Amazônia

PL que autoriza desmatamento leva supermercados britânicos a ameaçarem boicote ao Brasil

Empresas estão pressionando o Congresso para que seja rejeitado o projeto que prevê grilagem de terras na floresta amazônica

(Photo: Victor Moriyama/Greenpeace)
(Photo: Victor Moriyama/Greenpeace)

Um grupo de 40 supermercados britânicos publicou uma carta aberta por meio da qual ameaça boicotar produtos brasileiros caso seja aprovado um projeto de lei que, através da grilagem de terras, autoriza o desmatamento da Amazônia.

A Sainsbury’s, Tesco, Morrisons e Marks & Spencer são algumas das empresas que estão pressionando o Congresso para que o projeto seja rejeitado.

De acordo com o documento assinado pelas marcas, o projeto, ao se tornar lei, incentivaria “mais apropriação de terras e desmatamento generalizado”, colocando a Amazônia em risco, prejudicando os objetivos do Acordo de Paris de 2015 sobre as mudanças climáticas e ameaçando as comunidades indígenas.

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“Acreditamos que isso também colocaria em risco a capacidade de organizações como a nossa de continuar comprando no Brasil no futuro”, diz a carta. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já havia afirmado que colocaria o projeto para votação. As informações são da agência de notícias Reuters.

O projeto de lei facilita que desmatadores da Amazônia garantam o direito à propriedade de terras públicas ocupadas por eles. Ambientalistas reforçam que a proposta daria uma recompensa aos desmatadores pela destruição ambiental promovida no passado e abriria espaço para mais desmatamentos e assentamentos em terras públicas.

Segundo o Instituto de Pesquisa da Amazônia (Imazon), caso se torne lei, a medida irá acelerar o desmatamento de 11.000 a 16.000 km².

Os supermercados que assinaram a carta se disseram “profundamente preocupados” com o projeto, que tem o apoio do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, político que sempre se posicionou contra a agenda ambiental e que, inclusive, criou órgão para perdoar multas aplicadas para punir crimes ambientais.

“Instamos o governo brasileiro a reconsiderar sua posição e esperamos continuar trabalhando com parceiros no Brasil para demonstrar que o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental não são mutuamente exclusivos”, afirma o documento.


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