‘Direitos animais andam de mãos dadas com direitos humanos’, defende o coletivo Feminivegan


Com o objetivo de unir as lutas pelos direitos dos animais e das mulheres, e também abordar temas relativos aos trabalhadores, surgiu o coletivo Feminivegan. Através das redes sociais, o grupo dissemina informações para conscientizar a população. Para explicar melhor a proposta do Feminivegan, o coletivo deu uma entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Há quanto tempo o coletivo existe e como surgiu a ideia de criá-lo?

Feminivegan: O coletivo existe desde 11 de março de 2018. A ideia surgiu depois que Ana Motha sentiu a necessidade de trazer mulheres feministas para o veganismo, de mostrar para as pessoas que é possível, que é acessível e que pessoas periféricas podem ser veganas. O veganismo sempre foi um movimento político, sempre teve um viés anticapitalista. Mas com o passar dos anos, com o avanço do liberalismo, de ONGs neoliberais bem-estaristas, foi perdendo a essência e se tornando uma dieta da moda.

ANDA: Há uma relação entre os direitos dos animais e das mulheres que levou a junção das duas causas no coletivo? Se sim, qual?

Feminivegan: Sim, o fato de que toda a indústria que explora os corpos dos animais é sustentada pelo corpo de uma fêmea não humana, com inseminações artificiais, por exemplo. Como nossa capacidade reprodutiva é controlada, como no caso das mulheres que trabalham no setor frigorífico, que muitas vezes têm gestações controladas, para não atrapalhar a produção. Para nós, os direitos animais andam de mãos dadas com os direitos humanos, ou derrubamos o capitalismo e libertamos todos, ou nada mudará.

ANDA: Quantas pessoas integram o feminivegan? Vocês costumam se reunir para debater temas relativos ao coletivo?

Feminivegan: Atualmente, não temos um número certo. Passamos por uma “reforma”, e agora, estamos em fase de formação de novas integrantes, que ainda não são consideradas membros do Femini. No total, são 69 mulheres no grupo de formação. Sim, nos reunimos e realizamos oficinas de militância.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: O que é o “ecofeminismo”?

Feminivegan: O Ecofeminismo é a quinta corrente apontada por Karen Warren, no final da década de 80 do século XX, ou o que ela chama de feminista transformativa, enfatizando as diferentes conexões entre a opressão exercida pelos homens sobre a natureza (naturismo) e a opressão exercida pelos homens sobre as mulheres (machismo).

Referência: A perspectiva ecoanimalista feminista antiespecista, Sônia Teresinha Felipe.

ANDA: O trabalho desenvolvido pelo coletivo nas redes sociais tem sido bem aceito?

Feminivegan: Sim, recebemos muitas mensagens de apoio e de interesse em participar do coletivo.

ANDA: Quais temas são debatidos pelo coletivo no Instagram?

Feminivegan: Direitos animais, direitos das mulheres e da classe trabalhadora.

ANDA: Além das redes sociais, vocês atuam de alguma outra forma?

Feminivegan: Passamos por uma “reforma” para que isso aconteça. Desde a criação do coletivo, nossa intenção era levar o veganismo para as ruas, para as periferias. Agora, com tudo resolvido, pretendemos realizar trabalhos voluntários em escolas e com pessoas em situação de rua.

Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan

ANDA: Como vocês se sentem estando à frente deste projeto?

Feminivegan: Nos sentimos felizes, fazendo o que muitas mulheres fortes fizeram no passado, mas que não tiveram tanto espaço. Esperamos fazer a diferença, sair do discurso e mudar a vida de muitas pessoas.

ANDA: De que forma um coletivo que une os direitos das mulheres aos dos animais em uma luta única traz benefícios para a sociedade?

Feminivegan: O Femini além de defender os direitos dos animais e das mulheres, é anticapitalista. Acreditamos que libertar animais não humanos, sem uma mudança no sistema não resolve os problemas do mundo. Atualmente, temos um governo amparado pela bancada ruralista, que além de explorar animais humanos e não humanos, nos envenena dia a dia com milhares de agrotóxicos, por exemplo. Ou seja, libertar animais considerados de produção, sem libertar os trabalhadores, sem libertar humanos, não muda nada. Por isso, lutamos por soberania alimentar para a classe trabalhadora, lutamos pelo direito das pessoas escolherem o que querem comer, mas sabendo de tudo que envolve aquele alimento. A classe trabalhadora conscientizada tem nas mãos o poder de libertar os animais, parando a produção dos frigoríficos, parando o transporte dos animais, etc. Esse é o nosso trabalho na sociedade, fazer as pessoas despertarem!


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