Tinta aplicada em cascos de barcos pode intoxicar peixes na Amazônia, diz estudo

Kanenori/Pixabay
Kanenori/Pixabay

A tinta aplicada em cascos de embarcações pode intoxicar peixes que vivem na Amazônia, segundo estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, no Amazonas.

A intoxicação pode ser causada por substâncias anti-incrustantes presentes nas tintas. Nanopartículas de cobre são nocivas, segundo a pesquisa, ao aparelho respiratório de peixes de pequeno porte.

Os pesquisadores estudam duas espécies de peixe: o cardinal (Paracheirodon axelrodi) e o cará-anão (Apistogramma agassizii).

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O objetivo do estudo, iniciado em 2015, é observar a forma como os peixes lidam com agentes tóxicos despejados na água em quantidades relativamente pequenas. Presentes em tintas aplicadas em barcos, o metal cobre dissolvido e a nanopartícula de cobre tiveram seus efeitos sobre os animais avaliados pelos pesquisadores.

A pesquisa de mestrado é de autoria da bióloga Susana Braz-Mota. Ela explicou ao G1 que essas tintas impedem que organismos grudem no casco dos barcos. “No entanto, essa tinta libera cobre continuamente para o ambiente e causa impacto nos sistemas fisiológicos e bioquímicos dos animais”, disse.

As nanopartículas aderem às branquias, órgão respiratório dos peixes, modifica suas estruturas e dificulta a respiração em longo prazo.

“O dano às brânquias afeta toda a estrutura de modelagem respiratória, o que tem como consequência alterações na fisiologia do peixe. Isso foi notado em análises histológicas, que mostraram que os animais expostos tiveram o aparelho respiratório danificado”, explicou ao G1.

O estudo concluiu que a tinta gera danos como fusão das lamelas, proliferação celular, descolamento da parede celular e outros problemas de saúde que afetam a respiração, a osmorregulação e o metabolismo dos animais.

Os pesquisadores descobriram ainda que a tinta gera um aumento de radicais livres e alterações na capacidade de manter os sais internos nos organismos dos peixes, o que interfere na capacidade do animal de se adaptar ao meio ambiente. Os radicais livres são moléculas de oxigênio que podem causar danos em proteínas, no DNA, em lipídios e na membrana das células. O estudo revelou que os peixes podem sofrer desde consequências mais leves – como envelhecimento das células – até danos mais graves – como o surgimento de células cancerígenas.

“Tudo isso pode afetar a capacidade de reprodução e locomoção dos animais. Suspeita-se que, em longo prazo, dependendo do tempo de exposição e da capacidade desses animais em lidar com essas substâncias tóxicas, esses danos podem impactar até na quantidade populacional desses animais, reduzindo o número de indivíduos de algumas espécies”, concluiu Braz-Mota.


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