Devastação

A cada seis segundos uma área da floresta tropical do tamanho de um campo de futebol é perdida

Relatório também alerta que a Austrália passará por períodos mais extremos de incêndio devido à crise climática.

Pixabay
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A quantidade da floresta tropical intocada que foi perdida em todo o mundo aumentou no ano passado, pois o equivalente a um campo de futebol desaparecia a cada seis segundos, conforme análise por satélite.

Quase 12 milhões de hectares de cobertura de árvores foram perdidos nos trópicos, incluindo quase 4 milhões de hectares da floresta tropical densa e antiga, que possuía reservas significativas de carbono e abrigava uma grande variedade de vida selvagem, segundo dados da Universidade de Maryland.

Além dos trópicos, os devastadores incêndios florestais da Austrália levaram a seis vezes mais perda da cobertura de árvores em todo o continente em 2019 se comparado com o ano anterior. Rod Taylor, do World Resources Institute, parte da rede Global Forest Watch que divulgou a análise, disse que, como os incêndios sem precedentes continuaram em 2020, este foi apenas um quadro parcial da área afetada na temporada de incêndio do sul.

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Enquanto as árvores de eucalipto da Austrália são geralmente bem adaptadas para responder ao fogo, Taylor disse que as chamas deste ano queimaram mais intensamente, após uma seca severa e se espalharam rapidamente devido aos ventos fortes. Os incêndios mataram 33 pessoas diretamente, mais cerca de 440 por inalação de fumaça e centenas de milhões de animais.

“Enquanto um incêndio normal pode queimar a casca de uma árvore, o fogo deste ano transformou muitas árvores em paus de carvão”, disse Taylor. “A Austrália pode esperar temporadas mais extremas de incêndio, à medida que o risco dos mesmos aumenta devido às mudanças climáticas.” A perda de árvores nos trópicos foi a terceira pior registrada desde que os dados foram coletados pela primeira vez em 2002, ficando atrás apenas de 2016 e 2017.

A maior redução continua sendo no Brasil, responsável por mais de um terço de toda a perda de floresta tropical úmida. Dados do governo mostram que o desmatamento para agricultura e outros novos usos da terra aumentou rapidamente na Amazônia brasileira no ano passado.

O maior aumento na perda de florestas foi na Bolívia, onde os incêndios levaram a uma redução 80% maior na cobertura de árvores do que em qualquer ano registrado anteriormente. O instituto disse que muitos dos incêndios provavelmente foram deliberadamente acesos para limpar as terras agrícolas para plantio e espalhou-se nas florestas devido aos ventos fortes e à seca exacerbada causada pela crise climática. Isso se dá em decorrência de o governo boliviano continuar fazendo mudanças regulatórias para incentivar a expansão da agricultura.

Houve uma ligeira diminuição na perda de florestas na República

Democrática do Congo, mas ainda era o terceiro ano mais alto já registrado, em grande parte devido a operações agrícolas cíclicas. Todavia, o instituto disse que há evidências emergentes de que a exploração comercial de madeira, mineração e desmatamento para plantações tiveram um impacto.

A perda de florestas primárias caiu cerca de 50% no Gana e na Costa do Marfim e reduziu-se pelo terceiro ano consecutivo na Indonésia, onde baixou para um nível não observado há mais de 15 anos. Isso ocorreu após Jacarta introduzir uma moratória permanente sobre a limpeza das plantações de dendê e aumentar os esforços para garantir que as leis fossem aplicadas.

Frances Seymour, membro sênior do instituto, disse que o nível de perda florestal global era inaceitável e que estava claro o que era necessário para reverter a tendência. “Se os governos implementam boas políticas e aplicam a lei, a perda de florestas diminui”, disse ela.

“Mas se os governos relaxam as restrições à queima ou sinalizam a intenção de abrir territórios indígenas para a exploração comercial, a perda de floresta aumenta”. Seymour disse que a comunidade internacional pode ajudar a resolver o problema, introduzindo incentivos econômicos ou de mercado para proteger florestas.

Ela pediu aos governos que adotassem quatro etapas: prevenir a queima da floresta; aumentar o monitoramento e a aplicação para impedir violações; proporcionar aos pobres e famintos alternativas à exploração florestal e não reduzir as proteções para ajudar na recuperação econômica da pandemia do Covid-19.


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