Dois milhões de galinhas são condenadas à morte nos EUA

Bruna Araujo
April 28, 2020

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Pelos menos dois milhões de galinhas serão mortas em fazendas industriais dos estados norte-americanos de Delaware e Maryland. A justificativa é a ausência de mão-de-obra forçada a paralisar as atividades devido à pandemia de Covid-19. Os grupos comerciais responsáveis pelas fazendas alegam que sacrificarão os animais utilizando o mesmos métodos aprovados pelo governo em casos de gripe aviária.

A organização Save Delmarva Chickens afirma que o método utilizado, o desligamento do sistema de ventilação, é cruel e desumano. As empresas alegam que não conseguiram transferir os animais para outras fazendas ou vender os animais, então será adotado o protocolo de despovoamento, que significa a morte em massa de animais sem levar conta as diretrizes de bem-estar animal.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês): “Com o despovoamento, o bem-estar dos animais é levado em consideração tanto quanto possível, mas a situação é entendida como atenuante”, diz o órgão e completa: ” Estas são as opções mais humanas e eficazes disponíveis em uma situação de emergência envolvendo um número maciço de aves”.

Pecuária e pandemias

Um artigo publicado pelo portal britânico The Guardian escrito pelos autores Jan Dutkiewicz, Astra Taylor e Troy Vettese aponta que o modelo alimentar atual é o principal responsável pelo surgimento de epidemias e novas doenças. Segundo o Dr. Anthony Fauci, o principal epidemiologista dos Estados Unidos, a ligação entre a exploração animal para consumo e o surgimento de doenças infectocontagiosas é nítida e usa como exemplo os “mercados úmidos” chineses. “Me surpreende como, quando temos tantas doenças que emanam dessa interface humano-animal incomum, que não o fechamos”, disse em entrevista à Fox.

Os autores destacam que é preciso uma análise interdisciplinar. Eles acreditam que o principal fator causador de doenças zoonóticas (transmitidas de animais para humanos) é a agricultura industrial de animais. A invasão e destruição de habitats de espécies selvagens oportuniza que vírus e micro-organismos que viviam em equilíbrio na natureza migrem para áreas ocupadas por seres humanas. “A agricultura industrial também cria suas próprias doenças, como gripe suína e gripe aviária, em fazendas infernais. E contribui para a resistência aos antibióticos e as mudanças climáticas, os quais exacerbam o problema”, diz o artigo.

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A publicação enfatiza ainda que chegou o momento de dialogar honestamente sobre o impacto das ações humanos no meio ambiente e sobre a forma como nos alimentamos, que fomenta uma série de doenças e danos incalculáveis à natureza. “Coletivamente, devemos transformar o sistema global de alimentos e trabalhar para acabar com a agricultura animal e reutilizar grande parte do mundo. Estranhamente, muitas pessoas que nunca desafiariam a realidade das mudanças climáticas se recusam a reconhecer o papel que o consumo de carne desempenha em risco à saúde pública. Comer carne, ao que parece, é uma forma socialmente aceitável de negação da ciência”, diz os autores.

Pesquisadores emitem avisos há anos sobre as consequências do atual sistema alimentar baseado na exploração de animais. Após o surto de Sars, em 2003, um ensaio publicado no American Journal of Public Health que era necessário reduzir ou abolir completamente o consumo de animais e seus derivados, como laticínios. Em 2016, o Programa Ambiental da ONU alertou que a “revolução da pecuária” era um desastre zoonótico esperando para acontecer. Autoridades não levaram em conta os avisos e incentivam cada vez mais o consumo de animais em benefício da economia. A revanche da natureza chegou.

Dutkiewicz, Taylor e Vettese acrescentam que culpar apenas a China é negar a realidade. “Na realidade as zoonoses surgem em todo o mundo e o fazem com crescente regularidade. A gripe espanhola de 1918 provavelmente veio de uma fazenda de porcos no meio-oeste. Nos anos 90, a desestabilização ecológica no sudoeste dos EUA levou ao surto de hantavírus Four Corners. Os vírus Hendra e Menangle têm o nome de cidades australianas. O vírus Reston é uma cepa do Ebola que leva o nome de um subúrbio de DC. O vírus Marburg surgiu na Alemanha. Essas duas últimas doenças surgiram de macacos importados para uso em laboratório – os chineses não são os únicos com um grande e perigoso comércio de animais silvestres. Sars, Mers e Zika são apenas três de muitas novas zoonoses que ocorrerão no novo milênio”, reforça o artigo.


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