ICMBio exonera chefes de UCs responsáveis por proteger o mico-leão-dourado


NadineDoerle/Pixabay

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), aparelhado pelo governo, que colocou militares na chefia do órgão, exonerou todos os chefes de Unidades de Conservação (UCs) federais que trabalhavam para preservar o habitat do mico-leão-dourado, como forma de proteger a espécie, que está ameaçada de extinção.

Com a saída desses profissionais, os micos ficam mais expostos à ação de desmatadores e a espécie corre risco ainda maior de desaparecer por completo.

As exonerações dos gestores das reservas biológicas da União e Poço das Antas e da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado representam um retrocesso. Conforme divulgado pelo portal O Eco, essa ação representa risco eminente aos animais, já que esses locais são os últimos refúgios da espécie.

A Associação Mico-Leão-Dourado revelou que esses animais sobrevivem em fragmentos florestais de Mata Atlântica no interior do estado do Rio de Janeiro. O secretário-executivo da associação, Luís Paulo Ferraz, lamentou as exonerações.

“É super preocupante [as exonerações] porque abrangem praticamente toda a área remanescente de ocorrência do mico-leão-dourado. E dentro de um processo em que não houve discussão com ninguém. A Associação faz parte do Conselho das duas reservas biológicas e ninguém estava sabendo das exonerações”, disse.

Suspeita-se que as exonerações estejam relacionadas à antecipação da criação do Núcleo de Gestão Integrada de Rio das Ostras, que reuniria, sob a mesma tutela, essas UCs que perderam seus chefes, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba e a Reserva Extrativista (Resex) Marinha do Arraial do Cabo.

Para Ferraz, fazer todas essas UCs atuarem de maneira conjunta não é adequado, porque cada uma delas têm demandas distintas.

“É um processo que não foi discutido com ninguém, com uma canetada exoneraram os chefes das unidades, sem colocar nada no lugar e sinalizando a criação de um Núcleo de Gestão Integrada com unidades que não tem nenhuma afinidade, nem proximidade física nem afinidade ambiental”.

O novo modelo de gestão idealizado pelo ICMBio também é criticado pela bióloga Rita Portela, chefe do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“As duas Rebios e a APA tudo bem, são próximas, acho que não há tantos riscos unificá-las numa única chefia, mas juntar com o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, que é outra categoria de unidade de conservação e precisa de uma pessoa que saiba lidar com uso público e que é um ecossistema completamente diferente, de restinga; e com a Resex Arraial do Cabo, que é marinha. São unidades de conservação muito diferentes e é muito difícil uma única pessoa que consiga gerir esses ambientes e ecossistemas tão diferentes e com propósitos tão distintos”, explicou.

O secretário-executivo da Associação Mico-Leão-Dourado critica ainda a reforma administrativa, feita sem participação de especialistas envolvidos em projetos de pesquisa nas reservas.

“É uma insanidade que coloca em risco vários esforços de conservação, de pesquisa, e para o programa de conservação do mico-leão-dourado isso é uma ameaça gravíssima”, concluiu.


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