Espírito Santo

Pesquisadores utilizam drones para medir efeito de lama da Samarco em golfinhos e baleias do rio Doce

Resultados preliminares da pesquisa mostram que o local é usado principalmente para criação e alimentação de filhotes de algumas espécies marinhas.

Pixabay

Cientistas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) estão utilizando um drone para auxiliar nos estudos referente aos efeitos da lama que atingiu a foz do rio Doce após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), tem causado na biologia e no comportamento de golfinhos e baleias que vivem próximos ao local. Os testes com o aparelho começaram em setembro de 2018: “O objetivo é conhecer o ‘uso do habitat’ das espécies de golfinho que frequentam a região, sendo que pelo menos duas delas, o boto-cinza e a toninha, estão bastante ameaçadas de extinção”, conta Agnaldo Martins, biólogo e líder do grupo de pesquisa.

Foto: Pixabay

Conforme uma exigência dos órgãos ambientais do Espírito Santo o monitoramento será feito a longo prazo, para compreender se os efeitos da lama cessaram ou não. Através dos resultados obtidos, será possível aplicar medidas mitigatórias e compensatórias, como por exemplo, a criação de áreas protegidas em locais preservados.

Segundo Agnaldo o estudo é de grande importância para medir o uso do habitat por esses animais e assim ser possível calcular os reais impactos dos dejetos sobre a vida marinha do local: “Com isso, saberemos o potencial impacto que a lama de rejeito da Samarco pode ter sobre essas espécies. Quanto mais usarem a região, mais delicada será a situação”, informa.

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Apesar dos piores efeitos já terem passado no momento atual a região se encontra em uma fase em que as alterações serão sentidas ao longo dos anos. E através do estudo será possível medir ou aumento ou diminuição da megafauna marinha do rio Doce: “Se aumentar, isso pode significar que os efeitos da lama estão diminuindo e eles estão voltando a usar mais. Se diminuir, quer dizer que os crônicos estão atuando e vamos ter que pensar em soluções para reparar esse dano”, disse o biólogo.

O drone escolhido para a pesquisa é de uso pessoal, um objeto mais fácil de transportar e usar em decolagens, medindo 32,2 por 24,2 cm e 8,4 cm de altura. As decolagens são feitas mensalmente e três aparelhos rastreiam os grupos de animais marinhos que vivem na região. Cada aparelho voa uma distância de cerca de 3km a partir da praia e consegue rastrear qualquer organismo a uma altura de 50m.

Além dos drones, são necessários cerca de quatro pesquisadores na operação: “O piloto do drone, que é um profissional especializado, um biólogo com olhos treinados para reconhecer a fauna, que fica com uma máscara de realidade virtual, um observador de drone com um binóculo superpotente (para termos a licença de voo, a premissa é que o aparelho não pode ser perdido de vista, pois se uma aeronave tripulada se aproxima, temos que afastá-lo imediatamente da área). Temos também um quarto componente que anota todos os resultados em planilhas”, explica Agnaldo.

É pela máscara virtual que o cientista consegue controlar o objeto, pois através de sinais de rádio emitidos pelo drone que se transfiguram em imagens de vídeo enviadas para a máscara o cientista consegue visualizar os alvos de interesse e orientar o piloto do drone para que se obtenha as melhores imagens. Dessa forma é possível monitorar as ações dos animais. Devido à baixa duração da bateria do aparelho o procedimento é realizado várias vezes ao dia.

Além do trabalho feito com os golfinhos, os pesquisadores também tem desenvolvido uma pesquisa para avaliar o uso do local pela baleia-jubarte. “Mas, como esses animais não se aproximam muito da costa, estamos fazendo a mesma coisa, só que decolando o drone a partir de um barco, o que é muito mais desafiador. Nesse caso, o monitoramento ainda não começou pra valer. Só fizemos os testes em 2019 e devemos iniciar o monitoramento agora em 2020, quando as baleias voltarem para a região”, concluiu o biólogo.


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