Veneno

Governo Bolsonaro libera 118 agrotóxicos durante pandemia

Agrotóxicos devastam a natureza, matam animais e adoecem a população, que já está sofrendo por conta da pandemia

(Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Não bastasse o adoecimento em massa da população por conta do coronavírus, o governo Bolsonaro liberou 118 novos agrotóxicos durante a pandemia, colaborando para que, através da alimentação e da contaminação de trabalhadores que atuam no campo, mais pessoas adoeçam ao ter contato com os pesticidas. Além disso, esses venenos prejudicam o meio ambiente e os animais.

A pandemia de Covid-19, que já causou a morte de mais de 14 mil pessoas, não impediu que novos agrotóxicos fossem autorizados graças à Medida Provisória 926 e ao Decreto 10.282, ambos de 20 de março, que incluem os pesticidas como atividades essenciais durante a pandemia.

Várias doenças estão relacionadas aos agrotóxicos. Conforme explicou o nutrólogo e especialista em medicina esportiva Dr. Flávio Madruga, em entrevista ao portal Casa e Jardim, os pesticidas podem causar: Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, espectro autista, câncer, infertilidade, doenças nos rins, danos ao fígado, Alzheimer, depressão, malformação de feto, alergias, doenças cardíacas e hipotireoidismo.

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Quanto aos danos ambientais, os agrotóxicos são responsáveis por fragilizar e reduzir a fertilidade do solo, além de diminuir sua biodiversidade e torná-lo ácido; contaminar a água, em casos graves matando plantas aquáticas e animais.

Como os agrotóxicos ficam suspensos no ar, fragmentos deles também podem ser inalados por pessoas e animais, intoxicando-os. Insetos são os animais mais afetados por esses venenos.

Todo os efeitos nocivos dos pesticidas, porém, não são considerados pelo governo, que liberou 475 agrotóxicos ano passado e 150 este ano, até o momento. Segundo monitoramento da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a liberação de agrotóxicos no governo Bolsonaro é a maior dos últimos 14 anos.

Dentre os novos 118 agrotóxicos liberados, sendo 84 destinados a agricultores e 34 à indústria, estão novas versões do Fipronil, que matou mais de 500 milhões de abelhas em 2019. Dez registros desse produto, sendo seis para a empresa brasileira Allier, foram aprovados, um ato que vai na contramão do que está sendo feito em outros países. Isso porque o efeito devastador do pesticida contra os insetos levou parte da União Europeia a bani-lo. A proibição existe também na França. Nos Estados Unidos, o produto está em reavaliação.

Bolsonaro e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (Valter Campanato/Agência Brasil)

E embora a sociedade e os governantes como Bolsonaro não estejam dando atenção ao caso, colocar a existência das abelhas em risco não é só cruel do ponto de vista dos direitos animais, mas também uma ameaça à espécie humana. O professor Lionel Segui Gonçalves, especialista em genética de abelhas e coordenador da Campanha Nacional de Proteção às Abelhas, lembrou que 70% da alimentação do homem depende da polinização feita pelas abelhas. Conforme explicou ao Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH), se as abelhas forem extintas, a humanidade só teria mais quatro anos de existência.

Mas as abelhas não são as únicas prejudicadas. Outro produto nocivo liberado pelo governo Bolsonaro é o fungicida Clorotalonil. Em reavaliação nos Estados Unidos e banido na União Europeia, o pesticida foi reconhecido em estudos como responsável por causar danos ao DNA humano, e submeter a alto risco anfíbios, peixes e também as abelhas.

O Clorpirifós é outro inseticida que integra a lista dos 118 liberados. Até julho deste ano, o produto deixará de ser utilizado na União Europeia e nos Estados Unidos, onde foi banido, por estar relacionado à má formação no cérebro de bebês e à redução de QI.

O Clorpirifós e o Clorotalonil estão entre as substâncias que a Anvisa pretende reavaliar nos próximos anos para decidir se devem ou não ser proibidas. Enquanto isso, esses produtos continuam sendo comercializados, colocando a vida da população e dos animais em risco e prejudicando o meio ambiente. As análises serão feitas, no caso do Clorpirifós, por conta da neurotoxicidade para o desenvolvimento, e devido à carcinogenicidade do Clorotalonil, de acordo com a agência.

Além dos 150 pesticidas liberados em 2020, outros 216, solicitados por empresas produtoras, estão sob análise no Ministério da Agricultura.


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