Dados alarmantes

Mais de 189 milhões de árvores foram derrubadas em 2019 no Xingu

O desmate promovido no ano passado na bacia do Xingu é superior ao tamanho do município de São Paulo

Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará, uma das mais desmatadas em 2019 (Crédito na imagem)
Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará, uma das mais desmatadas em 2019 (Crédito na imagem)

Seis árvores foram derrubadas por segundo na bacia do Xingu em 2019, o que corresponde a 168.110 hectares desmatados e  a 189.216.000 árvores destruídas no ano inteiro. Os dados são do 16º boletim Sirad X, sistema de monitoramento de desmatamento da Rede Xingu +, que realiza levantamentos graças a uma articulação de indígenas, ribeirinhos e parceiros que vivem ou atuam na bacia do Xingu.

O desmate promovido no ano passado é superior ao tamanho do município de São Paulo. A agropecuária, que explora e mata animais sencientes, a grilagem de terras, o garimpo, as queimadas, a ação de madeireiros e a sensação de impunidade, diante dos desmonte dos órgãos fiscalizadores promovido pelo governo Bolsonaro, são os responsáveis por tamanha destruição.

Esse desmate prejudica não só a natureza e os animais que dependem dela para viver, mas também os indígenas. Quase 40 mil hectares foram destruídos ilegalmente dentro de Áreas Protegidas do Corredor Xingu, o conjunto de Terras Indígenas e Unidades de Conservação da bacia. O número é 52% maior do que o registrado em 2018.

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“O avanço do desmatamento dentro dessas áreas é resultado da redução das ações de fiscalização e do desmantelamento das políticas indigenista e ambiental no país”, explicou Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Socioambiental (ISA), em publicação feita no portal do ISA.

As Terras Indígenas (TI) Cachoeira Seca do Iriri, Apyterewa e Ituna/Itatá, localizadas ao norte da bacia do Xingu, foram invadidas por grileiros e madeireiro de maneira intensa em 2019. Operações de fiscalização realizadas na região em outubro foram insuficientes, levando as três TIs a serem as mais desmatadas em novembro e dezembro do ano passado, liderando o ranking das mais desmatadas na Amazônia, com mais de 7 mil hectares destruídos.

Na TI Trincheira Bacajá, que abriga o povo Xikrin, 3.969 hectares foram desmatados em 2019, um aumento de 95% em relação ao ano anterior. O desmate ocorreu graças à reativação de uma estrada ilegal nas TIs Apyterewa e Arawete/Igarapé Ipixuna, com expansão de 40 km para dentro do território dos Xikrin em sua porção sudoeste. A estrada foi reativada em um intervalo de apenas seis meses, entre junho de 2019 e janeiro de 2020.

Em um dos afluentes do rio Fresco, no sudeste da Terra Indígena Kayapó, uma pista de pouso clandestina foi construída. Um aumento de 25% no desmate foi registrado no último bimestre de 2019 em comparação aos dois meses anteriores, graças ao garimpo ilegal.

A APA Triunfo do Xingu, no Pará, foi alvo de quase 90% de todo o desmatamento registrado em Unidades de Conservação (UC) entre novembro e dezembro de 2019. A região está no topo do ranking do desmatamento das Áreas Protegidas no Brasil, com 36 mil hectares destruídos, o equivalente a 82 árvores derrubadas por minuto. Além disso, o maior polígono de desmatamento de 2019 foi registrado no interior da APA, com aproximadamente 4.900 hectares desmatados, garantindo mais um recorde que deveria envergonhar a Presidência da República – mas que não tem esse efeito sobre o governo, que demonstra interesse em intensificar ainda mais o desmate de florestas brasileiras.

A Triunfo do Xingu é vizinha da Estação Ecológica (Esec) Terra do Meio, do Parque Nacional (Parna) Serra do Pardo e da Terra Indígena Kayapó, que também são Áreas Protegidas.

“O crescente desmatamento na APA e a baixa fiscalização fizeram com que atividades ilegais que historicamente aconteceram dentro dessa UC virassem um problema regional que ameaça todas as Áreas Protegidas de seu entorno”, explicou Elis Araújo, advogada do ISA.


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