Alerta

O consumo de animais selvagens é um barril de pólvora para a saúde mundial

Especialistas advertem que controlar globalmente o consumo e comércio de produtos silvestres é praticamente impossível

Foto: Julia Schwab/Pixabay

Em pandemias passadas o consumo de animais selvagens já foi apontado como a origem das doenças. Mas, segundo Berhe Tekola, diretor de Produção e Saúde Animal da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o controle do consumo e comércio desses animais é tremendamente difícil por três motivos: a falta de estatísticas, por não ser algo registrado; populações enormes e com tradições muito arraigadas; e a escassez de meios para aplicar a lei.

“Por isso, a possibilidade de ver novas doenças transmitidas de animais para humanos no futuro é muito real”, diz.

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Por causa da pandemia do covid-19 a China proibiu temporariamente o consumo de animais selvagens, uma medida que não inclui usos medicinais ou destinados à pesquisa. Mas, os especialistas duvidam da eficácia da proibição, já adotada em crises anteriores. “A Europa é a região mais rigorosa do mundo, mas esqueça que isto existe em outras regiões. É muito difícil controlar esse tipo de coisa num país com 1,4 bilhão de pessoas”, afirma Santiago Mas-Coma, catedrático de Parasitologia e presidente da Federação Mundial de Medicina Tropical.

As feiras livres e mercados onde se misturam muitos animais em duvidosas condições de salubridade geram novas zoonoses (doenças transmitidas de animais a humanos). “Já foi assim com a gripe aviária, quando se investigou a origem em frangos que tinham adquirido o vírus através dos restos fecais de animais mantidos na gaiola de cima”, acrescenta Santiago.

“Você pega espécies selvagens, as põe sob uma situação de estresse e as mistura com outras. É o habitat perfeito para os vírus, que são inteligentíssimos”, indica Rikkert Reijnen, do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, organização presente em 40 países.A ONU calcula que o tráfico de espécies protegidas movimenta a cada ano entre 8 e 10 bilhões de dólares (37 a 46 bilhões de reais). As informações são do jornal El País.

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