‘Era meu sonho’, diz dona de restaurante após o estabelecimento se tornar vegano


Foto: Arquivo Pessoal

Vegetariana há 30 anos, Zelinda Amarante de Lima sempre quis transformar seu restaurante em um estabelecimento vegano. No último dia 1º de junho, o que era apenas um sonho se transformou em realidade. O Picanha’s Grill ganhou a palavra “Veg” em seu nome e, desde então, os moradores de Porto Alegre (RS) passaram a contar com um novo local para consumir deliciosos pratos veganos.

Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), Zelinda contou que o restaurante sempre ofereceu opções veganas. Isso porque boa parte da família da proprietária do estabelecimento não consome carne. Zelinda tem filhos e netos que são vegetarianos e veganos.

“Meu marido ainda come carne, mas me deu muito apoio. Ele gosta muito da culinária vegana, faz ótimos pratos, é um excelente cozinheiro”, disse Zelinda. Segundo ela, o marido, Evandro Rodrigues dos Santos, que também é dono do estabelecimento, pretende se tornar vegano.

Zelinda revelou que se tornou vegetariana após conhecer, no passado, a filosofia Hare Krishna. Atualmente, repassa aos outros o que aprendeu sobre direitos animais. “Acho que a pessoa realiza o não comer carne. Ela vê que tão importante quanto a vida dela é a vida de qualquer ser vivo. O ruim para mim era trabalhar num restaurante onde se lidava com carne, vendia carne, chorei muitas vezes por causa disso. Hoje, sem forçar nada, tento fazer com que a pessoa entenda que aquele ser merece estar vivo tanto quanto ela. Acho que cada um tem o seu tempo, tu explica, tu fala, mas cada um tem o seu tempo”, afirmou.

Foto: Arquivo Pessoal

Atualmente, o restaurante oferece de seis a oito tipos de saladas, três a quatro tipos de sobremesa e dez pratos quentes. “A gente procura variar sempre os pratos”, explicou Zelinda. Dentre os alimentos servidos na última segunda-feira (8), estão arroz, feijão, almôndegas ao molho branco, seitan (“carne” de glúten) ao molho, mini pastéis de brócolis, pão de alho, hambúrgueres, maionese, pêssego em calda e bolo de laranja com mousse de coco.

“Nossa vontade é abrir uma churrascaria vegana aos sábados. Durante a semana, continuaremos com o buffet e aos sábados teremos a churrascaria, com vários pratos, como seitan assado, na grelha e recheado; pão de alho, abacaxi assado, entreveiro na chapa, glúten acebolado, entre outros”, contou.

Para Zelinda, oferecer pratos veganos aos clientes é o que mais importa. “Tem pessoas que nunca ouviram falar em veganismo. Então, cada lanche que a gente serve que não tem carne é um ganho para a gente”, disse. A transição do restaurante para o veganismo foi realizada aos poucos para que os clientes, acostumados com carne, se adaptassem. E muitos já disseram não sentir falta de ingredientes de origem animal no prato.

Foto: Arquivo Pessoal

“Estamos começando aos poucos. Parte dos clientes afirmou que não sente falta da carne. Mas está sendo aceito aos poucos. O que me incentiva é isso: não estou vendendo carne, então estou ganhando muito mais com isso, porque são uma média de 40 refeições no almoço sem carne, sem nada de origem animal, sem crueldade nenhuma no prato, e isso para mim vale muito, porque era o que eu sonhava. Estou feliz, minha família está feliz e estamos empenhados”, reforçou.

Transformar o restaurante em um estabelecimento vegano é, para Zelinda, uma forma de “levar o veganismo adiante”, atingindo mais pessoas. O público vegano, porém, concentra-se à noite. No almoço, a maior parte das pessoas que consome a comida do restaurante não é vegana. “Durante o dia são pessoas que comem carne e que apreciam minha comida. Poucos veganos almoçam aqui, consomem mais à noite”, explicou. Segundo ela, durante o dia o público do estabelecimento é composto, em maior parte, por funcionários de empresas, por conta da localização do restaurante, que fica em uma região industrial.

A proprietária do Picanha’s Grill Veg reforça que, ao levar refeições livres de ingredientes de origem animal para pessoas que não são veganas, ela tem conseguido fazer com que, em média, 40 pessoas consumam pratos sem carne e derivados no almoço. “Então para gente é um ganho muito grande”, disse.

Foto: Arquivo Pessoal

E a iniciativa rendeu muitos elogios nas redes sociais. Satisfeitos com a nova proposta do restaurante, internautas parabenizaram os proprietários. “Parabéns pela iniciativa, admiro vocês”, disse um usuário do Facebook. “É muito nobre veganizar um restaurante”, afirmou outro. “A mudança que eu quero pro mundo, a mudança que é possível”, escreveu uma terceira pessoa.

Por conta da pandemia de coronavírus, cuidados extras estão sendo tomados pelo restaurante. As mesas foram espaçadas, álcool em gel é oferecido logo na entrada, e a proprietária recomenda que as pessoas retirem a comida no local ou solicitem o serviço de delivery ao invés de consumir no estabelecimento. No entanto, medidas são adotadas para proteger aqueles que optam por comer no restaurante e para preservar a saúde dos funcionários. “Quem almoça aqui, a gente ajuda a pessoa a se servir, oferecemos álcool em gel na porta e máscara para quem chega sem”, explicou. Durante a noite, as vendas são feitas exclusivamente via delivery, sem opção de consumir no local. A chamada tele-entrega também pode ser solicitada durante o dia.

Foto: Arquivo Pessoal

E além de promover a conscientização sobre direitos animais através da alimentação, o Picanha’s Grill Veg também prova que não é verdadeiro o argumento de que ser vegano é caro. Isso porque o restaurante oferece buffet a R$ 13,90 o kg e marmitas a R$ 12. “Envio o cardápio, o cliente escolhe o que gostaria de comer e monto a marmita de acordo com a preferência dele”, explicou Zelinda.

O restaurante está localizado na Avenida Plínio Kroaff, 1893, Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre. Os moradores da cidade podem fazer o pedido via WhatsApp e receber os pratos em casa. O telefone para contato é o 51 99951-5791.

Foto: Arquivo Pessoal
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Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.



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