Latino trata cachorro como mercadoria ao sorteá-lo e é criticado por internautas


Reprodução/Instagram/Latino

Objetificação, essa é a palavra que resume a atitude do cantor Latino, que resolveu sortear um cachorro de raça durante um concurso intitulado “Dançando com seu Latino”. A ideia, no entanto, não foi bem recebida pelos internautas, que criticaram o tratamento dado ao cão pelo cantor, que reduziu o animal à condição de mercadoria, desrespeitando-o.

O sorteio foi anunciado na terça-feira (5), mas as críticas foram tantas que o artista apagou a publicação sobre o sorteio. Para participar do concurso, fãs teriam que dançar a nova música de Latino junto de seus animais.

Os seguidores do cantor, porém, não pouparam críticas. “Eu não estou acreditando que o Latino está sorteando um cachorro! Um animal NÃO é um iPhone, um kit de maquiagem. Eu tô revoltada!”, escreveu uma internauta. A frase usada pelo cantor para anunciar o sorteio (“o cachorro do momento”) também foi criticada. As palavras escolhidas por ele confirmam a objetificação do cão.

Após apagar a publicação usou os stories para falar sobre o caso, expondo imagens que mostram um diálogo entre ele e uma pessoa que o segue nas redes sociais.

“Falar até papagaio fala. Por trás de um celular tem um monte de valentes. Nossa intenção foi unir o útil ao agradável, trazer uma família para um filhote que provavelmente estaria precisando. Essa raça não é encontrada para adoção, logo, para termos um animal como esse, precisamos comprar. E o mais importante: todos os animais de raça que já tive e tenho são comprados de canis especializados e responsáveis, afinal jamais compraria de um local que maltrata seus animais”, escreveu. “Intenção cada um tem a sua, né? A minha é sempre a mais positiva do mundo: dar amor a esses bichinhos”, completou.

Reprodução/Instagram

Ao tentar consertar a situação, Latino a tornou pior, romantizando a exploração de animais para reprodução e venda e, novamente, tratando-os como mercadorias usadas para atender às vontades do ego humano.

Animais não existem para serem reproduzidos e vendidos, gerando lucro aos vendedores e atendendo aos desejos egoicos dos compradores. A beleza de cães de raça não serve para que os seres humanos tirem benefícios dela através da venda. Animais são seres sencientes, sujeitos de direito, e não devem ser tratados como mercadorias. Como alertam ativistas, vidas não se vendem e precificá-las para obter lucro caracteriza exploração e desrespeito à dignidade animal.

A defesa do cantor a “canis especializados e responsáveis” é outro equívoco. Primeiro porque canis que se dizem responsáveis já foram flagrados maltratando animais, o que indica que selos colecionados por esses estabelecimentos e palavras ditas pelos proprietários não garantem a não existência de maus-tratos. Até mesmo fiscalizar o local, fazendo uma visita para ver as condições dos animais, não é garantia de nada, já que o proprietário do canil pode “maquiar” o espaço, passando uma imagem que não é a realidade do dia a dia.

Reprodução/Instagram/Latino
Reprodução/Instagram/Latino

No mais, mesmo que os canis aos quais Latino recorre sejam, de fato, “especializados e responsáveis”, e não submetam os animais a maus-tratos (o que inclui não forçar fêmeas a procriar todo cio, sem descanso), o ato de comprar um animal nunca será ético, tampouco deixará de incentivar os maus-tratos no comércio como um todo.

Isso porque ao comprar um animal de um canil “especializado e responsável”, a mensagem que a pessoa passa para a sociedade é: “compre animais”. Quem recebe essa mensagem nem sempre tem interesse e recursos financeiros para comprar animais desses canis ditos sérios (que comercializam os animais por verdadeiras fortunas, ganhando dinheiro em cima de vidas). E, por essa razão, os interessados em ter determinado animal podem acabar recorrendo a canis que maltratam animais, inclusive os clandestinos. Portanto, ao comprar um animal, independentemente da seriedade ou não do estabelecimento que o vendeu, o comprador incentiva o comércio como um todo e, então, dá força a um serviço repleto de casos de maus-tratos.

Reprodução/Instagram/Latino

Por fim e não menos importante, comprar, vender, rifar, sortear e leiloar animais são práticas exploratórias por reduzirem os animais a uma condição que não os pertence: a de objeto usado para atender às demandas humanas, quando, na verdade, cada um deles existe por propósitos próprios, não para viver e sofrer em função das pessoas.

Latino finalizou sua defesa afirmando que seu objetivo é “dar amor a esses bichinhos” e a Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) faz questão de lembrar não só o cantor, mas também todos os leitores: amor se dá a um animal ao adotá-lo, não a sustentar um comércio cruel. A ANDA espera que o artista, enquanto formador de opinião, reveja seus posicionamentos e passe a usar o espaço de suas redes sociais para dar bons exemplos, incentivando a adoção de animais através de seus atos e do seu discurso. Ao invés de afirmar que tal raça não é encontrada para adoção, o artista pode lembrar seus seguidores que raça não importa e que o que vale à pena é mudar a vida de um animal sem lar.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.



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