Covid-19

Após procura por adoção de animais aumentar, protetores fazem alerta para evitar abandonos

Protetores pedem que os animais sejam adotados de maneira responsável para que abandonos futuros não ocorram

Foto: João Gori/ Arquivo pessoal

Um aumento de até 50% na procura por cães e gatos para adoção foi registrado por ONGs e protetores de animais neste período de quarentena. O isolamento social, necessário para o combate ao coronavírus, e a solidão que muitas vezes o acompanha, abriu espaço para que as pessoas decidissem dar um lar a animais abandonados.

Apesar do cenário ser positivo, protetores fazem um alerta para evitar que animais sejam abandonados futuramente por terem sido adotados por impulso e pedem responsabilidade na hora de incluir um novo membro à família.

Foto: João Gori/ Arquivo pessoal

Os protetores lembram que a quarentena é benéfica para a adoção porque facilita a adaptação do animal ao novo lar, já que o tutor dispõe de mais tempo livre. Também é bom praticar a solidariedade e dar um bom exemplo ao optar por adotar ao invés de comprar um animal, boicotando um comércio repleto de maus-tratos que trata seres vivos como mercadoria. No entanto, a adoção deve ser pensada e feita de maneira responsável.

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Antes de adotar, a família precisa pensar a respeito da rotina da casa após o final da quarentena, para evitar abandonos. O animal é um ser vivo, não um objeto, portanto, é necessário se planejar para que haja espaço para ele na vida da família quando o isolamento social for encerrado. As informações são do portal G1.

Membro de uma ONG que mantém cerca de 70 animais, entre cães e gatos, Laura Rizzo, de 45 anos, está otimista com este novo cenário. “Como as pessoas estão em casa, cresceu um espírito de solidariedade. Elas estão mais sensíveis e em busca de um animal para fazer companhia”, disse.

Apesar de estar fechado para visitas atualmente, o Instituto Santo Pet já foi contactado por diversas pessoas interessadas em adotar um animal. Muitas foram aprovadas, mas ainda precisam ir ao local conhecer o animal. Segundo Laura, esse contato é crucial para decidir se o animal será mesmo adotado.

Luana e os cães resgatados com ela com a ajuda de voluntários (Foto: Arquivo pessoal)

“Existe o contato que é muito importante. Quando o animal olha para o seu futuro tutor, a gente consegue sentir se ele irá ser feliz ou não. Essa conexão é a ligação mais forte para definir a adoção. A pessoa pode ser aprovada em todos os processos, mas se não tiver esse contato, nós não aprovamos”, disse.

“Nós somos extremamente criteriosos, estamos aproveitando esse momento, mas com atenção. Antes de realizar qualquer adoção, a gente faz uma entrevista bem séria com o interessado para confirmar se ele tem condições de cuidar do animal”, completou.

Hoje, cerca de 172 mil animais estão abrigados em ONGs, segundo levantamento do Instituto Pet Brasil. A maior parte, 96%, são cães. Apenas 4% são gatos. Cada entidade costuma abrigar de 50 a 500 animais.

Há, ainda, 3,9 milhões de animais em situação de vulnerabilidade – seja sob os cuidados de famílias em situação de miséria ou abandonados nas ruas. No Sudeste, região que registra o maior número de animais nessa situação, há mais de 78 mil animais vulneráveis.

As únicas soluções para reduzir esse número tão alto de animais abandonados são castração e adoção. E embora o interesse das pessoas por dar um lar para cães e gatos retirados das ruas tenha aumentado, isso preocupa Katy Torczynnowski, que tem 45 anos e é proprietária de um gatil com mais de 50 gatos resgatados do abandono.

“Apesar de ser uma coisa boa, algumas pessoas estão nos procurando por uma urgência temporária. Elas estão sentindo a solidão da quarentena e resolveram adotar um animal para suprir isso, mas estamos lidando com uma vida”, disse.

Gatos resgatados pela protetora Katy (Foto: Arquivo pessoal)

A protetora já foi procurada por pessoas interessadas em dar lar para gatos apenas até o final da quarentena. A adoção para Katy, no entanto, é coisa séria e só pode ser realizada após uma série de requisitos serem preenchidos.

“Antes de completar a adoção, a gente faz uma série de análises sobre a pessoa que quer levar aquele animal. Como é o padrão de vida, a estabilidade financeira e se ela realmente consegue se responsabilizar. Boa parte das adoções geralmente são para famílias. Ultimamente nós estamos sendo procurados por pessoas solteiras”, contou.

Segundo Gracie Hans, que mantém 50 gatos no Instituto Adote Um Miau, a procura pela adoção aumentou mais de 50% nos últimos dias. “Isso é muito bom, muitas pessoas geralmente não tem tempo de fazer adaptação quando realiza uma adoção. Então, com a quarentena as pessoas têm esse tempo de acostumar o animalzinho na rotina. Mas, claro, estamos atentos à questão de que a quarentena uma hora vai acabar, então a gente deixar claro para a pessoa que ela vai precisar lidar com a responsabilidade de ter um animal”, explicou.

“Existem casos em que a gente recomenda que a pessoa faça da sua casa um lar temporário, dessa forma ela não fica sozinha e cuida do animal até que apareça um interessado. Tem muito animal abandonado, tem muita ONG que não consegue alojar e se disponibilizar para isso é uma forma de cuidar do gato ou cachorro enquanto ele não encontra um local definitivo”, disse Hans.

O gatil do Paula B, no Rio de Janeiro, também notou um aumento no interesse das pessoas pelos gatos, mas também nos abandonos. “Ao mesmo tempo que houveram algumas poucas doações, ocorrem os abandonos habituais e outros por acharem equivocadamente que os animais podem transmitir o vírus”, afirmou Gabriela Schlomer, uma das responsáveis pelo local.

Especialistas e órgãos, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidências de que animais domésticos contraiam e transmitam o coronavírus. Nenhum caso de transmissão da doença de animais para humanos foi registrado.

Para ajudar

  • Instituto Santo Pet

www.institutosantopet.org.br
[email protected]
https://www.facebook.com/institutosantopet

  • Gatil Love Kats

https://www.facebook.com/gatillovekats/
https://www.instagram.com/gatillovekats/

  • Adote um Miau

[email protected]
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  • Gatil Paula B

Telefone: 3534-9387, de 9h às 15h

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Por amor… sempre por puro amor.

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Nota da Redação: Cães e gatos não pegam nem transmitem o covid-19. Eles podem apenas pegar as versões canina e felina do coronavírus que não são transmissíveis aos humanos, segundo o que  atestam veterinários do mundo todo. O cão de Hong Kong que a princípio mostrou em exames ter “vestígios” da covid-19, morreu dois dias depois de ser constatado, por meio de testes mais complexos, que ele não portava o coronavírus humano. Ele era um cão idoso, com 17 anos, e os próprios especialistas de Hong Kong declararam que ele deve ter morrido devido ao estresse causado pela distância da família durante a quarentena.

No entanto, tutores infectados com covid-19 devem delegar os cuidados aos seus animais a outras pessoas e, se isso não for possível, usar álcool gel antes de acariciar seus cães e gatos, pois, pode haver uma contaminação superficial do pelo desses animais do mesmo modo que haveria num corrimão de escada, por exemplo. A ANDA tem se preocupado em passar as informações corretas, com embasamento da OMS – Organização Mundial da Saúde e de veterinários, a fim de evitar abandono e maus-tratos. Colabore também disseminando as informações corretas!


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


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