Pandemia

‘A humanidade, sim, é que tem sido o grande vírus’, diz Rita Lee

Na opinião de Rita Lee, "esta pandemia faz parte de um propósito Divino para conscientizar a raça humana a respeitar nossa Nave Mãe Terra"

(Foto: Guilherme Samora)
(Foto: Guilherme Samora)

Vegetariana e militante, a cantora Rita Lee, de 73 anos, sempre sai em defesa do planeta e dos animais. É conhecida por, há anos, posicionar-se contra rodeios, que exploram e maltratam os animais. Recentemente, em artigo publicado na revista Veja, Rita Lee voltou a falar sobre a importância de preservarmos a natureza.

Ao comentar a pandemia de Covid-19, a cantora lamentou as mortes causadas pela doença e questionou a forma como os corpos são enterrados, contaminando o solo.

“Os milhares de corpos que temos visto empilhados em cemitérios precários e caminhões frigoríficos expõem os humanos a mais um perigo, contaminando o solo por sei lá quanto tempo com um vírus cuja consequência é desconhecida. Não seria melhor uma nova lei para organizar uma cremação desses corpos? Há séculos o fazem na Índia e com o maior respeito, tudo diante de um fogo sagrado que transforma os defuntos em cinzas e higieniza o planeta Terra”, escreveu.

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Rita disse ainda que sempre foi considerada grupo de risco por ter sido censurada na época da Ditadura Militar ao ser vista “como uma mulher perigosa para os bons costumes da família brasileira” e também por sua defesa aos animais.

“Sou grupo de risco desde que luto contra os donos do poder, declarando meu repúdio aos maus-tratos de animais em rodeios, circos, aviários, matadouros, zoológicos, touradas, vaquejadas, ao contrabando de bichos silvestres, aos criadores gananciosos, às rinhas de galos e cachorros e a zilhões de outras barbaridades cometidas pela raça humana, que trata animais como objetos”, disse.

“Desde que deixei os palcos, há oito anos, vivo confinada na minha toca, numa casinha no meio do mato cercada de bichos e plantas, só saindo para ir ao dentista, fazer supermercado, comprar ração para meus animais e, eventualmente, visitar meus netos. Hoje, faço tudo pela internet e rezo para não quebrar um dente”, completou.

Em seu artigo publicado na revista, a cantora disse ainda que acredita que a pandemia tem o propósito divino de conscientizar as pessoas a respeito de suas atitudes em relação à natureza e aos animais.

“Sou parte de um grupo de risco saudável e esperançoso, por acreditar que esta pandemia faz parte de um propósito Divino para conscientizar a raça humana a respeitar nossa Nave Mãe Terra de toda a destruição que vem sofrendo, em todas as suas formas de vida. E revelando que a humanidade, sim, é que tem sido o grande vírus, fazendo o Jardim do Éden, nossa Mamãe Natureza, virar o maior grupo de risco”, disse Rita, referindo-se à relação do coronavírus com a exploração animal e a destruição da natureza. Já que o vírus teria surgido num mercado de venda de animais na China e que a devastação ambiental, conforme especialistas têm alertado, também é fator predominante para o surgimento de vírus letais aos humanos.

Ao final de seu texto, a cantora desejou “saúde física, mental, psicológica e espiritual” a todos e fez um apelo: “aproveite a quarentena e adote um bichinho. O melhor amigo”.


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