Pela liberdade de Bambi: a luta para transferir a elefanta de 50 anos para santuário

Bruna Araujo
junho 26, 2020

A perda de peso é significativa e visível.

Possivelmente, está cega de um olho.

Passa parte do seu tempo em um recinto de chão de concreto, sem sol.

Essa é a situação atual de Bambi, elefanta asiática de, aproximadamente, 50 anos, no Bosque Zoo Fabio Barreto, em Ribeirão Preto, SP.

Antes e depois: à esquerda, Bambi em 2014. À direita, Bambi hoje

Capturada da natureza, foi explorada pela indústria circense por quase toda a vida. Segundo registros, em 2009, depois da lei que proíbe a utilização de animais selvagens em espetáculos de circo em algumas regiões, foi encontrada em um sítio localizado na cidade de Limeira, com uma das patas presa e rodeada por uma cerca elétrica. O dono da propriedade não tinha autorização do Ibama para mantê-la e foi denunciado por maus-tratos.

Enquanto aguardava a decisão da Justiça, foi enviada para o Zoológico de Leme, que, apesar dos esforços dos colaboradores para lhe oferecer uma vida melhor, não tinha estrutura adequada para recebê-la.

Em 2014, foi transferida para o zoológico de Ribeirão Preto, onde, até hoje, divide o espaço com Maison – outra elefanta asiática com quem não tem afinidade. Por falta de entendimento entre as duas, ambas sofrem: têm que se revezar no próprio recinto. Enquanto uma fica do lado de fora, a outra fica do lado de dentro.

Desde o início da quarentena causada pela pandemia do novo coronavírus, de acordo com nota do próprio zoológico, as duas permanecem separadas por uma cerca – o que, convenhamos: são animais com mais de quatro toneladas. Uma cerca como esta não é obstáculo para uma possível desavença mais séria, a qual, por uma diferença física gigantesca e óbvia, seres humanos não conseguiriam controlar sem danos para as duas espécies.

Bambi nunca teve a liberdade como opção. Agora, tem.

Pode ser transferida para o Santuário de Elefantes Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, que conta com 1.140 hectares de área nativa preservada – um espaço equivalente a 1.736 campos de futebol, com estrutura adequada e equipe qualificada, com décadas de experiência na recuperação de elefantes cativos, preparada para oferecer todos os cuidados que Bambi inspira, não só pela idade avançada, mas por todas as sequelas provocadas pela vida de solidão e maus-tratos, evidentes e indiscutíveis.

A equipe de apoio da organização tem vasta experiência nesse tipo de resgate. O mais recente foi o de Mara, elefanta trazida do ex-zoológico de Buenos Aires, que percorreu 2.750 km para chegar ao Santuário e, hoje, ao lado das demais residentes – as também resgatadas Maia, Rana e Lady – desfruta da liberdade de poder fazer o que bem quiser com o seu tempo.

Entretanto, Bambi aguarda, desde janeiro de 2019, o parecer final da Secretaria do Meio Ambiente sobre a sua transferência para o Santuário, que está à disposição para realizar o traslado sem custos financeiros para o zoológico ou para a Prefeitura de Ribeirão Preto. Ainda assim, até agora, não houve nenhuma manifestação em favor de sua liberação.

A decisão tardia das autoridades pode levar à sua partida precoce: quanto mais a Justiça demora, mais a sua saúde mental e física se deteriora.

Existem vários argumentos – alguns, inclusive, sem fundamento técnico – para deixá-la onde está. Mas não existe justificativa que nos dê o direito de continuar impedindo Bambi de ser quem ela nasceu para ser: um elefante livre.

Conheça o Santuário de Elefantes Brasil clicando aqui.

Assine aqui a petição.


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