Poluição dos oceanos por microplásticos foi subestimada, revela estudo


Foto: Luciano Candisani

A poluição oceânica causada pelos microplásticos pode ter sido subestimada. Números de um estudo publicado no jornal Environmental Pollution revelam que a quantidade de microplástico nos oceanos é bastante superior ao que se acreditava existir.

Para o estudo, foram usadas redes de malha de 100 microns (0.1mm), 333 mícrons e 500 mícrons. Os pesquisadores encontraram 2,5 vezes mais plásticos nas redes de 100 microns do que nas de 333 e 10 vezes mais do que na de 500 mícrons. As malhas de 333 mícrons são as comumente usadas para filtrar os microplásticos.

Líder da pesquisa, a professora Pennie Lindeque, do Laboratório Marítimo de Plymouth, no Reino Unido, afirmou ao portal Earth.org que “a estimativa da concentração de microplásticos marinhos atualmente pode ser muito subestimada”. E, segundo ela, os números podem ser ainda maiores do que os identificados por sua pesquisa, isso porque podem existir partículas ainda menores do que as capturadas pela malha fina.

Segundo o estudo, estimativas anteriores apontavam a existência de 5 trilhões a 50 trilhões de partículas de plástico nos oceanos. Com a atualização, o número subiu para 12 trilhões a 125 trilhões. A pesquisa foi realizada nas águas que banham a Inglaterra e os Estados Unidos. As partículas mais comuns dentre as encontradas pelos cientistas são de fibras de cordas, redes e roupas.

Os pesquisadores descobriram também que em algumas regiões existe mais microplástico do que zooplâncton (espécie essencial na cadeia alimentar marinha e responsável por regular o clima global).

“Usando uma extrapolação, sugerimos que as concentrações microplásticas podem exceder 3.700 partículas por metro cúbico – muito mais do que o número de zooplâncton que você encontraria”, disse Lindeque.

“Compreender mais sobre os microplásticos menores é importante, pois essas partículas menores são mais suscetíveis de serem ingeridas pelo zooplâncton que forma a base das redes alimentares marinhas”, explicou o Dr. Ceri Lewis, biólogo marinho da Universidade de Exeter que também integra a pesquisa.


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