Denúncia

Investigação mostra sofrimento de cordeiros explorados para consumo

Ao chegarem no país de destino, os animais passam de 15 a 21 dias em quarentena até serem levados ao matadouro, "onde sofrerão uma morte agonizante"

Reprodução/Animal Equality
Reprodução/Animal Equality

A Animal Equality, entidade de defesa dos direitos animais, revelou o sofrimento de cordeiros explorados para consumo através de uma investigação realizada na Espanha.

Transportados por longas distâncias, eles suportam viagens com até dez dias de duração. Amontados, sem qualquer tipo de conforto e até mesmo de espaço para que se locomovam, os animais são submetidos a um transporte estressante e cruel. Ao chegar nos matadouros, são mortos ainda conscientes.

Em seu site oficial, a entidade revelou o que foi descoberto através da investigação. “Dezenas de milhares de cordeiros são primeiro transportados centenas de quilômetros de caminhão para as cidades portuárias espanholas e depois forçados a viajar por mar para países do Oriente Médio, para atender à demanda por carne que coincide com o Ramadã e a festa do Sacrifício de Cordeiros. Os cordeiros são animais particularmente sensíveis que ficam paralisados ​​quando têm medo. Durante a jornada, os trabalhadores são mostrados jogando os animais e agarrando-os pelas pernas para impedir que eles recuem”, escreveu a ONG.

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O sofrimento, no entanto, não se restringe ao transporte terrestre. Nos navios, os cordeiros são condenados a um cenário terrível. “Uma vez que os cordeiros são carregados nos navios, eles precisam passar por uma jornada de 10 dias em que não há garantia de que os padrões básicos de bem-estar animal estabelecidos pela União Europeia sejam cumpridos. Para os responsáveis ​​pelo destino desses animais, não importa se os cordeiros são feridos durante a viagem ou estão em estado avançado de gravidez – o único requisito é que cheguem ao destino vivos”, disse a entidade.

Ao chegarem no país de destino, os animais passam de 15 a 21 dias em quarentena até serem levados ao matadouro, “onde sofrerão uma morte agonizante”. Submetidos ao “abate halal”, esses animais têm a garganta cortada e depois são “deixados para sangrar até a morte”. Tudo isso é feito enquanto eles estão “plenamente conscientes”.

E a pandemia de Covid-19 só piorou a dura realidade dos cordeiros. Isso porque, segundo a Animal Equality, “a indústria da carne está utilizando as exportações de cordeiros para países do Oriente Médio como forma de compensar a falta de demanda doméstica devido à pandemia do COVID-19, já que 90% desses animais são consumidos em bares e restaurantes”. A entidade expôs dados que indicam que em 2020 “mais de 250 mil cordeiros serão enviados para países do norte da África e do Oriente Médio para as celebrações do Ramadã”.

O sofrimento do transporte de animais, no entanto, não é uma realidade presente apenas na vida dos cordeiros. Todas espécies exploradas para consumo passam por essa crueldade dentro de caminhões. No caso das viagens marítimas, bois são vítimas frequentes.

“Mundialmente, mais de dois bilhões de animais de fazenda passam por viagens de longa distância a cada ano como meio de transporte de carne viva. Milhares também morrem durante longas viagens marítimas, com seus corpos jogados ao mar aparecendo nas praias dias depois. Em um relatório de 2019, após um acidente no qual 14 mil ovelhas se afogaram no Mar Negro durante o transporte da Romênia para a Arábia Saudita, a Comissão Europeia reconheceu inúmeras deficiências nesse tipo de transporte de longa distância. O relatório aponta que o bem-estar desses animais depende em grande parte das condições do navio e, como não são realizadas inspeções adequadas, não há garantias de que esses navios tenham sistemas adequados de drenagem ou ventilação”, lembrou a ONG.

“Nossas investigações documentaram claramente os maus-tratos aos cordeiros nessas viagens. Chegou a hora de exigir que o governo espanhol e a Comissão Europeia proíbam viagens de longa distância de animais vivos”, afirmou Silvia Barquero, diretora executiva da Animal Equality Espanha.

Reprodução/Animal Equality

“De fazendas a matadouros, os animais explorados para alimentação sofrem espantosamente. O que é frequentemente esquecido neste ciclo interminável de violência é a imensa crueldade que acontece quando esses animais são transportados. Já passou da hora de essa crueldade ser interrompida, e a Animal Equality continuará a usar suas investigações para expor essas verdades”, disse Sharon Núñez, Presidente da Animal Equality.


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