‘Não senti medo porque estava com meu cão’, diz idoso após se perder em mata


Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Aos 67 anos, Sérgio Sebastião Pires viveu uma experiência assustadora: ficou perdido em uma mata durante 10 horas. Na madrugada da última terça-feira (16), ele foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros, que o encontrou, em meio à escuridão, dentro de uma área alagada em matagal próximo ao sítio em que ele trabalha, no bairro Aberta dos Morros, zona sul de Porto Alegre.

O sufoco que passou, porém, teria sido pior não fosse a companhia fiel e protetora de seu cachorro. “Estava com muito frio no corpo, principalmente nos pés, mas não senti medo porque estava com ele. É meu amigo, meu filho, um cão especial”, disse Pires ao jornal GaúchaZH.

O companheiro do idoso, um pit bull chamado Thor, esteve ao seu lado durante todo o tempo em que a dupla ficou perdida na mata, provando que o preconceito contra a raça é infundado e que pit bulls são animais amáveis e, como disse o tutor, especiais.

“Eu via luzes dos carros bem longe, gritava, mas ninguém me ouvia. ‘Vou morrer’, eu dizia. E aí me dei conta que o celular estava no casaco, eu que nunca saio com o telefone”, relatou ao jornal.

Por volta da meia noite, Pires entendeu que não conseguiria sair do local por conta própria e, então, ligou para o Corpo de Bombeiros.

Pires, que trabalhou como mecânico no passado, hoje é caseiro do sítio, onde vive sozinho. Tem seis filhos e vinte netos, mas recebe visitas pouco frequentes da família. Conforme foi envelhecendo, optou por viver no campo em busca de sossego.

Ronaldo Bernardi / Agência RBS

O desaparecimento de Pires na mata preocupou os bombeiros por conta de sua idade e também da região onde o acidente aconteceu. “A área estava muito alagada, seu Sérgio não conseguiria sair sozinho, ainda mais com o frio, que o estava debilitando muito”, contou ao GaúchaZH o soldado Tiago da Rosa Ferreira, 39 anos, integrante da Companhia Especial de Busca e Salvamento dos Bombeiros.

O esforço dos militares foi recompensado pela alegria ao encontrar o idoso e pela gratidão dele, que passou a chamar os bombeiros de “anjos”. “Salvaram a minha vida, buscando um velho no mato. Não tenho palavras. Eles arriscam a vida pelo bem da sociedade”, disse.

Para o soldado, o desejo de ajudar quem precisa faz até esquecer o cansaço das ações de resgate. “Só senti cansaço quando cheguei ao quartel, às 5h. Eu só posso agradecer esse carinho de seu Sérgio conosco. Ajudar os outros é o que me gratifica”, afirmou Ferreira.

O acidente, porém, não convenceu Pires a deixar de se aventurar pela mata. “Na próxima eu levo um facão e uma lanterna. E se possível vou ainda de dia”, concluiu.

Ronaldo Bernardi / Agência RBS

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