Consumo de carne

ONU diz que pecuária é ameaça ao clima global

“Em relação às mudanças climáticas, a principal causa do aumento das emissões dos gases do efeito estufa é a criação de animais para alimentação"

Pixabay
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A Organização das Nações Unidas (ONU) disponibilizou esta semana um vídeo em seu canal no YouTube qualificando a pecuária como ameaça ao clima global.

“Em relação às mudanças climáticas, a principal causa do aumento das emissões dos gases do efeito estufa é a criação de animais para alimentação”, destaca a ONU.

Para falar sobre o assunto, a organização convidou o CEO Patrick O. Brown, da Impossible Foods, e o CEO Ethan Brown, da Beyond Meat, duas startups de destaque no mercado de produtos à base de vegetais que imitam alimentos de origem animal nos EUA.

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“O uso de animais para a alimentação é o maior dos desafios ambientais. Esqueça a imagem das usinas hidrelétricas, elas não chegam nem perto. Mas é curioso que elas tenham tal oponente”, diz Patrick O. Brown.

E acrescenta: “Não existe nenhum cenário para prevenir as catastróficas mudanças climáticas em que não haja uma ampla redução na escala da pecuária.”

Ethan Brown concorda e reforça que a estatística que ele jamais esquece é de que 80% da área agricultável dos Estados Unidos é reservada ao pasto e ao cultivo de ração para alimentar os animais que mais tarde serão abatidos e reduzidos à carne.

“Se pudéssemos estalar os dedos e fazer essa indústria desaparecer, o que eu faria rapidamente se eu pudesse, a recuperação da biomassa vegetal daquela área iria começar a diminuir a concentração de gás carbônico na atmosfera, algo que as pessoas nem contemplam como possibilidade”, frisa o CEO da Impossible Foods.

Mas e a realidade no Brasil?

Além da já conhecida associação do desmatamento da Amazônia com a criação de gado, em 2017, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o Brasil já contava com mais de 350 milhões de hectares ocupados pela agropecuária – mais de 40% do território brasileiro.

A pesquisadora da Embrapa, Sandra Furlan Nogueira, informou que à época 172 milhões dos mais de 200 milhões destinados às pastagens já sofriam as consequências da degradação associada ao mau uso da terra. Isso pode explicar o interesse cada vez mais crescente de agropecuaristas de várias regiões do Brasil pelas terras ainda virgens da Amazônia.

Além disso, o Brasil, com uma cultura predominante de pecuária extensiva, tem uma criação comercial de 213,5 milhões de bovinos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agora imagine 93% desses animais ocupando pastagens em um país onde cada boi utiliza, em média, 1,2 hectare, conforme dados da Embrapa. Isso significa, 256,2 milhões de hectares do território brasileiro destinados somente à criação de bovinos para consumo, onde florestas de diferentes biomas foram derrubadas.

Convertendo áreas de pastagens em quilômetros quadrados, chegamos ao total de 2,562 milhões, que ultrapassa 30% da extensão territorial do Brasil, que é de 8,511 milhões de quilômetros quadrados. Tudo isso dedicado a um único produto – a carne de boi.


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