Presos em carroceria de veículo, bezerros são maltratados após serem descartados por fazendeiros

Mariana
abril 9, 2020

Foto: Polícia Rodoviária Federal

Onze bezerros vivos foram encontrados na carroceria de uma caminhonete, com a lona fechada, em Bom Sucesso, no estado de Minas Gerais. Descartados pela pecuária como se fossem objetos, os animais estavam com as patas amarradas, amontoados uns sobre os outros, em condição de extremos maus-tratos.

O caso foi descoberto durante a Operação Fiscalização de Trânsito. Ao interceptar o veículo, uma Fiat Strada de cor branca, no quilômetro 18 da MG-332, os agentes da Polícia Rodoviária Federal flagraram a crueldade, que configura crime ambiental.

Os bezerros foram resgatados do local, mas não foi informado para onde foram levados, tampouco se terão suas vidas poupadas ou se serão submetidos a mais sofrimento, sendo mortos e destinados ao consumo humano.

O motorista do veículo, que foi preso em flagrante e multado em R$ 1.113,00, afirmou à polícia que os bezerros eram machos e que tinham sido descartados por fazendas da região. A prática, que é comum, é retratada no livro “Nós e os animais: um convite ao ver”, da editora Gulliver. A autora e consultora da ANDA, Samylla Mol, é mestre em Direito Ambiental e sua área de atuação tem foco em direitos animais. No livro, a escritora mostra a forma como os animais são explorados, subjugados, torturados e mortos para atender aos interesses da sociedade.

Na página 59, Samylla explica: “qual, então, o papel dos machos nessa cadeia produtiva? Se interessa aos produtores apenas o nascimento de fêmeas, pois elas representam a renovação do rebanho, o que acontece quando nasce um bezerro macho? Não rara vezes, ele é abatido e transformado em linguiça, salsicha ou enviado para um produtor de carne de vitela. Como podemos evitar essa crueldade?”.

Assim como é cruel matar os filhotes, submetendo-os, na maior parte das vezes, à crueldade extrema – como foi feito com os bezerros encontrados na carroceria da caminhonete -, também é igualmente cruel transformá-los em carne de vitela. Isso porque, para que essa carne seja produzida, o bezerro é separado da mãe com apenas um dia de vida. Assustado, com medo, ele é privado dos necessários cuidados da vaca e é colocado em um estábulo minúsculo, sem espaço para que se locomova e sem acesso à luz do dia. Essa crueldade, porém, não é atoa. O objetivo dos pecuaristas é impedir que o animal se locomova e receba a vitamina D advinda do sol, porque assim ele ficará fraco e não desenvolverá seus músculos, mantendo sua carne macia, num ritual sórdido e brutal, que leva em consideração apenas o lucro do produtor rural e o interesse do consumidor, que se alimenta de um pedaço de carne repleto de sofrimento.

Bezerros machos não são lucrativos para produtores de leite – que visam apenas fêmeas, que se transformarão em vacas exploradas para a produção de leite quando crescerem -, nem para produtores de carne – já que o custo para conseguir engordar um bezerro advindo da indústria de leite é mais alto do que o valor investido para engordar um bezerro que tem uma genética que atende aos requisitos para ser morto para venda de carne.

A indústria que fabrica produtos de origem animal é pautada na crueldade. Todo o discurso de “bem-estar animal” e “abate humanitário” é apenas uma falácia inventada como forma de ludibriar a população, convencendo-a de que os animais não sofrem. No entanto, vez ou outra, as ações dos pecuaristas, que representam um padrão seguido por todos os profissionais desse ramo, comprovam que, sim, os animais são submetidos a muito sofrimento.

Não existe abate humanitário. Os animais sofrem física e psicologicamente. Conforme comprovou um manifesto assinado em 2016, em Cambridge, por neurocientistas de todo o mundo, mamíferos, aves e outros animais, como polvos, têm consciência. “Isso quer dizer que os animais sofrem”, disse o neurocientista canadense Philip Low, que assinou o manifesto e afirmou, em entrevista à Veja, que pretendia se tornar vegano porque, segundo ele, “é impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento”.


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