Redescoberta de sapo “extinto” há 30 anos gera esperança para a espécie


Sapo-arlequim-de-mindo (Foto: Melissa Costales)

Um sapo-arlequim-de-mindo (Atelopus mindoensis) foi encontrado durante uma expedição em uma reserva privada no norte do Equador. O animal era considerado extinto há 30 anos por muitos especialistas.

A expedição foi realizada pela bióloga da Universidade de Nova Brunswick Melissa Costales e seus colegas. A intenção era encontrar sapos do gênero Eleutherodactylus (que foram localizados), por isso a redescoberta da existência de um sapo-arlequim-de-mindo vivo surpreendeu os pesquisadores. Um estudo sobre a descoberta foi publicado pela bióloga no periódico Herpetological Notes.

“Lá estava ele, o lendário Atelopus mindoensis!”, disse a bióloga ao portal National Geographic Brasil. Há três décadas não se via animais desta espécie, que foi dizimada por uma doença fúngica causada pelo quitrídio, fungo que já matou populações de anfíbios em todo o mundo.

A redescoberta do sapo-arlequim-de-mindo pode significar, segundo os especialistas, uma esperança para a sobrevivência da espécie.

“Seu reaparecimento após 30 anos pode estar relacionado ao fato de terem desenvolvido resistência ao quitrídio”, afirmou Costales. Além da suspeita de que essa espécie tenha desenvolvido resistência ao fungo, os pesquisadores também documentaram outros anfíbios que criaram essa capacidade de sobreviver à doença. Alguns espécies deles são: Rana sierrae, Atelopus varius e Colostethus inguinalis.

Porém, da mesma forma que ocorre atualmente com o coronavírus em humanos, não há testes suficientes para medir a magnitude real da recuperação dessas espécies resistentes ao quitrídio, segundo Jamie Voyles, ecologista de doenças da Universidade de Nevada, em Reno.

Apesar de não ter participado da redescoberta do sapo, a especialista comentou o caso. “Nosso conhecimento sobre muitas doenças, como a atual pandemia, indica que surtos e doenças infecciosas tendem a enfraquecer”. Há um estágio de surto, mas, geralmente, ocorre uma redução na gravidade da doença em uma população. E, assim, temos observado algo semelhante com os anfíbios”, disse à National Geographic Brasil.

Espécies ameaçadas de extinção

As 25 espécies de Atelopus existentes no Equador estão classificadas como ameaçadas, criticamente ameaçadas ou consideradas extintas, sendo que mais da metade delas não é vista desde a década de 1980.

A redescoberta do sapo-alerquim-de-mindo faz dele a nona espécie do gênero Atelopus a ser encontrada viva, desde 2013, após ter sido considerada extinta. O animal foi encontrado pela primeira vez em agosto de 2019. Depois disso, cinco novas expedições foram feitas à reserva, que tem seu nome mantido em sigilo. Nelas, os pesquisadores encontraram sapos da espécie mais cinco vezes, sendo três sapos jovens, o que indica que esses animais estão se reproduzindo – e isso, segundo Costales, é positivo.

Dois desses sapos foram testados para quitrídio, que tem sua presença conhecida nas proximidades. Eles, no entanto, não testaram positivo para o fungo, possivelmente por nunca terem entrado em contato com ele ou por terem desenvolvido uma forma de se defender dele.

“Claro que uma possibilidade seria a chamada população relicta, o que significa que a população passou por alguma restrição e estamos observando os indivíduos sobreviventes do surto”, explicou Voyles.

Cori Richards-Zawacki, herpetologista da Universidade de Pittsburgh e colaboradora de Voyles, afirmou à National Geographic Brasil que este cenário “é bastante animador”.

“Cada espécie de Atelopus ‘redescoberta’ ressalta a importância de continuarmos a vigilância e aprendermos com essas criaturas resilientes sobre os mecanismos de recuperação após epidemias”, disse.

Na opinião de Richards-Zawacki, essa redescoberta também poderia servir como um alerta sobre a cautela necessária antes de declarar a extinção de uma espécie. “É difícil conseguir financiamento para pesquisar espécies ameaçadas e quase impossível conseguir financiamento para pesquisar espécies extintas”, revelou.

A esperança de Costales é conseguir salvar o sapo-arlequim-de-mindo. Para isso, ela firmou parceria com o Museu de Zoologia da Universidade São Francisco de Quito e deu início a implantação de um programa de monitoramento da espécie. Ela espera arrecadar dinheiro suficiente para comprar e proteger áreas próximas ao local onde o primeiro animal foi visto, no ano passado.

“O fato de que os sapos recém-encontrados não estavam infectados com o fungo quitrídio não é garantia de sua sobrevivência”, concluiu.


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