Governo exonera diretor de Proteção Ambiental do Ibama após operação em prol de índios


Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, assinou na terça-feira (14) a exoneração do diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Olivaldi Azevedo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.

A exoneração veio logo após o Ibama realizar uma megaoperação contra madeireiros e garimpeiros que, ilegalmente, estão avançando contra terras indígenas no Pará, devastando a natureza e colocando em risco a vida dos índios. A ação tinha o objetivo de proteger cerca de 1,7 mil índios que moram no sul do estado e que estão sob ameaça por conta do coronavírus.

(Imagem: REUTERS/Bruno Kelly)

As invasões a terras indígenas aumentaram desde o início da pandemia de Covid-19 e o vírus já fez uma vítima. A suspeita é de que o índio yanomami Alvanei Xirixana, de 15 anos, tenha se contaminado por conta do contato com os invasadores. Ele morreu no dia 9 de abril, em Roraima, e um exame comprovou o contágio por coronavírus.

Além da necessidade de proteger os índios, é preciso também zelar pela natureza. Isso porque os alertas de desmatamento aumentaram em 29,9% em março de 2020. Os dados foram obtidos a partir da comparação com um levantamento feito no mesmo período do ano anterior.

A respeito da exoneração de Olivaldi, Salles alegou que a decisão foi tomada em comum acordo. O ex-diretor de Proteção Ambiental do Ibama não se pronunciou até o momento. Ele assumiu o cargo em janeiro de 2019 e era considerado, dentro do Ministério do Meio Ambiente, uma “indicação pessoal” de Ricardo Salles. Olivaldi, que trabalhava como subcomandante da Polícia Militar Ambiental de São José do Rio Preto (SP) antes de entrar para o Ibama, era criticado por, supostamente, dificultar ações de fiscalização.

Ao anunciar que estava exonerando Olivaldi, o ministro afirmou que o governo pretende melhorar o combate ao desmatamento. Os dados e as ações governamentais, no entanto, mostram o contrário.

Desde à época da campanha eleitoral, Bolsonaro afirmava ser contra a “indústria de multas do Ibama”. Essa indústria, no entanto, nunca existiu, já que as multas aplicadas nunca foram injustas e tinham o único objetivo de punir infratores e coibir crimes ambientais. Já eleito, Bolsonaro continuou defendendo a bandeira do desenvolvimento a qualquer custo, colocando a conservação da natureza em segundo plano. Um exemplo disso é o interesse do presidente em transformar uma reserva protegida, de grande importância para a fauna e a flora, em uma espécie de “Cancún brasileira”, incentivando o turismo em detrimento da preservação ambiental. A ideia foi criticada por ambientalistas e comerciantes.

Bolsonaro também integra o grupo dos negacionistas no que se refere à crise global do clima. Negando a existência das mudanças climáticas, ele opta por não tomar as atitudes necessárias para frear ou ao menos minimizar o estrago causado por elas.

O presidente também criou um órgão para perdoar multas ambientais. Dados levantados pelo jornal Folha de S. Paulo mostram que o número de multas por infração ambiental aplicadas pelo Ibama caiu 34% em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, em comparação com 2018. A quantidade de multas aplicadas ano passado é a menor da série histórica dos últimos 24 anos. Essa impunidade dá força aos infratores que, por sua vez, seguem destruindo a natureza.

O próprio ministro escolhido pelo presidente para a pasta do Meio Ambiente é uma representação de que o discurso de combate ao desmatamento é apenas uma falácia do governo. Isso porque Salles é um ruralista condenado pela Justiça de São Paulo por improbidade. A condenação se deu porque, na época em que foi secretário de Meio Ambiente do então governador de São Paulo Geraldo Alckmin, Salles foi acusado de alterar ilegalmente o plano de manejo de uma área de proteção ambiental. Como ministro de Bolsonaro, ele promoveu diversos retrocessos desde o início de sua atuação no ministério. Dentre eles, o congelamento de agendas importantes, como a da criação e regularização fundiária de Unidades de Conservação.

Em março de 2019, através de um decreto, Bolsonaro também cortou R$ 187 milhões do orçamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), promovendo um verdadeiro desmonte. Na opinião do ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc (PSB-RJ), responsável pela criação do Fundo Amazônia, a “política ambiental de Bolsonaro acelera o fim da humanidade”. Em entrevista ao programa Entre Vistas, da TVT, Minc afirmou que o governo tem uma “visão da idade média” e lamentou que Bolsonaro coloque o desenvolvimento econômico do país como inimigo da política ambiental.


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