Pandemia

Abandono de animais aumenta cerca de 40% em Belo Horizonte (MG)

O aumento no abandono, especialmente de cães, foi constatado por ONGs e pela Prefeitura de Belo Horizonte

Reprodução/Pixabay/Zomogy/Imagem Ilustrativa
Reprodução/Pixabay/Zomogy/Imagem Ilustrativa

O número de animais abandonados cresceu durante a pandemia de coronavírus em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. O aumento foi registrado pela prefeitura e por ONGs.

Um levantamento da entidade Vida Animal Livre, que mantém 44 cães, concluiu que o abandono aumentou cerca de 40% entre março e maio deste ano, não só na capital, mas também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Conseguimos resgatar o máximo que podemos, mas, ao mesmo tempo, temos que pensar que resgatar um animalzinho tem um custo alto por causa dos cuidados veterinários. Por isso, tentamos que esses cães sejam adotados o mais rápido possível, para abrir vagas para outros bichinhos”, explicou ao G1 Val Consolação, ativista da ONG.

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A percepção quanto ao aumento do abandono é a mesma por parte da prefeitura, conforme afirmou o gerente de defesa dos animais da Secretária Municipal do Meio Ambiente de Belo Horizonte, Leonardo Maciel.

Nina tem 2 anos e é um dos animais anunciados para adoção no site da Rockbicho (Reprodução/Rockbicho)

“É difícil fazer um levantamento de quantos animais foram abandonados nesses últimos meses, mas é visível que teve um aumento. A PBH continua com o trabalho de recolhimento de animais das ruas e das castrações. Mas, quando os números de animais abandonados aumentam, os custos aumentam também”, disse.

Além da crise financeira, notícias falsas também motivam os abandonos. “As pessoas estão com medo de contrair a doença, mas nenhum estudo aponta que os animais fazem parte da transmissão”, afirmou Maciel. “A mensagem que a gente dá é: fique em casa com o seu animal. Ele não transmite a doença, e será uma companhia para este momento difícil”, completou.

O abandono de animais bem cuidados, com peso ideal, vacinados e usando coleiras também tem sido registrado. Para Eliana Malta, diretora da ONG Rockbichos, isso pode indicar abandonos causados por dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias.

“Os cachorros abandonados neste período são animais que eram bem tratados, ou seja, seus tutores estão os deixando por falta de dinheiro. A pandemia tem deixado muitas pessoas sem trabalho e, como os animais são despesas a mais, acabam sendo abandonados”, afirmou.

Filhotes de gato anunciados para adoção no site da Rockbicho buscam lares em BH (Reprodução/Rockbicho)

Para tentar melhorar a situação, a prefeitura abriu um chamamento público para que ONGs se apresentem para gerenciar o hospital veterinário municipal, que ainda não está funcionando. O objetivo é oferecer atendimento gratuito a animais tutelados por famílias carentes, reduzindo as despesas com os animais para combater o abandono e incentivar a adoção. Serão atendidos cerca de 30 animais por dia.

Mas os problemas não param por aí. Porque apesar do interesse pela adoção de animais ter aumentado em Belo Horizonte durante a pandemia, Eliana Malta aponta que muitas adoções não são bem-sucedidas porque o candidato busca um animal por conveniência.

“Nós precisamos sim de pessoas para adotar. Nunca estivemos com tantos animais, mas não podemos correr o risco da pessoa estar querendo um animal apenas pra suprir suas necessidades psicológicas”, afirmou a ativista ao se referir a pessoas que querem adotar um animal apenas para ajudar a enfrentar a solidão da quarentena, sem estarem dispostas a terem responsabilidade com aquela vida pós pandemia.

Para adotar um animal neste momento, segundo a diretora da Rockbichos, é preciso pensar em como será a vida após a quarentena. “Agora tá todo mundo em casa, mas e depois? Tem que pensar em como vai encaixar um cão na sua rotina. Eles precisam de cuidados e de tempo”, disse.

No entanto, quem estiver certo de que dispõe de condições para adicionar um membro à família, sabendo que ele é uma responsabilidade para a vida inteira, pode adotar um cão ou gato através das ONGs ou da prefeitura.

A administração municipal mantém 125 cães e 50 gatos no abrigo municipal, todos disponíveis para adoção. Para adotar é necessário ser maior de idade, apresentar carteira de identidade e comprovante de endereço. O Centro de Controle de Zoonoses, onde vivem os animais, funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Zequinha é de porte pequeno e está para adoção, com anúncio no site da Rockbicho (Reprodução/Rockbicho)

Segundo a prefeitura, ” a unidade faz recolhimento de animais em situação de rua, e todos que chegam ao Centro, passam por uma consulta com médico veterinário, quando é feita uma avaliação clínica, para saber se o animal está com alguma lesão ou enfermidade. Caso necessário, é iniciado tratamento com antibiótico, anti-inflamatório ou cuidados com as feridas. Além dessa avaliação, é feita vermifugação, vacina contra a raiva, controle de ectoendoparasitas e, no caso de cães, a coleta de sangue para realização do exame de leishmaniose”.

No caso das ONGs, basta acessar o site da Rockbichos e as redes sociais da Vida Animal Livre e, após olhar as fotos dos animais disponíveis, escolher um para adotar. Em seguida, uma entrevista com o pretenso adotante é realizada.


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