. Se quisermos saber quais efeitos uma droga terá, podemos desenvolvê-la no computador e simular a interação com a célula”, completou.


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