Vida nova

Chimpanzé Black completa um ano em santuário e deixa vida de exploração no passado

No santuário, Black passou a ser tratado, pela primeira vez, como um animal senciente que deve ter seus direitos resguardados

Black e Dolores (GAP/Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba)
Black e Dolores (GAP/Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba)

As décadas de sofrimento e exploração vividas pelo chimpanzé Black ficaram para trás. No início do mês de maio, ele completou um ano vivendo no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, no interior de São Paulo. No local, o chimpanzé recebe todos os cuidados necessários e é tratado com a dignidade e o respeito que no passado lhes foram roubados.

“Indo ao encontro do objetivo principal de proporcionar um maior bem-estar em cativeiro, ele está totalmente adaptado, em bom estado de saúde, convive muito bem com a fêmea Dolores e, principalmente, segundo a equipe do santuário, está muito mais tranquilo do que quando chegou”, diz nota publicada pelo Projeto GAP, ao qual o santuário é afiliado.

O GAP se denomina “um movimento internacional cujo objetivo maior é lutar pela garantia dos direitos básicos à vida, liberdade e não-tortura dos grandes primatas não humanos – Chimpanzés, Gorilas, Orangotangos e Bonobos, nossos parentes mais próximos no mundo animal”. E através desta missão garantiu, junto da equipe do santuário, vida nova ao chimpanzé Black.

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O animal chegou ao santuário após ser transferido do zoológico de Sorocaba, onde foi explorado para entretenimento humano por décadas, sendo exposto como se fosse um objeto aos visitantes para garantir lucro à instituição. A mudança de lar do chimpanzé se deu graças a uma longa ação judicial, que teve como resultado a determinação da transferência para o santuário.

“Black tem idade estimada em 50 anos e sabe-se que viveu por mais de 40 no zoológico – sendo os últimos anos sozinho, depois do falecimento de sua companheira, Rita”, explica a nota do GAP.

Black e Dolores (GAP/Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba)

Após chegar no santuário, Black ficou em quarentena. Ao fim desse período, “a equipe do santuário avaliou que Black já poderia ter suas primeiras experiências de integração com outros chimpanzés”.

“Primeiramente tentou-se com a chimpanzé fêmea Margarete, com a qual já tinha convivido em um breve período que morou no santuário em 2004 durante uma reforma em seu recinto no zoológico. Margarete já estava inserida em outro grupo e não aceitou tão bem o convívio com Black. A equipe então percebeu que Dolores, de 23 anos, poderia ser uma candidata mais adequada a dividir o recinto com Black e desde setembro do ano passado os dois vivem juntos e estão totalmente integrados”, finaliza a nota da instituição.

O passado de Black

Black foi transferido para o santuário por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão foi embasada nos argumentos de que sua qualidade de vida no santuário seria melhor, vivendo em recintos maiores, sem o estresse causado pela exibição ao público e tendo chance de interagir e usufruir da companhia de outros chimpanzés.

A ação judicial que solicitou a transferência de Black foi apresentada em 2018 pelas ONGs Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e Associação Sempre pelos Animais de São Roque. Em primeira instância, o pedido foi negado. No entanto, após mais de um ano de batalha judicial, a transferência finalmente foi decretada.

Black foi explorado em circos quando era jovem e há cerca de 40 anos foi morar no zoológico de Sorocaba. Boa parte desse tempo viveu com a chimpanzé Rita, que morreu em 2011, deixando-o sozinho.

A vida no santuário não é totalmente inédita para Black. Em 2004, ele e Rita passaram alguns meses no local enquanto seu recinto era reformado no zoo. Na época houve uma tentativa de manter os animais no santuário, mas sem sucesso.

Em 2014, com Black já vivendo solitário, o GAP e outras ONGs fizeram uma campanha para a sua transferência definitiva para o santuário, que contou inclusive com o apoio do Grupo de Grandes Primatas da ONU (GRASP). Porém, mais uma vez, a Prefeitura recorreu e conseguiu mantê-lo no zoo.

O tormento da vida no zoológico, porém, chegou ao fim em 2019, com a transferência para o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba. Black deu adeus à exploração, acompanhada da solidão, e se deparou com uma vida digna, deixando de ser tratado como um objeto em exposição para ser visto, pela primeira vez, como um animal senciente que deve ter seus direitos resguardados.

Confira vídeos de Black e de sua companheira Dolores no santuário:


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