Inpe: 72% do desmatamento na Amazônia concentrou-se em áreas protegidas em 2020


Marcos Amend/Greenpeace

Dados do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados pelo Greenpeace, revelaram novamente a devastação ambiental provocada durante o governo Bolsonaro. De janeiro a abril de 2020, áreas protegidas, como Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs), concentraram 72% do desmatamento provocado por garimpeiros ilegais na Amazônia.

Nos quatro primeiros meses de 2020, registrou-se um aumento de 80,6% no desmatamento de responsabilidade do garimpo ilegal nas UCs da Amazônia, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 487 hectares desmatados neste ano, ante 879 hectares em 2019.

Nas terras indígenas localizadas na floresta amazônica, registrou-se 13,4% de aumento no desmate provocado por garimpeiros ilegais de janeiro a abril de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.

Marcos Amend/Greenpeace

Os dados foram obtidos por meio de sobrevoo realizado em maio sobre quatro áreas federais protegidas que foram devastadas pelo desmatamento. Quando comparados ao desmate realizado nas terras indígenas de janeiro a abril de 2019, os números revelam um aumento de 64% no desmatamento promovido no mesmo período deste ano.

Diante da inércia do governo Bolsonaro frente ao desmatamento, o Ministério Público Federal ajuizou ação exigindo que providências sejam tomadas pelo governo contra a mineração ilegal em terras indígenas na Amazônia.

Marcos Amend/Greenpeace

Dentre as áreas protegidas que sofreram maior desmatamento através do garimpo ilegal, segundo o Greepeace, estão: A Floresta Nacional de Altamira, o Parque Nacional do Jamanxim, e as terras indígenas Munduruku e Sai Cinza – todas localizadas no Pará.

Além da devastação ambiental e da perda de território essencial para a sobrevivência dos indígenas, o avanço do desmatamento ilegal – motivado não só por garimpeiros, mas também por madeireiros e pecuaristas – é uma ameaça por conta da pandemia de coronavírus, que já matou quase 300 indígenas. Temendo pela vida de seu povo, eles lançaram uma campanha denominada #ForaGarimpoForaCovid.

No site oficial da campanha, onde assinaturas de apoio são coletadas, os indígenas explicam que “a campanha #ForaGarimpoForaCovid é uma iniciativa do Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana e da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Associação Wanasseduume Ye’kwana (SEDUUME), Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK), Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima (TANER), Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA)”.

Marcos Amend/Greenpeace

“Nós, Yanomami, não queremos morrer. Ajude-nos a expulsar os mais de 20 mil garimpeiros que estão espalhando a Covid-19 em nossas terras. Assine a petição e pressione o governo. Nossa meta é 350 mil assinaturas”, diz o site, que conseguiu, até o momento da publicação deste texto, 292.947 adesões. Para assinar, clique aqui.


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