Abandono de gatos em Salvador (BA) é quase cinco vezes maior durante pandemia


Foto: Vinícius Harfush / CORREIO

O abandono de gatos em Salvador, na Bahia, durante a pandemia de Covid-19, é quase cinco vezes maior do que o registrado normalmente. Os dados são da brigada K9 do Corpo de Bombeiros.

O presidente da Comissão de Saúde Pública do CRMV-BA, José Eduardo Ungar, explicou que mapeamento de gatos abandonados é mais difícil de se fazer do que o dos cães. As informações são do jornal Correio 24 Horas.

“A população felina tende a crescer muito mais rápido e isso se torna mais grave por conta dos abandonos de animais não castrados, principalmente dos mais jovens. Além de poder procriar a cada três meses, a gata entra no cio a partir do quarto mês de vida”, aponta Ungar.

Por conta do abandono de animais, o comandante França, da brigada K9, criou o projeto Doação de Coração. “Esse é um projeto em conjunto com a sociedade”, afirmou França. Duas viaturas alimentam diariamente de 200 a 500 gatos, entregando doações.

“Antes recebíamos ligações para resgatar um gatinho ou dois por dia. Agora chegamos a receber ligações para resgatar na rua até 15 animais, várias vezes por dia”, lamentou o comandante.

No bairro Piatã, o abandono é constante. Quem mora na região, sempre vê os gatos pelo local. É o caso de Leo Jiménez, 29, e Leila Costa, 26.

“Eu acredito que eles se reproduzem e por isso tem esse número grande”, disse Leila.

Os gatos da região recebem cuidados de Rosilene Ribeiro, ou Rose, como prefere ser chamada. Ela já viveu em situação de rua no local e hoje mora em uma casa nas proximidades da praia. Ter mudado de vida, no entanto, não a fez esquecer dos gatinhos, que ela segue alimentando.

“Não consigo saber o nome de todos porque toda hora chega um novo, mas vou tentando gravar e dar comida à todos eles”, contou Rose, que já tentou impedir que pessoas abandonassem mais animais no local, mas foi recebida com ofensas e violência.

Segundo França, “o que começou com uma pessoa deixando [um gato na rua em Piatã], virou ponto para largar outros gatos lá”.

Foto: Arisson Marinho / CORREIO

Os abrigos de animais também estão lotados. Segundo Urânia Almeida, presidente da Associação Brasileira Protetora dos Animais, o número de gatos à espera de adoção é extremamente maior do que o de animais adotados.  “Muita gente ainda cria toda aquela mística com os gatos. Preconceitos por achar que vão tomar conta da casa, de que não são afetuosos… e não é bem assim, não são verdades”, afirmou.

Atualmente, a entidade mantém 200 gatos, sendo que 12 foram abandonados em um único final de semana, durante a pandemia, em um dos abrigos.

Urânia, no entanto, lembra que “abrigo não é o lugar do animal”, que merece ter um lar. Para combater o alto número de gatos sem tutores, a protetora cita a necessidade de políticas públicas voltadas ao fim do comércio de animais e de incentivo à adoção.

Na hora de adotar um animal, Ungar orienta a população a buscar as ONGs. Se for retirar um da rua, ele reforça a necessidade de levar o animal ao veterinário antes de adotá-lo.

Interessados em adotar animais em Salvador podem entrar em contato com a Associação Brasileira Protetora dos Animais na Bahia (ABPA-Bahia) pelo e-mail adote@abpabahia.org.br. Para pessoas de outros locais do país, a busca por um animal pode ser feita através do site www.procure1amigo.com.br.


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