Transformação

Natureza se recompõe com a ausência de humanos nas ruas

O declínio da presença humana fez com que os animais selvagens urbanos passassem a ter caminho livre para passear pelas cidades

Pixabay/Jirreaux

A pandemia de Covid-19 afastou os humanos das ruas. Isoladas socialmente numa tentativa de conter o vírus, as pessoas deram espaço aos animais, que passaram a ocupar novamente os espaços.

Pássaros cantando, javalis andando pela cidade de Barcelona, na Espanha, e um puma selvagem percorrendo ruas desertas de Santiago, no Chile, são alguns dos exemplos.

Pixabay/Jirreaux

O diretor de pesquisa do Museu Nacional de História Natural de Paris, Romain Julliard, afirmou à agência de notícias AFP que o declínio da presença humana fez com que os animais selvagens urbanos passassem a ter “caminho livre para passear pelas cidades”.

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As raposas, por exemplo, “mudam seu comportamento muito rapidamente, quando um espaço fica quieto, eles vão”, segundo Julliard, que lembrou ainda que animais como pardais, pombos e corvos podem migrar de seu território habitual, liberando espaço para outros animais.

O aumento no canto dos pássaros, porém, não indica um crescimento das espécies. De acordo com o diretor do Museu Nacional, a diferença é que agora os pássaros podem ser ouvidos cantando. Além disso, segundo Jérôme Sueur, especialista em acústica do Museu Nacional de História Natural, algumas aves “param de cantar quando há barulho. Agora cantam novamente”.

Outra questão interessante é o fato de que o isolamento social humano está coincidindo com o período de acasalamento de algumas espécies, como o sapo-comum e a salamandra-malhada. Segundo o diretor regional do Escritório Francês de Biodiversidade, Jean-Noël Rieffel, esses dois animais “são frequentemente atropelados quando atravessam as ruas”.

Já no Parque Nacional Calanques, nas proximidades de Marselha, na França, a natureza está se recompondo após o local ser fechado ao público por conta da quarentena. “A natureza e os animais estão retornando às suas áreas naturais em uma velocidade surpreendente”, disse à AFP o presidente Didier Réault. As plantas também poderão se desenvolver em paz, sem que haja o risco de visitantes retirá-las, de maneira irregular, do local.

Romain Julliard disse ainda que os gramados estão crescendo e fornecendo “recursos para abelhas, abelhas e borboletas”. Na opinião dele, “talvez o fenômeno mais importante seja que nossa maneira de ver a natureza está mudando: pessoas confinadas estão percebendo o quanto sentem falta da natureza”.

O confinamento dos humanos, no entanto, não é bom para todas as espécies. Animais que sobrevivem se alimentando de migalhas de alimentos consumidas pelas pessoas – como os pombos -, estão sofrendo. No Rio de Janeiro, inclusive, essas aves estão morrendo de fome.

Além disso, ações de proteção a espécies ameaçadas de extinção também foram interrompidas, conforme explicou Loïc Obled, diretor-geral adjunto do Escritório Francês de Biodiversidade.

O final da quarentena, segundo Jean-Noël Rieffel, terá que ser realizado com cautela. “As pessoas vão querer estar próximas da natureza, mas um excesso pode ser desfavorável para a fauna e a flora”, concluiu.


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